Sexta-feira, 30.04.10
Sentimos frustração, raiva, em alguns momentos a dor é tão grande que é necessário o auxílio de alguém, pois não dá pra carregar sozinha. Existe uma experiência que todo ser humano compartilha que é a PERDA de alguém ou de algo muito próximo. Esta situação repentina, súbita, mas o que também há de comum é que jamais temos o poder de controlá-la. Isto faz com que soframos muito. Lembranças e sentimentos permeiam este momento e muitas vezes nos sentimos derrubados e até mesmo incapazes de conseguir continuar respirando. São sensações físicas, emocionais e espirituais desagradáveis e que se alternam de forma a não conseguirmos controlar. Perguntamos o motivo daquela PERDA e daquele sofrimento, mas no momento exato da PERDA não conseguimos tirar nenhum ensinamento... Apenas sofremos. O sofrimento, a dor é a finalidade! Há uma realidade indiscutível: o ser humano aprende na dor e não no amor. O sofrimento expressa nossa insegurança básica e nosso medo do abandono, a certeza de que vivemos num mundo no qual controlamos muito pouco ou quase nada. Sentimos o desamparo e a vulnerabilidade, somos obrigados a encarar todas as emoções sem anestesia. Na verdade não queremos nos deparar com tudo isso, pois nosso instinto básico é “evitar a dor”, digo, “evitar o desprazer”. Vivemos no mundo dos opostos, assim como existe o dia, existe à noite; existe em cima e em baixo; existe o positivo e o negativo para nos sentirmos humanos. Não é possível usufruir as emoções positivas sem conhecermos as negativas, até para que possamos ter termos comparativos. Por esse motivo é tão importante enfrentar e experimentar as emoções negativas, sem negações ou repressões, para que não retardemos nosso crescimento emocional, psicológico e espiritual. Sentir a nossa maneira, pois não existe a forma certa ou a errada de sofrer. Infelizmente vivemos numa sociedade hipócrita em que os verdadeiros sentimentos devem ser escondidos e comedidos dentro da expectativa do outro. Não é saudável reprimir nossos sentimentos, quanto mais à dor da PERDA. Quando morre alguém que amamos, perdemos o emprego ou uma amizade, perdemos um pouco da esperança tristeza e perplexidade. Sofremos pelo que não foi feito ou dito, ficamos nos perguntando o que mais poderíamos ter feito ou o porquê de morrer os bons e os maus não... Ou porque morrer uma criança de 16 anos, cheio de vida, com todo um futuro para frente, com tantas coisas a fazer, a aprender, a doar, como o meu filho e não um doente em fase terminal que está sofrendo em um leito de hospital? A maioria de nós não está preparada para ter arrancado de si alguém ou algo importante, portanto toda perda nos remete a determinadas fases. Nossa primeira reação a uma perda é o “choque”, a descrença total. Por não estarmos preparados, quase sempre somos apanhados de surpresa. O mundo vira de cabeça para baixo e perdemos completamente o controle de tudo. Não conseguimos entender o ocorrido e ficamos meio que anestesiados. O impacto nos impede de reconhecer como fato real. Ficamos entorpecidos, as pessoas falam conosco e nada compreendemos. O choque é um mecanismo de defesa quando o sofrimento é demais e não somos capazes de lidar com as consequências da PERDA. Quando o choque começa a diminuir, passamos entender a realidade. A “negação” está diretamente ligada à etapa anterior e as duas ocorrem quase que simultaneamente e são defesas. Quando negamos, evitamos o confronto com a realidade. O tempo que cada fase demora na vida de alguém não dá para prever. A raiva e a tristeza são sentimentos que fazem parte do que sentimos no momento que perdemos algo ou alguém. Corremos o risco do afastamento da realidade de que a dor é parte da vida e não há vacina contra PERDAS. Senti raiva da forma como perdi o meu filho um acidente, e se tinha mais dois amigos dele com ele, porque só ele morreu, por quê? Não consigo até agora assimilar isso direito. Contudo sei que esse sentimento de raiva prolongado mina o meu emocional e o meu físico, assim como a tristeza desmedida que sinto pode tornar-se uma depressão. Mas não consigo controlar a culpa. Imagine uma mãe que perde seu filho em um acidente? A aceitação é a fase que estou tentando aprender agora nesse processo de perda. Quando aceitamos efetivamente a situação como ela é, com dor e tudo, quando reconhecemos que nada poderia ser feito e que tinha que acontecer e que nos resta “catar” os pedaços, aprender com tudo aquilo e recomeçar. Recomeçar dolorido, porém mais forte. Não há regras estabelecidas ou limite de tempo, mas a força da vida estará atuando sempre ao tomarmos consciência de que a vida nos é dada com um determinado número de situações que não podemos controlar ou mudar. Neste momento podemos reinvestir em nós mesmos e em nosso futuro, somos capazes de aos poucos ir optando pela vida, revendo valores e tomando decisões que nos beneficiam. Seja qual for à decisão, será sempre uma oportunidade surgida do que PERDEMOS e, embora a vida não possa mais voltar ao que foi um dia, ela tem a capacidade fabulosa de renovação e de descoberta de novos caminhos. Certamente há sempre coisas a fazer enquanto habitamos esta sala de aula que se chama Terra. POSTADO POR UMA MULHER


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Quinta-feira, 29.04.10
O que se passou com o Vi? Porque ele não conseguiu acreditar em outra saída senão a de ir para o caminho que ele estava trilhando? Eu sabia de sua agressividade, muitas vezes de uma freqüência assustadora, passando a ocupar territórios essenciais na idade ainda em transição e que se apresentavam em seus abalos e turbulências muitas vezes incontornáveis. Dos seus adoecimentos, sentidos e sofridos. Havia em você meu filho uma impulsividade que é própria do adolescente. Mas os conflitos estavam, presentes, e produziu seus efeitos desastrosos e devastadores, que irrompem de uma maneira traumática, irrisória, drástica, assustadora e, até mesmo, insana. Foi um movimento por demais agressivo, inconsciente, mas que apresentou força suficiente capaz de promover danos irreparáveis. A sua violência era desencontrada, contra você mesmo. Perdi as contas de quantas vezes eu fiquei a noite pensando nessa sua raiva interna, nessa violência que você trazia dentro de você. Filho você se comia em vida, roia suas unhas, comia suas sobrancelhas. Era uma violência surda, que acredito que você mesmo tinha medo do poderia acontecer. Hoje eu acredito que você estava sofrendo os embaraços da dor herdada, da violência que você presenciou durante toda a sua infância, não só presenciou como também foi vitima. Por alguma razão, você não conseguiu reverter o rumo da história recebida, daí, sofreu os efeitos devastadores dos ideais contrariados de seus ancestrais. Por alguma fragilidade psíquica você não conseguiu se dar a chance de assumir e se apropriar de sua própria história retificando a má sorte que uma equação de vida lhe impôs como algo tão maldito. Não há culpados na história. De algum modo tenho que me tornar responsável pela história que você recebeu. Foi o peso desta história recebida que te levou a não suportar viver? Uma história que se estrutura pelo viés dos efeitos de inconsciente – de uma boa ou má sorte – que ela mesma instaura. A herança simbólica que cada um de nós recebe, até mesmo antes do nascimento, com a interrupção de uma vida, cessará de ser transmitida para filhos e netos, restando, nesse vazio, nada mais que um ponto de sacrifício habitado por interrogações silenciadas. Herdamos uma vida por onde florescem todos os pecados do mundo, vale dizer, do pai, da mãe, dos nossos antepassados. Votos de vida e votos de morte. Cada um de nós terá que aprender a lidar com a sua história de uma maneira particular, a partir de um estilo de vida. Mas temos oportunidades e meios para mudar os rumos de uma má sorte. Eu desejava que você vivesse cada vez mais. Queria ter podido te dar uma boa infância, e que você pudesse ter tido a chance de participar das brincadeiras com outras crianças. que crescesse e se tornasse independente que estudasse e cursasse uma universidade, que encontrasse um caminho vitorioso na vida amorosa e profissional. Queria mais ainda, deseja, verdadeiramente, que você estivesse presente quando eu morresse que você enfrentasse e superasse as dificuldades. Mas tenho que admitir o medo, a covardia, e a mascara da vitima coitadinha, não me deixaram tomar uma atitude que pudesse ter proporcionado a você e a seus irmãos, tudo isso que qualquer criança tem como direito nato. Eu os privei de uma vida normal, os privei quando não tive atitude para mudar o rumo de nossas vidas. Eu não te perdi, eu perdi, perdi tudo. O buraco que ficou é um rombo. Você carregou algo de cada um de nós, que, por sua vez, algo de você está em mim, em sua irmã e no seu irmão, para sempre. Também nas vizinhanças, há ressonâncias dos estilhaços de perdas que promovem feridas por vezes não cicatrizáveis. A perda de um filho. Eis, aí, a dor maior que habita a alma humana. O que se passa aqui? Não somos mais os mesmos, logicamente. A sua morte provocou uma desestruturação, uma quebra dos vínculos, uma ruptura dos laços que sustentava uma então cumplicidade necessária para se viver em família. Mas alguma coisa ainda vive aqui para além do que se poderia imaginar. O tempo não curou. Não há mais lugar para a alegria, para o diálogo. Ela está pesada, pesarosa. Estamos fechados em nós mesmos. Não podemos respirar vida. Eis o problema maior. Não há lugar para a palavra, ela não circula. Você está posto, alocado em proporções distintas em cada um, de nós, fazendo parte, impedindo que a falta se coloque, que possa circular, dando a ver lugar para a fala e para a palavra. Desejos amortecidos, ninguém se autoriza desejar. Estou imersa num gozo culposo e lamentador. Caindo na ressente da dor da perda, não faço outra coisa senão ruminar dentro de mim o peso de um fracasso. Questiono-me sobre o acontecido, sobre minha parte nisso tudo. POSTADO POR UMA MULHER


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Quarta-feira, 28.04.10
A conversa de hoje possui uma forte tendência a se tornar polêmica, a partir do título deste artigo. Peço a (o) caro (a) leitor (a) que tenha calma e tente ler até o final. Em nossa cultura, a violência contra a mulher é aceita; e normas não escritas sugerem que a mulher é a própria culpada da violência por ela sofrida, apenas pelo fato de ser mulher. A origem, o pecado original, é a idéia falsa de que a mulher deve ser, porque sempre foi um ser inferior, uma subespécie humana, incapaz por natureza, pouco afeita aos fazeres públicos e intelectuais. Lamentavelmente, este (pré) conceito cultural, construído historicamente, de que a mulher é um ser submisso, paradoxalmente, é assimilado, aceito e reproduzido também pela maioria das pessoas do sexo feminino. Aliás, ele somente se tornou de difícil superação porque a maioria esmagadora das mulheres não possui condições de compreender esta contradição. Agem como seres submissos. O outro lado da moeda, o machismo, igualmente é reproduzido - e até fortalecido - pela maioria das mães, tias, vizinhas e professoras; ou seja, aqueles segmentos sociais responsáveis pela educação lato sensu das nossas crianças em seus primeiros anos de vida. A reprodução do preconceito começa na escolha das roupinhas do bebê, com ele ainda na barriga da mãe: rosa para as meninas e azul para os novos machinhos. Logo que nascem, seguem as regras para brinquedos e brincadeiras: os meninos jogam futebol, aprendem lutas marciais, ganham carros, armas e roupas de super-heróis para brincar, coisas de machos que se preparam para dar porrada e impor suas vontades numa vida de aventuras, nas ruas. As mocinhas, ao contrário, são orientadas para o recato do lar, e ganham presentes de bonecas, produtos de beleza e cozinha, coisas de quem se prepara para uma vida dentro de casa, seguindo as normas vigentes, e pautadas pela opinião da vizinhança. Ou seja, a violência exercida pelos homens contra as mulheres, no Brasil como em qualquer parte do mundo, é autorizada, sancionada, pela sociedade patriarcal. Sociedade reforçada pelas religiões judaico-cristãs, nas quais a figura feminina é sempre uma figura subalterna ou de menor poder, a partir da própria idéia do Pai Salvador (Nossa Senhora não faz, apenas intercede junto ao seu Filho); mesma lógica estende-se a sua hierarquia dominada pelo sexo masculino (o Papa, Cardeais, Pastores, Rabinos, Sacerdotes, todos do sexo masculino). Aqui no patropi, exceção se faça, em respeito à verdade, aos orixás da Umbanda, os quais incorporam divindades dos dois gêneros. Como livre pensadora, ouso achar que a Lei de Deus deveria permitir que o ser humano estivesse sempre em condições de exercer seu livre arbítrio. Todavia, sou voto vencido. Lamentavelmente, o espancamento de namoradas, esposas e amantes por seus companheiros é uma questão da vida privada, na qual a sociedade (patriarcal) "não deve intervir". Diante de casos de violência contra mulheres, é comum que os comentários machistas predominem até mesmo sobre a natural rejeição ao ato de agressão. "Alguma ela fez" ou, na melhor das hipóteses, "melhor não tomar partido". Sem falar nos casos de estupro, quando, freqüentemente, se critica a sensualidade excessiva dos trajes das mulheres, responsabilizando-as e justificando o estuprador. Como propriedade do macho, "a mulher é a culpada". Essas atitudes preconceituosas são exercidas também por profissionais de saúde e policiais, resultando algumas vezes em tratamento inadequado. Ainda bem que, como diria Mahatma Gandhi, "Deus não tem religião". Entendo Deus como um ser cuja única definição é que ele está além do poder do entendimento humano. Resumo da ópera: a mulher, premida por circunstâncias que ela própria não compreende, na maioria das vezes, retira a queixa-crime contra o seu agressor, perdoa-o, e continua a viver com o mesmo e a conviver com sua dor. E quando essa mulher-mãe tem apenas nove anos de vida? Seria também a culpada? Como diz o Chico em "Umas e Outras", "o acaso faz com que se cruzem pela mesma rua olhando-se com a mesma dor". Até quando? POSTADO POR UMA MULHER


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Segunda-feira, 26.04.10
Um dos maiores obstáculos para uma vida harmônica, plena, mais expressiva e significativa é o medo de perder, sobretudo medo de perder alguém, o medo de perder quem dizemos amar: cônjuge, filhos amigos, patrão, empregado, cliente... Esta emoção é a principal responsável pelo nosso sofrimento vital. O medo de perder é o medo de tornarmos dispensáveis para a pessoa com a qual estamos nos relacionando, ele se reverte de mil e uma formas, aparece sobre mil disfarces, como o medo de sermos criticados, que falem mal de nós, medo de que nos humilhem, de sermos rejeitados, de não sermos importantes, de sermos menos prezados, de não sermos amados, medo da solidão, e tudo isso pode ser designado por uma palavra : Ciúmes! O ciúme é o medo de não ter alguém, de não possuir alguém, de não ser dono de alguém. Na relação ciumenta colocamos: nós e o outro como objeto, nesta relação pessoas e objetos são a mesma coisa. No ciúme temos medo de um dia sermos considerados inúteis, dispensáveis a outra pessoa, esta é a emoção do apelo, confusa, misturada, dependente e o que agrava é que na nossa cultora aprendemos como se o ciúmes sendo amor, e ele é justamente o oposto do amor, pois na relação amorosa existe identidade, eu sou independentemente de você, na relação ciumenta, por outro lado, perde-se a identidade: eu sem você não valho nada, você é tudo para mim. O amor é solto, é livre, vem de querência intima, está diretamente ligada ao sentimento de liberdade, de opção, de escolha. O ciúme prende, amarra, condiciona, determina, com essa emoção eu já não sou eu, sou o que o outro quer que eu seja. E eu sou assim para que ele seja aquilo que eu quero que ele seja. No ciúme há um pacto de destruição mútua, cada qual, usa o outro como garantia de que não estará sozinho. Eu me abandono para que o outro não me abandone, eu me desprezo para que o outro não me despreze, eu me desrespeito para que o outro não me desrespeite, eu acabo me destruindo para que o outro não me destrua. O ciúme é o medo de ser dispensável a alguém, e o mais grave talvez esteja aqui, nós passamos a vida inteira com medo de tornarmos algo que nós já somos: TOTALMENTE DISPENSÁVEIS! O homem por definição é dispensável, transitório, efêmero, aquilo que passa, e isso é bastante real. Em todas as relações que temos somos hoje, somos substituíveis! O mundo sempre existiu antes de nós, está existindo conosco e continuará existindo sem nós. Somos necessários aqui e agora, mas seremos dispensáveis além e depois. O medo de ser dispensáveis a alguém é o mesmo medo que temos da morte, que é real, pois o medo da morte é o ciúme da vida, é a vontade irreal de sermos eternos e imutáveis. O medo de perder nos dá a entender que as coisas só valem se forem eternas, se forem permanentes e duráveis. Uma relação só tem valor se tivermos garantia de que a vida sempre será assim como é. E, como tudo é transitório, como tudo é passível de transformação, o medo de perder nos leva a um estado contínuo de sofrimento. As conseqüências do ciúme são muito claras. Se eu tenho medo de que me abandonem, de que não me amem, de me tornar dispensável, ao invés de fazer cada vez mais para que cada vez mais eu seja melhor, acabo gastando toda a minha energia para provar ao outro que eu já sou o mais, que eu já sou o melhor, que eu já sou o primeiro! Ao invés de empenhar esforços para ser um cônjuge, um filho, um amigo, um pai ou uma mãe cada vez melhor, eu gasto toda a minha energia tentando provar a eles: que eu sou o melhor cônjuge do mundo, o que é uma mentira; o melhor filho do mundo, o que é uma mentira; o melhor pai ou mãe do mundo, o que é uma mentira; o melhor amigo do mundo, o que é uma mentira; e assim por diante... O ciúme no conduz ao delírio da onipotência, os nossos atos, nossas iniciativas, a nossa conversa, o nosso comportamento, as nossas considerações, tudo isso é para mostras ao outro que já somos bons, capazes e perfeitos. Aqui está a diferença básica e fundamental entre o medo de perder e a vontade de ganhar. O medo de perder é assim... Ganhamos ninguém vai nos tomar o que já possuímos, para conservarmos o que já ganhamos... E com isso nós já chegamos ao ponto máximo, só temos que perder. À vontade de ganhar por outro lado, é assim... Estaremos sempre ativos, descobrindo oportunidades do ganho, procuraremos ganhar cada vez mais em vez de nos preocupar com possíveis perdas. O que temos de mais sagrado é a nossa própria vida esta nós já vamos perder, todas as outras perdas são secundárias. O medo de perder é reativo, defensivo, justificativo! As pessoas ciumentas estão sempre se prevenindo para não perder, sempre se preparando, sempre se conservando. As pessoas, com vontade de ganhar estão sempre optando, arriscando, o medo de perder é a vivência do futuro, é a vivência antecipada do futuro, é preocupação. À vontade de ganhar, por outro lado, é a vivência do presente, é a vivencia da beleza do presente. Em tudo, a cada momento existem riscos e existem oportunidades. No medo da perda a pessoa só vê os risco, na vontade de ganhar a pessoa também vê os risco, mas, sobretudo, vê as oportunidades. Cada momento da vida é um desafio para o crescimento. A vontade de ganhar, a qual nos referimos, não significa ganhar de outra pessoa, e sim ganharmos de nós mesmos, ser cada vez mais, estar disposto a dar um passo a frente, estar sempre disposto a crescer um pouco mais. É importante termos para nós, que hoje podemos crescer um pouco mais do que éramos ontem, que ninguém chegou ao seu limite máximo, que idade adulta não significa que chegamos ao máximo de nossas potencialidades, não existe pessoa madura, existe sim, pessoas em amadurecimento. Todo nosso crescimento se dá por uma paralisação de nosso crescimento pessoal, e cada um de os sabe muito bem onde paralisou, onde nossa energia está bloqueada, onde não está tendo expansão de nossa própria energia. Ainda, não vimos até hoje, um relacionamento se deteriorar sem a presença marcante do ciúme, do desejo de sermos donos da outra pessoa, de ter poder e controle sobre as ações e até dos pensamentos da pessoa que dizemos amar! O ciúme é a doença do amor, é um profundo desamor a si mesmo e conseqüentemente um desamor ao outro, pelo ciúme se estabelece uma relação entre dominador x dominado. O ciúme é a dor da incerteza com relação ao sentimento de alguém no futuro. É a raiva de não possuir a segurança absoluta do relacionamento no futuro, é a tristeza de não saber o que vai acontecer amanhã. Alías, o que dói no ciúme, é a insegurança do futuro, é a insegurança do desconhecido. A loucura está aí, passamos a vida inteira tentando conseguir o que jamais conseguiremos: segurança... Pois ela não existe! Ser seguro não acabar com a insegurança, mas aceita-la como inerente à natureza humana. Ninguém pode acabar com o risco do amor, por isso só é possível estar em estado de amor quando sabemos estar em um estado de risco! Desperdiçamos o único momento que temos que é o A G O R A, em função de um momento inexistente: o F U T U RO ! Parece que as pessoas só valem para nós amanhã, no futuro. Nós não curtimos o relacionamento hoje com nosso cônjuge, com os filhos, com s amigos sofrendo pela possibilidade de um dia não sermos queridos por eles. O filho, por exemplo, parece que só nos é importante amanhã, quando crescer, quando se formar, quando casar, trabalhar, etc... Até hoje, não conhecemos um pai que estivesse preocupado com o futuro do filho que estivesse brincando com eles. Em geral, não tem tempo porque estão muito ocupados em assegurar aos filhos um futuro brilhante! O ciúme é a incapacidade de vivermos a gratuidade da vida. Hoje é o primeiro dia do resto de nossa vida, querendo ou não! Hoje estamos começando, e viver é considerar cada segundo de novo, a cada dia o seu próprio cuidado, o medo daquilo que nos pode acontecer, tira nos a alegria de estar aqui e agora. O medo da morte tira a vontade de viver, o medo de perder alguém tira a beleza de estar com ela agora, alias quando se tem medo de perder alguém é porque pensamos que as pessoas são nossas, ninguém pode perder o que não tem. Cada pessoa é única e exclusivamente dela mesma, podemos perder um livro, um isqueiro, uma bolsa, porém jamais podemos perder uma pessoa. O sinônimo do medo de perder é a obsessão pelo primeiro lugar, colocamos nos ombros a tarefa impossível de sermos sempre os primeiros em todos os lugares e em todas as circunstâncias. Se for a casa, queremos ser o primeiro, se for ao trabalho, também o primeiro, num assunto específico queremos ser o primeiro, em outro assunto qualquer sempre o primeiro. O 1o lugar é amarelante, deteriorante, ao passo que o 2o lugar é esperançoso, é enverdejante, pois quando alguém chega ao cume da montanha só lhe resta um caminho a seguir: COMEÇAR A DESCER!! No 2o lugar, ainda temos para onde ir, para onde crescer, a postura do 2o lugar nos leva ao crescimento contínuo, porque você se decreta em 2o lugar mesmo que esteja eventualmente o 1o lugar perante a sociedade. O 2o lugar não em relação ao outro, mas em relação a nós próprios, ou seja, ainda teremos por onde crescer e melhorar. Você sabe por que o mar é tão grande? É porque ele teve a humildade de se colocar alguns centímetros abaixo de todos os rios do mundo, sabendo receber tornou-se grande, se quisesse ser o 1o e se colocasse alguns centímetros de todos os rios da terra, não seria o mar, mas uma ilha, toda a sua água iria para os outros, e ele estaria isolado... Além disso, a perda faz parte, a queda faz parte, a morte faz parte, é impossível viver satisfatoriamente se não aceitamos a queda, a perda, a morte o erro, precisamos aprender a perder, a cair, a errar e a morrer. Não é possível saber ganhar sem saber perder, não é possível saber andar sem saber cair, não é possível viver sem saber morrer! Em outras palavras, se temos medo de cair, andar será muito doloroso; se temos medo de morrer, a vida será muito ruim; se temos medo de perder, o ganho nos enche de preocupação!!! Esta é a figura do fracasso dentro do sucesso, pois quanto mais ganha, quanto mais melhora na vida, mais sofre. Para a pessoa que tem medo de ficar pobre quanto mais dinheiro obtém mais preocupado fica. Para a pessoa que tem medo do fracasso, quanto mais sobe na escala social, mais desgraçada é a sua vida. Agora, se você aprende a perder, a cair, a errar e a morrer, ninguém o controla mais, pois o máximo que pode acontecer a você é cair, é perder, é errar, é morrer e isso você já sabe!! POSTADO POR UMA MULHER


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Domingo, 25.04.10
Amigos, amanhã eu pretendo começara discutir aqui sobre um assunto muito delicado e difícil, por assim dizer, por isso hoje não resisti em publicar essa oração que uma amiga me enviou por i-mail..espero que gostem eu adorei.. Beijo no coração de todas... "Senhor, me ajude a nunca desistir de ser mulher. Coloque um espelho no meio do meu caminho entre a lavanderia, o supermercado, o sapateiro, o colégio e a locadora. E que, ao me olhar, eu goste do que veja. Não deixe que eu passe uma semana sem usar um batom bem vermelho, uma bota bem alta ou um jeans bem justo. Proteja meus cachos do vento e os brincos e anéis dos olhares invejosos. Nunca deixe faltar na minha vida comédias românticas e boas depiladoras. Se eu estiver com vontade de chorar, faça com que eu chore um dilúvio. E que tenha saído de casa sem pintar o olho. Para cada dia de TPM, me dê uma vitrine com sapatos lindos. Já que eu nunca pedi milagres, faça que minhas celulites sejam ao menos discretinhas. Me dê saúde, tempo livre, silêncio. E que nunca falte absorvente na minha bolsa. Nos engarrafamentos, faça com que eu ligue o rádio e esteja tocando minha música preferida. Dê forças para eu insistir que meus filhos comam salada, digam "por favor" e "obrigado", limpem a boca no guardanapo, façam as pazes e puxem a descarga. Cegue meus olhos para as sujeiras nos cantos e os brinquedos no meio da sala (eles vão estar sempre lá, isso eu já vi). Ajude para que eu chegue do trabalho e ainda consiga brincar, ver desenho, contar história ou fazer cócegas! E se eu não tiver a menor condição de me manter em pé, faça com que meu filho chegue dormindo da escola. Em dias difíceis, me dê persistência para seguir na dieta. Dê também, firmeza para os seios... Proteja minhas poucas horas de sono e não me julgue mal caso eu não acorde no meio da noite para cobrir meus filhos. Não deixe que a minha testa fique tão franzida a ponto de parecer uma saia plissada. E eu, uma louca estressada. Faça com que o sol seja meu personal trainer, meu complexo de vitaminas, meu carregador de bateria, mas quando eu pedir um diazinha de chuva, não pergunte por quê. Para cada batata quente no trabalho, me dê um café recém-passado. Entenda que, quando eu rezo para cancelarem uma reunião (não é gastar reza à toa, pode ter certeza). No meio de tudo isso, faça com que eu ache tempo para virar namorada de novo, ir no cinema, jantar fora, beijar na boca, dormir abraçadinha. Ilumine o espelho do banheiro e proteja minhas pinças, meus cremes e segredos. Ajude a não faltar gasolina e não furar o pneu e, por favor, afaste os motoqueiros do meu retrovisor. Senhor, por pior que seja o meu dia, faça com que ele termine, e não eu. Amém." POSTADO POR UMA MULHER


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Sexta-feira, 23.04.10
Como um fractal que se entrelaça nas espirais galácticas, entramos na energia que irá reger a Terra, a nave que singra os céus do infinito em suas elípticas dançarinas, pulsando, a partir de seu coração de cristal e ferro, o doce amanhecer de uma nova vibração, mais intensa e brilhante. É a busca da entrega a um movimento muito maior que a nossa consciência, é esvaziar a si mesmo de todas as crenças & apegos para apenas estar presente ao movimento da própria vida, com a mente ágil e o coração pleno, tomando consciência de ser um ponto conectado a milhões de outros, formando a teia de luz que sustenta o intento da vida no planeta Terra. A cada momento de quietude, a possibilidade de abrir o portal do êxtase. A Terra vem nos ensinar sobre a sincronicidade e o equilíbrio, sentindo a conexão com os reinos espirituais ao mesmo tempo em que nos conectamos, com atenção à energia da Mãe Terra, a cada passo, a cada momento. Encontrar o caminho interno que une esta incrível energia ao espírito, realizando o sonho sagrado planetário. Trazer a inteligência ativa, a mente ágil e receptiva para dançar com a vida, metamorfoseando o aqui e agora, confiando na própria intuição para descobrir o seu contato com o inefável, cada dia mais presente. Se deixar levar pela sabedoria interna que existe em seu coração, sempre existiu. Pois a essência humana é puro Amor e Doação. Nada mais, nada menos. E, ao fluir com o vento do espírito, encontramos o verdadeiro nascimento de nossa alma, e as pistas do caminho se tornam claras, precisas, anunciando um novo dia, uma nova vida. Basta se reconectar com o seu silêncio, o seu coração. Impossível controlar o fluxo da vida, talvez a maior ilusão na qual estamos imersos... e nos embaraçamos cotidianamente aviltando com nossas expectativas e apreensões o maior presente que recebemos : a vida. E que ela resplandeça, em sua profunda beleza. Que a sinergia de nosso espírito livre nos leve a encontrar o nosso lugar na roda da vida. Que as tribos renasçam no coração de cada ser que dança o caminho vermelho. Que percebamos que o grande sonho sagrado é a própria vida. Nada a alcançar e tudo a realizar, dentro e fora de si. Que nos juntemos para agir em favor da vida, de sua preservação, em todos os lugares de nossa Mãe Terra. Que tenhamos tempo para ouvir e dar amor para a nossa própria criança interna. Que nosso feminino e masculino reencontrem o equilíbrio e o companheirismo para tecer um novo caminhar Um caminhar em que não importa ter, mas simplesmente ser. Que não se pensa sobre, que não teoriza, mas que se deixa levar pela sensação da brisa tocando a pele, em pleno êxtase de estar vivo. Que o nosso ego, que sempre nos volta para fora, que quer qualquer coisa, que tem orgulho de conquistar, tire umas férias muuuuuuuuuito longas. E que o nosso coração brilhe infinitamente, criando ondas de beleza e sementes de luz para nós e todas as gerações vindouras. omita koyoasin pilamayhe Para todas as minhas relações Wise Buffalo Woman POSTADO POR UMA MULHER


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Quinta-feira, 22.04.10
A depressão geralmente é uma doença devastadora. Todos nós sabemos que a depressão clínica afeta o humor, os padrões do sono, o apetite, a motivação e até a vontade de viver. Mas o que muitas pessoas não se dão conta é do grau que os transtornos depressivos afetam os relacionamentos. Um casamento em que um dos parceiros está com depressão, tem nove vezes mais propensão de acabar, do que um onde não exista a depressão. Esta estatística marcante não é o único fator a indicar o quão destrutivo pode ser uma depressão clínica para os relacionamentos. As relações íntimas das pessoas com depressão são mais estressantes e mais rodeadas de conflitos do que das pessoas não depressivas; brigas e desentendimentos são muito mais comuns. Neste contexto, não é uma surpresa que a depressão – e os problemas sexuais causados pela depressão – seja a razão mais comum dos casais que procuram uma terapia. Aproximadamente 50% das mulheres depressivas reclamam de sérios problemas dentro do casamento. Os parentes de pessoas deprimidas também sofrem de preocupação excessiva, raiva e exaustão. Pessoas que convivem com um indivíduo deprimido estão mais propensas à depressão e têm um risco maior de desenvolver outros problemas emocionais, como ansiedade e fobias. Como um sofredor da depressão clínica, presenciei o dano feito aos entes queridos. Eu costumava me sentir sem forças para ajudar, especialmente quando estava me esforçando tanto para me curar. Felizmente, podemos aprender técnicas para combater estes efeitos “secundários” da depressão e ajudar a preservar relacionamentos importantes e permanecer otimista em relação à recuperação. Por que a depressão leva as dificuldades tão severas de relacionamentos e até prejudica a família e os amigos? Pense um pouco. Se você está sozinho e nervoso porque sua mulher tem estado triste nas últimas semanas e nunca quer estar perto de você; em determinada situação, você pode responder ao pedido dela para ajudar a limpar a casa com um suspiro ou um olhar insatisfeito. Ela percebe sua raiva e se sente sem apoio, mais desamparada e deprimida – reações que alimentam sua raiva e sua solidão. Pesquisadores descrevem este tipo de interação como um espiral depressivo decrescente, onde sua reação ao comportamento da pessoa que você ama pode piorar a depressão ao invés de trazer alívio. Os estágios iniciais deste ciclo decrescente podem adquirir muitas formas. Uma das possibilidades é que você se sinta culpado em relação à sua raiva pela esposa, mas não fala diretamente sobre o que está sentindo e ela percebe que está ocultando seus sentimentos. Resultado: a comunicação entre vocês dois começa a se desfazer; ou você expressa sua raiva muito livremente, e com isto ascende o pavio já curto de sua esposa, fazendo com que uma conversa construtiva seja impossível. Sabemos que, quando as brigas são muito inflamadas, elas não resolvem nada. O que não percebemos, talvez, é o fato de que este tipo de interação leva inevitavelmente ao aumento da depressão e à desesperança para nós mesmos e para quem amamos. É quase como um ritmo de dança no quais as duas pessoas se encaixam, e cada passo do parceiro afeta o seu. Se você e seu parceiro deprimido estão tendo problemas de relacionamento, as chances são de que você já está interagindo nesta dança depressiva. Dr. Laura Epstein Rosen, psicóloga, também acredita que o relacionamento de pessoas depressivas passa pelo que chamamos de Etapas de Adaptação à Depressão (EAD). Da mesma maneira que um bebê passa pelo desenvolvimento gradual – aprender a engatinhar e depois a andar – os relacionamentos passam por estágios em resposta à depressão. Assim como ao desenvolvimento de um bebê, as etapas de EAD podem ocorrer em tempos diferentes para relacionamentos diferentes, com as etapas nem sempre distintas e isoladas umas das outras. A característica de um comportamento prévio pode persistir à seguinte etapa, como quando a criança já anda, mas continua a engatinhar às vezes. E mesmo que em algum momento uma pessoa possa regredir a uma etapa inicial, progridem essencialmente na mesma seqüência. Em cada nível, decisões precisam ser tomadas e isto pode influenciar o curso da depressão e. seu efeito no relacionamento com a pessoa depressiva. Existem quatro etapas de adaptação: 1. Problema: nesta etapa, um ou os dois indivíduos do relacionamento percebem problemas de interação. Alguma dificuldade nova apareceu ou uma antiga retornou. O problema pode variar em uma mudança na quantidade ou qualidade de tempo gasto com brigas maiores e cortes na comunicação. 2. Reação: a reação inicial ao problema pode ser consciente ou inconsciente, como um reflexo. Um ou os dois parceiros reagem ao problema, construtivamente ou destrutivamente. 3. Reunindo Informações: agregar informações sobre o problema pode dar forma à conversa com o parceiro ou com pessoas fora do relacionamento, sobre suas idéias acerca do problema. Isso permite verificar sobre como a doença está causando ou contribuindo para o problema ao invés de defender falsas conclusões como: “ela está desinteressada em sexo porque está me traindo”, “ela está na cama durante o dia todo porque é egoísta e preguiçosa”, ou “ele não se lembrou porque não se preocupa comigo”. 4. Resolvendo o Problema: aqui, estas informações são utilizadas para desenvolver um novo plano de ação, o qual leva a uma resposta menos automática, como sentimentos de rejeição e dor, que conduz, por sua vez, a respostas mais conscientes, como relacionar o problema à depressão e tentar resolve-lo. Se o plano de ação estiver baseado no problema errado, ou seja, o casal não reconhece a depressão como uma criminosa, o resultado desta etapa será ineficaz para a resolução do problema. Se a causa do problema é identificada corretamente como depressão, haverá uma solução eficaz para o problema do relacionamento. Nossas experiências e pesquisas clínicas sugerem o seguinte guia para os entes queridos de alguém que está sofrendo de depressão: 􀂾 Aprenda tudo o que pode sobre depressão e suas reações na própria pessoa, como raiva, nervosismo e medos. 􀂾 Tenha expectativas realísticas com esta pessoa e com você mesmo (por exemplo, você pode animar a pessoa, mas não pode curá-la). 􀂾 Dê apoio (expresse seu amor e seu apoio sempre que puder). 􀂾 Siga sua rotina sempre que possível (não sinta medo de deixar a pessoa sozinha quando quiser socializar praticar exercícios, etc.). 􀂾 Não tenha medo de expressar seus sentimentos – apenas procure expressá-los de maneira construtiva. 􀂾 Não leve para o lado pessoal (aprenda a distinguir o que é resultado da doença e não característica da personalidade da pessoa). 􀂾 Peça ajuda para vocês dois. 􀂾 Trabalhe como um time contra a depressão ao invés de ir a favor das diferenças entre vocês. Através da prática destes oito passos e o EAD (Etapas de Adaptação à Depressão), você poderá influenciar positivamente sua jornada nos estágios e reverter os efeitos secundários negativos da depressão. POSTADO POR UMA MULHER


publicado por araretamaumamulher às 13:17 | link do post | comentar | favorito

Terça-feira, 20.04.10
A morte de um filho deixa uma dor eterna Vazio absoluto. Um nada sem chão, teto ou paredes. Mais que um poço fundo, o fundo sem o poço. A falta de ar. O desespero. A desesperança. Irracional, ilógico, inaceitável. As palavras e imagens mais fortes não são capazes de definir, o luto de uma mãe que perde um filho. A morte de um filho deixa cicatriz indelével, uma dor eterna. É a pior situação humana, não há perda maior. Não tem nada de simbólico para que eu possa elaborar essa perda. Eu morri junto mesmo! Mas é “antinatural”, a morte imprevisível de um filho é a que nos desestabiliza. O “To sem chão” é hoje uma frase que especifica muito bem o que sinto nesse um ano de três meses, de vazio absoluto. Angústia, revolta, dor, desespero, impotência, tristeza. Não existem palavras para definir a perda inesperada de um filho na adolescência. Diante de tanto sofrimento, esquecer jamais. Reinvestir amor e esperança na vida é um caminho a ser alcançado, por mais impossível que possa parecer. POSTADO POR UMA MULHER

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publicado por araretamaumamulher às 21:37 | link do post | comentar | favorito

Segunda-feira, 19.04.10
Talvez seja um convite do tipo “vamos falar da morte”, esta que é tabu maior que o sexo; maior ainda quando se trata da morte de um filho - dor que se recobre em silêncio, por se tratar de uma dor inominável. COMO OPERAR A PARTIR DO NÃO-SENTIDO DO REAL QUE A MORTE EVOCA E CONSEQÜENTE FALTA DE REPOSTAS QUE ADVÉM EM MOMENTOS COMO ESTE? O luto é um longo caminho, que começa com a dor viva da perda de um ser querido e que segundo alguns, pode ser visto como um lento e penoso processo de desamor em relação a quem se foi, ou seja, a pessoa enlutada não esquece nem deixa de amar o morto, mas passa a amá-lo de outra forma; amor esse, permeado por uma saudade enorme e envolta por uma dor indizível devido à perda abrupta e inesperada. É quando duas situações se encontram absolutamente inseparáveis: o amor e a dor. Amor pelo excesso de investimento colocado na pessoa que se foi, e dor porque esse suporte real nos deixou. O sentimento de abandono e o caráter definitivo de sua ausência são o que posso chamar de mais devastadores que se tem ao se deparar com a realidade da mais pura falta, do mais enorme vazio. Assim escreve Nasio: “As manifestações da dor - abatimento, grito e lágrimas - a mantêm como se a pessoa que sofre estivesse arrastada pelo desejo inconsciente - um desejo que nada tem a ver com masoquismo - de viver a prova dolorosa (...) Querem sofrer porque a sua dor é uma homenagem ao morto, uma prova de amor” (O livro da dor e do amor; pág. 65). As perdas costumam ser nomeadas para que possam ser minimamente suportáveis. Ao perder uma mulher, alguém passa a ser viúvo; aquele que perde os pais, órfãos; os que chegam a se separar, divorciados; mas as mães que perdem seus filhos não encontram sequer algo para nomeá-las. Lembro de uma amiga, psicanalista a quem sou muito grata por todo apoio recebido nesse período de luto, que me contava sobre os pacientes que sofriam da dor fantasma, que se trata de uma dor que acomete os pacientes que perderam um membro: tal dor é um dos maiores desafios para os médicos, estes não encontram um anestésico capaz de aliviar o sofrimento dos pacientes. O membro perdido, seja uma perna, enfim, não está mais no corpo, porém, o “membro fantasma” lateja, coça, aquece, esfria, dói, enfim a dor é viva presente embora o membro esteja ausente, morto... Com o tempo os pacientes podem aprender a conviver com a ausência que lateja. Penso que a dor da perda de um filho é próxima dessa, vivido por esses pacientes sofridos, me dizia ela. Ora, estamos falando de um membro do corpo, que dirá de um filho saído de nossas entranhas que como diz o poeta Chico Buarque: “Oh,pedaço de mim, oh ,pedaço amputado de mim”. É uma mutilação. Quando falava disso na minha análise, o analista interveio: “Daniel não era um pedaço de você, ele era uma pessoa com personalidade própria, fez seu próprio caminho”. Senti-me desautorizada na minha dor. E pensava: os analistas homens que nunca portaram um filho no seu ventre podem dizer alguma coisa sobre isso? A perda de um filho no desabrochar da juventude de forma trágica e inesperada coloca qualquer sujeito diante de uma dor inominável e indizível. O estranhamento e distanciamento do mundo sob a forma de uma dor alucinante derivado do próprio trabalho de luto não parecem combinar com a posição que o analista deve em circunstâncias normais,fora do circuito traumático. Não raro algumas pessoas deixam de lado a sua dor jogando-se no trabalho de forma obsessiva quando este trabalho ritualista opera ações repetitivas e mecanizadas. Outras buscam na religião, um consolo possível. O que dizer do ofício de analista que não é uma profissão como outra qualquer e que exige que ali o sujeito dê provas de sua análise? No período mais nebuloso da dor do luto que possibilidade há - se há alguma - de ouvir um outro, de se disponibilizar a escutar queixas comezinhas como, por exemplo, medo de se afogar no chuveiro enquanto o analista atravessa uma dor imensurável? No filme “O quarto do filho” que relata a experiência da morte de um filho de um psicanalista, este se vê na condição de se afastar da clínica por tempo indeterminado. A reação dos pacientes neste filme italiano, muito bem dirigido, nada piegas e verdadeiro, é a mais diferente possível a partir do percurso de análise de cada um e da transferência estabelecida com esse analista em particular. O osso mais duro de roer por certo. Quando perdi meu filho a sensação era de que o mundo havia caído sobre a minha cabeça e que eu não conseguiria suportar. A vida se torna realmente impossível diante deste sofrimento. Sentia-me no dever de aparentar "força" quando não a tinha, pois estava dilacerada e devastada pela dor. Como poderia mostrar fragilidade, chorar em público, no meio da rua, pudesse eu superar com dignidade a dor de existir? Como esconder a indiferença ao mundo, o alheamento, a falta de interesse pelo mundo e a própria falta de lugar de uma mãe diante de tal acontecimento? O luto não é terapeutizável, não há remédio para essa dor. Lembro de uma revista que li, cujo título da reportagem era: “A dor que não termina”. São relatos de pais que perderam seus filhos de maneira trágica e os relatos da reação particular que cada um teve. Desde aquele que ao ver seu filho morto por atropelamento e que o carrega nos braços para ser morto pelos carros que passavam, como aquela mãe que se recusou a comer desde a perda de sua criança vindo a falecer 4 meses depois de inanição. A reportagem começa justamente falando que o luto de quem perde filho é diferente de qualquer outro... e pode tornar-se insuportável o peso de tocar a vida adiante. A morte é sempre motivo de angústia e tristeza, mas a morte de um filho é uma tragédia contra a natureza, um desastre além da razão. Vivemos em um período desbussolado onde não se pode mais, como antigamente, encarar a tragédia como vontade de Deus. Diante de uma determinação superior, restava apenas se conformar. As mães, no passado eram poupadas de qualquer tarefa por um período de no mínimo um ano para se recolherem. Não há mais tempo para resguardo, nem para recolhimento. A licença de uma semana (até o sétimo dia) é o que é amparado por lei. Os tempos modernos, onde impera a ditadura da alegria não oferece espaço nem lugar para a dor, especialmente uma dor como essa. “Reaja!”, “Seja forte!”, “Não fale mais no assunto!”, “Aprenda uma lição com sua dor!”, “Não fique paralisado pela dor!” “Enfrente!”, são imperativos ouvidos a toda hora e só posso aqui dar meu testemunho de como essas frases me incomodavam. Portanto, nada de fórmulas, ou de dizer como alguém deve reagir... ou fazer... ou dizer... Aliás, não há muito o que dizer. Aliás, não há nada o que dizer. A morte é tabu, e ninguém quer falar dela. A morte ninguém sabe o que ela é. A morte assusta e horroriza. A morte de um filho é algo de difícil materialização. O seu desaparecimento súbito provocou em mim uma série de questionamentos acerca de tudo à minha volta. Com a morte de seu filho, é imperativo voltar a viver! Essa dor da perda de um filho não é uma dor qualquer. Implica numa longa travessia de luto, reinventar a vida a cada dia e conviver diariamente com a ausência de respostas, e sair em busca de algumas outras que estejam ao alcance de quem passa por isso. Tudo se tornava de um dia para o outro insuportável e qualquer mínimo detalhe me fazia lembrar do meu filho. Não conseguia me envolver com nenhuma atividade que realizava e tampouco poderia “volver” atrás, trazendo meu filho de volta. Essa certeza implacável tornou-se um tormento a ponto de meus familiares se incomodarem com meu recolhimento e isolamento, posições essas que me eram possíveis naqueles tempos tão doloridos e sem palavras. Outro ponto que quero marcar é sobre a seguinte questão: que tempo para o luto? É sabido que o luto é muito parecido com a depressão-afetivamente falando - mas esta é sem a perda real do objeto.Há uma cobrança diante do luto estrondosa no que diz respeito ao tempo. “Você ainda está chorando deste jeito”; ou: “não chore, pois seu filho vai sofrer ainda mais”... Parece que só nessas horas aprendemos o que não dizer a alguém que perde um filho. Há um jogo social no sentido de quererem lhe empurrar goela abaixo uma fórmula, que não há; há de ser reinventada caso a caso. Que lugar para uma mãe sem o seu rebento? Não reintegrarás o seu produto está no texto bíblico, mas como se desfazer de tantos sonhos ao mesmo tempo, de tantos projetos, de tantos investimentos? Como lidar o que nunca mais será? Ou com aquilo que jamais poderemos entender ou explicar dia após dia, noite após noite. Como suportar a falta de luz, que não há, e sem um dedo apontando o caminho, posto que essa destituição é própria da morte em si mesmo? COMO DIZER COMO OUTRORA: “SOU FELIZ O BASTANTE” ?!? O provérbio judaico que prega “cuidado com o que desejas, pois isto pode realizar-se” aqui é fora de questão, pois é impensável para uma mãe enterrar seus filhos.Isto é anti-natural. As mães não deveriam chorar a morte de seus filhos. Ao concebê-los, deveriam receber, com carimbo do céu e assinado por Deus, uma certidão de garantia, para vê-los crescer, sempre saudáveis e felizes. Ao lado deles, poderiam comemorar suas vitórias, suas conquistas, e depois de muito tempo, quando sentissem a conclusão de seu ciclo de vida, elas teriam o direito de serem veladas por seus filhos, todos eles, a fim de seguir feliz sua viagem de reencontro ao Criador. Os filhos, para as mães, deveriam ser sempre vivos, pois não foram concebidos para a morte, mas para a vida. Nada neste mundo é mais triste, mais doloroso do que choro de mãe que perde um filho. Elas não merecem isto. Nunca mereceram. Jamais merecerão.


publicado por araretamaumamulher às 14:08 | link do post | comentar | favorito

Domingo, 18.04.10
'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado, decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, marido (se tiver), telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação! E, entre uma coisa e outra, leio livros. Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic. Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres. Primeiro: a dizer NÃO. Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás. Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero. Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.. Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho. Você é, humildemente, uma mulher. E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo. Tempo para fazer nada. Tempo para fazer tudo. Tempo para dançar sozinha na sala. Tempo para bisbilhotar uma loja de discos. Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias.. Cinco dias! Tempo para uma massagem. Tempo para ver a novela. Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza. Tempo para fazer um trabalho voluntário. Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto. Tempo para conhecer outras pessoas. Voltar a estudar. Para engravidar. Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado. Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir. Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal. Existir, a que será que se destina? Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra. A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem. Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.. Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo! Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher que se sustenta fica muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela. Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C. E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante' Martha Medeiros - Jornalista e escritora POSTADO POR UMA MULHER


publicado por araretamaumamulher às 20:19 | link do post | comentar | favorito

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