Terça-feira, 15 de Setembro de 2009
Conselho da Mulher em Rondonópolis


Estivemos conversando com a Presidente do conselho da Mulher de Rondonópolis, Sandra Raquel Mendes.
Sandra não foge a regra, todas as mulheres que conheço que “compraram a briga”, é porque de alguma forma sofreram violência.
Hoje Sandra realmente trabalha em prol de fazer com que nós mulheres, tenhamos uma vida digna, e honrada. Se preocupando não só com a violência, mas também com o abandono, ou até mesmo com o fato de não termos em Rondonópolis uma cadeia feminina.
Apesar das condições precárias de suas instalações, o Conselho da Mulher de Rondonópolis está fazendo valer nossos direitos perante a sociedade.
Não temos ainda uma casa de abrigo, a vitima em situação de ameaça, dependendo das entidades beneficentes, que nos ajude a acolher a mulher que teve a coragem de denunciar o agressor, isso está muito longe de ser o ideal.
Mas Sandra não para está sempre procurando à melhor forma de adequar as condições que tem as exigências do momento.
Hoje o conselho da mulher está criando um projeto de prevenção, será começado a fazer nos bairros de Rondonópolis, uma capacitação de alguns moradores, para que eles possam está atuando junto a suas comunidades, como conselheiros e mediadores.
Fazendo assim um trabalho de prevenção, e de educação.
Sim educação, volto a afirmar, essa é a única via para acabar com a violência doméstica.
Porque hoje não temos mais o problema de não termos uma lei que nos proteja. Nós temos uma lei que nos protege. Hoje nós temos o problema que a grande maioria das mulheres que sofrem violência em seus lares, prefere a lei do silêncio a Lei Maria da Penha. O medo sela nossos lábios, o medo nos paralisa, o medo nos faz ver fantasmas, onde eles não estão.
E medo é uma coisa que não falta a uma mulher em estado de violência: Ela tem medo que seus filhos e ela fiquem desamparada, ela tem medo de ser assassinada, ela tem medo e vergonha da opinião publica medo e vergonha da sua família, de seus amigos, da sociedade em que está inserida. Ela se sente isolada em sua dor. E seu agressor lhe parece ser uma pessoa muito, mais muito poderosa mesmo. É assim que as grandes maiorias das mulheres em estado de violência se encontram.
Hoje eu estava dizendo a Sandra, que quando um agressor diz diante de uma delegada ou mesmo de um juiz, que sua mulher está com problemas mentais, talvez está seja a única verdade que ele esteja dizendo. Como ela não vai ter problemas mentais? Ela está vivendo com um monstro. E parte dela sabe disso, e outra parte que quer se livrar do problema, mas tem também aquela voz que diz que ela não é capaz de se manter, de manter seus filhos, que vai perder a família, os amigos, que a sociedade vai lhe virar as costas.
Agora o mais triste, seus amigos, sua família, e a sociedade, com raras exceções vão realmente te virar as costas, vão muito provavelmente ficar com o lado mais forte da situação, e não tenha a menor duvida que não será o seu lado.
Mas você terá apoio de pessoas que você jamais imaginou que teria.
Hoje em Rondonópolis, apesar de todas as dificuldades que enfrenta o Conselho da Mulher, está preparado, para te ouvir, para entender o seu problema, para te orientar.
Temos vinte e oito conselheiras, preparadas, para entender o que está ocorrendo com você, sem fazer nenhum julgamento.
Ninguém vai parar uma investigação porque seu agressor é o fulano ou o sicrano.
O Conselho da Mulher quando acionado, acolher qualquer denuncia. Citamos o caso de um político de nossa cidade, conhecido há muitos anos pelos atos de violência que cometia contra sua ex-mulher. E o Conselho assim que recebeu a denuncia formal, tomou todas as atitudes cabíveis ao caso.
E isso que a Maria da Penha sempre sonhou, que nós mulheres, tivéssemos alguém que nos ouvisse, que nos desse as mãos, sem nos julgar.
Antes, quando você entrava em uma delegacia da mulher para fazer uma denuncia, está se ariscando a ser presa no lugar do agressor. Eu estou falando porque foi assim que aconteceu comigo há uns quinze anos atrás, quase que eu fiquei presa.
A mudança é radical, nesse quesito. Temos hoje todo apoio, temos a garantia de nossas vidas, de nossa integridade física, psicológica, e principalmente, temos a orientação psicológica, que no nosso caso é de suma importância.
Denuncie Ana Maria Bruni costuma dizer: “O silêncio é o trovão dos omissos”.
Omitir significa condenar há você e aos seus filhos a uma vida de medo, e violência.
Amanhã falamos mais.
Fique na paz e na luz.
Araretama uma mulher


publicado por araretamaumamulher às 14:25 | link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Domingo, 13 de Setembro de 2009
A violência não começa na hora da agressão, ela é algo que se inicia muito antes, mas muito antes mesmo.
É isso é algo que deveria ser matéria no colégio, para que nossas filhas, não cometessem os mesmos erros.
Temos que começar a educar nossos filhos para que eles tenham uma visão mais critica sobre o ser humano. Isso não significa preconceito, é algo completamente diferente. Significa ensina-los a ver que se alguém te trata bem e trata uma pessoa mal, na sua frente, você pode ser a próxima a ser mal tratada.
São nas pequenas coisas que vamos aprender a reconhecer o futuro agressor, o futuro pedófilo, e assim poder nos defender deles. Alias futuro para nós, porque já está provado por psicólogos e psiquiatras, que um agressor, um pedófilo, já nasce com essa predisposição.
São tipos psicológicos, que precisam ser evitados, para nossa saúde física, mental e espiritual. Isso não é de forma alguma preconceito. Isso é preservação do Ser.
Estava lendo a entrevista da Maria da Penha, e fiquei pensando, é assim que foi comigo, é assim que é com a grande maioria das mulheres que são violentadas, espancadas, mal tratadas, humilhadas. A conversa é sempre a mesma: “Ele era tão bom, tão querido pela minha família, tão querido pelos meus amigos, me tratava tão bem,... que eu não poderia imaginar que isso ia acontecer...”.
Vamos ser sinceras, não imaginamos, porque estávamos carentes precisando de uma tabua de salvação... Não imaginamos porque o nosso inconsciente (nosso ego) nos dizia bem lá no fundo que não éramos capazes de arranjar coisa melhor.
Tudo o que passamos foi o que escolhemos passar. Estejamos ou não conscientes disso.
Não há como fugir da realidade. Nós fomos de encontro com o agressor, porque alguma coisa em nós precisava daquela experiência.
Ninguém se torna violento do dia para noite, uma pessoa é violenta, e esconde isso quando lhe convém, e deixa de esconder quando deixa de lhe convir. Essa é a realidade.
Meu ex-marido era um homem maravilhoso, até eu engravidar da minha filha, na minha gravidez, fui espancada mais três vezes. Por quê? Porque ele viu que estava seguro, que já tinha-me “pegado”.
Mas tenho que admitir se quiser ser honesta, que ele só era maravilhoso comigo, que ele era violento com seus familiares, com os empregados, no transito, que sua ex-mulher, dizia ter sido espancada por eles varias vezes, que suas filhas também diziam que ele espancava a mãe delas, que eu ouvia dizer que ele havia batido na mãe dele, e que por isso ela faleceu uma semana depois da surra. Então vamos ser realistas: O que me fez pensar que eu era tão especialíssima assim, que ia viver com um monstro desses e ia sair impunemente? “O medo, o meu ego que me dizia que se não fosse ele, eu não teria ninguém para me amar.”
Aceitar essa realidade é muito difícil, porque isso nos faz passar de vitimas, a donas da situação. Mas infelizmente não existe outro caminho para cura.
Falo isso, porque creio ser uma das pessoas que mais procurou que tentou achar uma solução, sem ter que enfrentar a realidade. Mas felizmente eu descobri que teria que enfrentar a verdade.
A verdade, não nos condena, ela nos faz ser responsáveis por nossas vidas, pelo nosso corpo, por nossa cabeça, e por nossa alma. A verdade de que somos responsáveis não nos faz culpadas, e não diminui em nada a culpa do agressor. Ela nos liberta da mentira de que não podemos ser responsáveis por nossas vidas, e nos faz donas de nossa alma.
Sei que chegar nesse ponto não é fácil. Mesmo porque todos que estão nessa situação, encontram-se tão avariadas, tão machucadas, com tanto medo, que beira ao terror... Que não é de forma alguma fácil.
E o que piora muito a situação é que em um estado desse você fica sem ação, e não consegue acreditar em ninguém.
O medo é um sentimento paralisante. Ele não te deixa agir, ele não te deixa raciocinar, nem enxergar a realidade. Aprendemos a ver o mundo sob a ótica do nosso medo, o nosso problema passa a ser o maior problema do mundo. Nada mais tem importância, vivemos em torno do agressor, e pensamos o dia todo em como vamos fazer. Na verdade essa passa a ser a nossa vida, o agressor. Deixamos de ter vida própria, e passamos a viver em função do agressor, é ai que somos “fisgadas”.
E assim é com a maioria dos casos de agressão, o agressor só age quando sente que está em segurança.
Aprendemos muito cedo, a sermos frágeis, vitimam coitadinhas, a nos sacrificarmos. E é ai que mora o perigo... Porque quanto mais vitimas, quanto mais coitadinhas, melhor para o agressor. Alias ele conta exatamente com isso, com o nosso medo, com a nossa bondade, com a nossa capacidade de perdoar.
Um dia ouvi em um seminário na Unipaz, facilitado pela Lydia Rebouças, que: “Paz não é ausência de guerra, paz é inteireza” Que grande verdade, e como eu ia precisar dessa verdade logo em seguida...
Ser bom não é ser capacho, perdoar, não é deixar de denunciar que você está sendo vitima de um psicopata.
Isso é totalmente o contrario de bondade, de amor, de paz... Isso é falta de auto-estima, e se você não se ama não se respeita, e não se aceita você vai mesmo aceitar ser agredida, humilhada, roubada, explorada, e tudo mais que uma mente doentia pode fazer com outro ser humano.


publicado por araretamaumamulher às 12:41 | link do post | comentar | favorito

Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009
Hoje decidi postar alguns comentarios que estão no site Patricia Galvão, e também uma entrevista com Maria da Penha muito esclarecedora.
Amanha comentaremos sobre isso. Hoje leiam e pensem.

“É um engano achar que só marido pobre bate no filho e na mulher“Em uma das oficinas com autores de violência, um participante falou: ‘olha, eu pratico violência, eu não quero praticar, só que não sei o que fazer com isso’. Um segundo acrescentou: ‘sou compulsivo em termos de violência contra a mulher, preciso de ajuda’. Outros homens demoram para reconhecer a agressão doméstica como violência, acham que violência é outra coisa, por exemplo, dar tiro na rua.”
Fernando Acosta, psicólogo

“Queremos que as mulheres se fortaleçam, saiam da posição de vitimização. E que os homens expressem suas fragilidades. Em geral, os homens não falam de seus sentimentos. Muitos consideram essa fala como sinal de falta de masculinidade. Trabalhamos com os homens, estimulando que eles reflitam acerca de suas fraquezas e seus impulsos. Queremos que eles se conscientizem de que há outras formas de resolução de conflito. Tentamos mostrar que a violência doméstica também é ruim para eles.”
“A violência doméstica contra a mulher prejudica toda a família. Sofrem os filhos, as filhas, os parentes próximos e até mesmo o autor da violência.”
Malvina Muszkat, psicóloga do Pró-Mulher, Família e Cidadania

“As pessoas precisam rever muitos valores. Por exemplo, há quem ache que violência contra as mulheres é legítima em certas situações. Isso precisa ser discutido. Toda violência é, por princípio, ilegítima.”
Simone Diniz, médica e coordenadora do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde

“A violência doméstica está associada com patologias reais. As mulheres em situação de violência tendem a apresentar problemas de saúde de diversos tipos, problemas mentais, depressão e até propensão ao suicídio. Elas também fazem menos papanicolaou, fazem menos sexo seguro.”
“Nossa aposta é que o serviço de saúde tenha mais consciência da violência doméstica e ajude a encaminhar as mulheres para outros serviços da rede de atenção. O serviço de saúde também pode ser um espaço de escuta e de acolhimento. Inclusive, essa escuta é boa para o próprio serviço, pois se a violência doméstica não se resolve vira um círculo vicioso: a mulher vai e volta.”
Ana Flávia P.L. d’Oliveira, pesquisadora do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP

“Nas oficinas com os homens, percebemos que a ‘identidade masculina’ vê a violência como algo quase natural, quase como sinônimo da masculinidade. Homem que é homem, manda. O objetivo do nosso trabalho é desnaturalizar essa violência que vai desde obrigar a companheira a servir a comida até ter relações sexuais forçadas.”
“Estamos percebendo que ser homem também não é muito fácil, porque nos pautamos por um modelo preestabelecido. Desfazer esse modelo é, ao mesmo tempo, abrir mão de certos privilégios. Só que esses privilégios não são tão privilégios assim. Ter o poder acaba nos vitimizando também.”
“Ao trabalhar com autores de violência, a gente compreende que eles não são agressores vinte e quatro horas por dia. Eles podem e devem passar por um processo de responsabilização do seu ato. Eles podem mudar de comportamento.”
“As oficinas com homens dão resultados: um participante contou que no final da refeição, se levantou e foi lavar os pratos junto com a companheira. Antes, ele acabava de comer e ia ver televisão.”
Sérgio Barbosa, Pró-Mulher, Família e Cidadania

“Começamos a refletir sobre os ‘custos da masculinidade’. Ser homem tem as suas benesses, é claro. A gente vive em um mundo ainda dominado pelo patriarcado, mas esse mundo também tem os seus custos. As estatísticas mostram que os homens, até vinte e nove anos, morrem mais por questões de violência.”
“A violência não é natural. É um comportamento aprendido. Quando um menino apanha na escola de outro menino, ele recebe mensagens dentro da sua casa: ‘amanhã, você vai lá e morde ou bate nele também’. Com isso, acabamos criando uma cultura da violência. A violência fica tão banalizada, que determinadas atitudes violentas passam como não sendo.”
“Acredito que a violência doméstica possa ser prevenida. Tanto que os nossos esforços estão no trabalho com os homens jovens. Porque é nessa faixa etária que eles estão formando suas primeiras relações afetivas, tendo as suas primeiras relações sexuais. É um momento propício para a reflexão e a construção de o que é ser homem”.
Marcos Nascimento, coordenador de projeto do Instituto Promundo

“Para prevenir as DSTs, a gente tem um instrumento: a camisinha. Para prevenir a violência, a gente faz o que? Não dá para pôr todo mundo na cadeia. Então temos que encontrar novas saídas. Uma delas é mostrar a violência doméstica na mídia. Isso irá estimular que as pessoas pensem. Homens e mulheres precisam encontrar caminhos para a resolução de conflito.”
“Trabalhamos com os homens na perspectiva de compreender como é que se constitui a masculinidade dominante. O objetivo é tentar pensar outros modelos, outras possibilidades de comportamento, que não o violento”.
Sandra Unbehaum, coordenadora de projeto da Ecos - Comunicação em Sexualidade

“Esta é uma grande vitória para todas as brasileiras e brasileiros que sofrem com as agressões físicas, morais e psíquicas dentro do convívio familiar. Espero que agora, os agressores pensem duas vezes antes de levantar a mão para uma mulher e assim, buscar alternativas para que o convívio doméstico seja harmônico.”
Iara Bernardi, deputada federal, após a sanção da Lei 10.886/04, que tipifica a violência doméstica no Código Penal Brasileiro, um projeto de sua autoria.

“O racismo e o sexismo são gêmeos univitelinos.”
Heleieth Saffioti, socióloga, em IstoÉ, ed. 1812, reportagem de capa, seção Brasil, 30/06/04.

“As pessoas envolvidas na relação violenta devem ter o desejo de mudar. É por esta razão que não se acredita numa mudança radical de uma relação violenta , quando se trabalha exclusivamente com a vítima. Sofrendo esta algumas mudanças, enquanto a outra parte permanece o que sempre foi, mantendo seus habitus, a relação pode inclusive, tornar-se ainda mais violenta. Todos percebem que a vítima precisa de ajuda, mas poucos vêem esta necessidade no agressor. As duas partes precisam de auxílio para promover uma verdadeira transformação da relação violenta.”
Heleieth Saffiotti, socióloga, em seu livro Gênero, patriarcado, violência.


“Só quando fica insuportável é que a mulher quebra a barreira do silêncio.”
Marta Rocha, delegada e presidente do Conselho da Mulher no Rio, em IstoÉ, ed. 1812, reportagem de capa, seção Brasil, 30/06/04.

“A tese é de um grau de ridículo que, se não fosse trágico, seria cômico. É uma covardia individual apoiada em uma covardia social.”
“A honra, nesse raciocínio, é só do homem. É como se depois do casamento a mulher fosse um prolongamento desse sujeito. Ele deposita nela um bem que é dele.”
Wânia Pasinato, socióloga da USP, em Época, 09/02/04.

“A lei é muito clara: para caracterizar violenta emoção, é preciso que o sujeito aja logo na seqüência de uma injusta provocação da vítima. Ou seja, no ato. E a realidade mostra que os crimes passionais são premeditados com bastante antecedência.”
“Os assassinos passionais premeditam o crime, são muito violentos e em 100% dos casos confessam à sociedade o que fizeram. Eles precisam mostrar que lavaram a honra.”
Luiza Nagib Eluf, procuradora de Justiça do Ministério Público de São Paulo e autora do livro A Paixão no Banco dos Réus.

“Para alguns (homens), a prática de atos cruéis é a única forma de se impor como homem.”
Alba Zaluar, antropóloga do Núcleo de Pesquisa das Violências na Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

“Chegam para a vítima e dizem para ela que é uma ação penal condicionada à representação. Você acha que ela, depois de ter sido violentada, tem condições de tomar uma decisão?”
Maria Amélia de Almeida Teles, da União de Mulheres de São Paulo.

“É o descrédito em relação a uma solução possível.”
Maria das Graças Pereira de Mello, presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), sobre o fato de a vítima desistir de denunciar seu agressor ao perceber a morosidade da Justiça e da polícia.

“Precisamos erradicar todas as formas de violência contra a mulher, que hoje ainda sofre com a violência silenciosa, praticada na esfera doméstica.”
Luiz Flávio Borges D’Urso, presidente da OAB-SP.

“Além de aceitar como naturais algumas práticas de violência sexual, a sociedade tem medo de envolvimento no crime e não sabe que a denúncia pode ser anônima.”
Karina Figueiredo, vice-coordenadora do Cecria (Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes).

“A mídia tem um papel fundamental para a sensibilização da sociedade em relação a esse assunto (violência sexual contra crianças), que sempre foi tabu. Os meios de comunicação podem mostrar como o problema se apresenta e conscientizar sobre a responsabilização do agressor. A partir daí, a sociedade passará a denunciar ainda mais e cobrar a apuração dos casos.”
Carlos Basilia, coordenador de projetos do Instituto Brasileiro de Inovações em Saúde Social (Ibiss), integrante da Secretaria Executiva do Fórum Permanente de Enfrentamento da Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes do Estado do Rio de Janeiro.

"A violência é tão corriqueira que muitos homens não a identificam. É uma geração que foi criada para não levar desaforo para casa."
Fernando Acosta, psicólogo.

"A violência não é natural. É um comportamento aprendido."
Marcos Nascimento, coordenador de projeto do Instituto Promundo.




Entrevista com Maria da Penha




Inspiradora da lei, Maria da Penha ainda combate violência contra a mulher

Instituições devem informar mulheres sobre seus direitos, diz Maria da Penha

Instituições devem informar mulheres sobre seus direitos, diz Maria da Penha
Na madrugada de 29 de maio de 1983, a cearense Maria da Penha Maia Fernandes dormia tranquilamente em sua cama. Era um domingo e a farmacêutica de 38 anos sabia que o dia seguinte seria longo. Mas o descanso da dona de casa, então mãe de três filhas, foi subitamente interrompido por um susto e um gosto de chumbo na boca. Ela ainda não sabia, mas acabara de levar um tiro de espingarda do próprio marido.
Alegando que a casa havia sido assaltada, Marco Antônio Heredia tentou enganar a mulher e os vizinhos. Não conseguiu. Sua condenação, no entanto, ainda consumiria 20 anos de luta. Antes disso, ele tentaria matá-la novamente. De volta para casa, depois de quatro meses no hospital, Maria da Penha havia ficado paraplégica e, mesmo assim, Heredia tentou eletrocutá-la durante um banho.
Ícone na luta pelos direitos das mulheres, Maria da Penha conseguiu com a sua história fazer Justiça para si e conquistar mais proteção para todas as companheiras. Vinte e três anos após a primeira tentativa de homicídio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 11.340/06, de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher: a Lei Maria da Penha, que completou três anos na última sexta-feira (7/8).
Conheça um pouco mais sobre a vida da ativista que até hoje luta pelo cumprimento do direito das mulheres, atuando como colaboradora de honra na Coordenadoria da Mulher da Prefeitura de Fortaleza.

Última Instância – Como a senhora decidiu que deveria lutar pelos direitos das mulheres vítimas de agressão doméstica?

Maria da Penha –A minha luta começou a partir do momento que eu fui agredida mortalmente, em 1986. Eu comecei a buscar Justiça e então a decepção com o poder judiciário fez com que eu permanecesse vinte anos em prol da condenação do meu agressor. Eu me senti vítima pela lentidão com que tudo aconteceu na Justiça. Mas as coisas mudaram depois que conseguimos denunciar o Brasil no Comitê Interamericano de Direitos Humanos por negligência no tratamento da violência doméstica no país.

Última Instância – Por que o julgamento demorou tanto?

Maria da Penha – A Justiça se usou de artifícios protelatórios para que o crime chegasse à prescrição e sobre isso o país vai ter que responder também internacionalmente.

Última Instância – Como foi o processo da denúncia no Comitê Interamericano?

Maria da Penha – Bem, na minha luta por Justiça tive a sorte de encontrar em determinado momento um representante do CeJil (Centro pela Justiça e pelo Direito Internacional), que analisou o meu processo e então nós decidimos juntos denunciar o Brasil.

Última Instância – Sobre a sua história, como aconteceu a primeira agressão por parte de seu marido?

Maria da Penha – As agressões do meu marido eram agressões psicológicas. As agressões físicas, elas existiam mais em relação aos meus filhos, como uma maneira de me atingir diretamente. E só não acontecia uma agressão muito diretamente a minha pessoa, porque eu conseguia driblar esses momentos. Mas a minha vida era um tormento, como é a vida de muitas mulheres do país que ainda convivem com seus agressores.

Última Instância - Houve algum indício de violência antes do casamento?

Maria da Penha – Não, nenhum. Nenhum indício. Eu me casei porque ele era uma pessoa querida demais pelos amigos, pelos meus amigos também. Era uma pessoa assim de bons tratos. Se mostrava educado, muito compreensivo. Uma pessoa companheira.

Última Instância – Depois de quanto tempo ele começou a mostrar um comportamento diferente?

Maria da Penha – Esse indício [de agressividade] só começou a se apresentar depois de quatro ou cinco anos de casada. Depois do nascimento da minha segunda filha, quando ele obteve a naturalização, porque ele era estudante de origem colombiana. Aliás, o casamento foi importantíssimo para que ele se naturalizasse brasileiro. A partir daí que ele mostrou a sua verdadeira face.

Última Instância – Houve uma tentativa de homicídio. Como a situação chegou a esse ponto?

Maria da Penha – Eu estava dormindo e acordei com um tiro que foi dado nas minhas costas e que quase me levou a morte. Eu não sabia... eu pensei que tivesse sido ele, mas essa idéia foi desfeita quando eu soube que a versão dada para esse tiro que recebi tinha sido uma tentativa de assalto. Essa versão foi dada pelo meu agressor. Somente cinco meses depois disso, quando eu voltei pra casa do hospital, foi aí que eu tomei conhecimento, através de outras pessoas que já estavam sabendo, que ele havia simulado o assalto para que parecesse crime premeditado.

Última Instância – Depois houve uma segunda tentativa.

Maria da Penha – Sim. Quando eu voltei do hospital, depois de passar quatro ou cinco meses hospitalizada, ele foi me apanhar (sic) e me levou para casa, dizendo que a partir daquele momento não queria que nenhum familiar ou amigo interferisse na nossa vida. Então, nesse período eu fiquei em cárcere privado, durante quinze dias, que foi quando ocorreu a segunda tentativa de homicídio. Quando ele propositadamente danificou o chuveiro elétrico e eu percebi ao entrar no banheiro que estava dando choque. Eu gritei pela moça que morava comigo, e ela me acudiu e me tirou do banho.

Última Instância – A senhora perguntava o porquê da violência gratuita? O que ele dizia?

Maria da Penha – Para ele, não precisava argumento, era simplesmente querer. Se ele acordava de mau-humor já começava agredindo. Se ele chegava de mau-humor, já chegava agredindo. Muitas vezes eu pedi para me separar, ele nunca aceitou.

Última Instância - E por que a senhora nunca chegou a denunciá-lo?

Maria da Penha – Denunciar onde?

Última Instância – Depois de 19 anos, seu ex-marido finalmente foi condenado a 10 anos de reclusão, mas só ficou preso por dois anos. Foi uma condenação justa?

Maria da Penha – Esse fato não compete a mim falar. O que eu gostaria de dizer é que independente de ele ter cumprido dois anos, só dois anos, e estar hoje em liberdade, o importante é que a lei trouxe a intenção de proteger a mulher a partir desse caso.

Última Instância – Depois da lei, por que muitas mulheres continuam não denunciando?

Maria da Penha – Hoje, com a lei, você vê que muitas mulheres estão denunciando sim, mas onde a lei funciona. Por que de que adianta você não ter uma delegacia da mulher, não ter um centro que lhe apóie ou um movimento de mulher? Alguma coisa, uma promotoria que entenda sobre a lei e que acolha essa mulher? Qual é a mulher que vai denunciar se não tem os equipamentos da lei para protegê-la?

Última Instância – Muitas delas ainda têm muito medo. Para incentivá-las a denunciar, o que deveria ser feito?

Maria da Penha – Claro, o papel da sociedade, o papel dos movimentos sociais, o papel das instituições que acreditam na lei, que estão aplicando a lei, têm esse papel de informar as mulheres que elas agora têm direto. Direito de viver sem violência. E são eles que devem mostrar o caminho que elas possam adquirir isso. O papel da imprensa é muito importante. É preciso que as escolas, as empresas onde elas trabalham, as casas onde elas trabalham, as pessoas em geral que têm conhecimento sobre a lei, que repassem as informações para elas.

Última Instância – Em alguns casos, a mulher denuncia e não obtém resposta por parte da Justiça. Como esse processo entre a vítima, o agressor e as autoridades poderia ser melhorado?

Maria da Penha – Pois é. É exatamente esse movimento de mulheres da sua cidade, de estar denunciando, colocando isso na imprensa. Dizendo que aquele município não tem a estrutura para atender a mulher vítima de violência e que precisa de atenção. Ela tem que ligar pro 180, que é um telefone gratuito da Secretaria de Políticas Especiais para as Mulheres, e colocar essa informação, denunciar essa informação.

Última Instância - Qual é o momento em que a mulher se dá conta que a situação chegou no limite?

Maria da Penha – Quando ela decide ir a uma delegacia. É a gota d’água.

Última Instância - E quando foi a gota d’água na sua história?

Maria da Penha – Não existia nada na época em que eu fui agredida, então eu não percebi esse momento. Eu sabia que eu tinha que sair da relação, procurei pelos meios que existiam, de conversar e levar a um advogado, mas eu não consegui nada porque ele sempre recusou a separação.
Que a luz esteja com você
Ararêtama uma Mulher.


publicado por araretamaumamulher às 12:52 | link do post | comentar | favorito

Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009
Na verdade, a primeira fase da cura faz com que antigas feridas sejam sentidas novamente como se fossem recentes. Só se você conseguir, ou melhor, se permitir passar por essa primeira fase, começará a se sentir segura para olhar para os seus verdadeiros medos, que antes eram intensos demais para serem confrontados.
É preciso coragem para ver que o medo e a duvida que venha a tona, estão surgindo para serem examinadas e liberadas, e não vividas cegamente.
Houve uma época na minha vida em que eu me sentia muito confusa, sem entender o porquê não conseguia manter um relacionamento duradouro e significativo. Eu achava que nunca ia me ligar de forma satisfatória a um homem, e que meus amigos sempre me trairiam. Dizia a mim mesma, que a culpa não era minha, que eu havia dado o melhor de mim em todas as situações.
Finalmente cheguei a triste conclusão de que havia algo de errado comigo. Confusa como andava, avariada como acreditava está, eu entrava e saia de relacionamentos e de amizades aos trancos e barrancos. A confusão por fim contaminou a minha vida financeira.
Confesso que não me dispunha a dizer aos homens da minha vida, o que queria, por medo de que me deixassem que não dissesse aos meus amigos que eles estavam ultrapassando limites por medo de se zangarem comigo. Confesso que não estava gerenciando minhas finanças com atenção, e cuidado por achar que não tinha dinheiro suficiente para tudo o que queria fazer. Confesso que me achava feia, gorda, pouco inteligente, pouco digna, sem valor e um desapontamento para a minha família e para Deus.
Eu não confessava isso nem para mim mesma, sobre mim mesma e por isso não dava os passos necessários para corrigi-los.
Quando você mente para si sobre as suas próprias necessidades, acabará mentindo para os outros sobre essas mesmas coisas.
Mentir para si, ou para os outros sobre nossas necessidades e desejos, sobre o que se gosta ou se deixa de gostar, é igual a ter um fungo bactericida. Ele vai se espalhando rapidamente por todas as áreas da nossa vida e poluindo toso o nosso ser. Quando você se polui com o fungo da desonra e do desrespeito, fica difícil falar em sua própria defesa. O fungo cola a sua boca e anuvia a mente, fazendo sempre com que você duvide de si mesmo, enquanto esta sentindo. Ele proíbe você de encontrar a reação mais apropriada quando sua sensibilidade é ferida. Mas com qualquer bactéria, um fungo que não é tratado se transformara numa infecção. A infecção se espalha quando você não se honra nem se respeita mais. A infecção se transforma em raiva. A raiva jorra de dentro de você quando as pessoas dizem ou faz coisas que você passou tempo demais sem questionar. O fungo de não honrar o que você sente, de não dizer o que você quer, de não dizer o que precisa dizer, jorrará de dentro de você com fúria e poluirá os seus relacionamentos. Relacionamentos familiares, relacionamentos profissionais, relacionamentos pessoais, relacionamentos íntimos. Nenhum deles está imune ao fungo que vai crescendo lá dentro quando você não se honra e não se respeita a cada passo do trajeto que é a sua vida com outras pessoas.
Que a paz e a alegria esteja com você
Uma Mulher..........
Até amanhã


publicado por araretamaumamulher às 11:35 | link do post | comentar | favorito

Terça-feira, 8 de Setembro de 2009
Eu me rejeitava previamente. Achando-me imperfeita, ficava presa na negatividade, e acreditava que outras pessoas se sentiam da mesma forma em relação a mim.
Mas na maioria das vezes isso não é verdade. Quanto mais as pessoas me aceitavam, mais eu sentia necessidade de ser vigilante. Mantinha-me atenta a menor razão para que alguém me rejeitasse. Hoje sei que não funciona assim, sei que o amor que recebo se limita apenas a minha capacidade de recebê-lo. Mas é muito fácil nos fecharmos para o amor, ou em outras palavras darmos as costas para o Espírito.
Nossa negatividade interior diz “não” quando o amor nos é oferecido.
O ego com todos os seus medos e interesses, bloqueia a nossa habilidade de perceber a sorção de amor que nos está sendo oferecida.
Quando nos apaixonamos, nos apaixonamos por um espelho de nossas necessidades atuais. O intenso desejo que sentimos por outra pessoa não é inato dela, o desejo nasce daquele que deseja.
No meu caso minha auto-imagem era de uma garota indefesa e mal-amada, qualquer demonstração de poder gerava um incrível anseio dentro de mim.
O que a maioria de nós leva para o relacionamento não é a plenitude, mas a carência. Quando a carência domina o amor, a frágil teia é rompida.
A carência implica uma ausência dentro de si, uma peça que está faltando e que outra pessoa deve fornecer.
A carência é uma força poderosa no modo de existência mais familiar que conhece que é a busca da auto-imagem. É ai que surge os primeiros indícios da incompatibilidade.
É injusto culpar uma única pessoa pela falta de confiança dada a nossa vivência social.
Todos nós fomos condicionados a obedecer às necessidades do ego cegamente, vivemos numa sociedade que desconfia do contato intimo. A traição de nosso espaço é extremamente perturbadora, mesmo quando não ocorre violência alguma.
Duas pessoas envolvidas num processo de pensão ou numa amarga disputa de custodia, estão essencialmente tirando vantagem do conhecimento intimo que adquiriram no casamento, transformando assim confiança em agressão.

Não é de se espantar que permitir que outra pessoa atravesse nossas bem guardadas defesas, cause um profundo conflito, pois a pessoa que poderia nos livrar de uma ameaça, também pode ser nosso inimigo, dentro de nossas próprias muralhas.
Estar amando não vai abolir o crime, a guerra, a falta de moradia, as lutas raciais, e as incontáveis outras ameaças a nossa volta.
O efeito mais destrutivo de sentir-se ameaçado é cortar o fluxo do amor.
Se você não aprendeu sobre o amor, desde a infância e muito difícil ficar junto de outra pessoa sem se defender.
A pior impressão que se pode ter da infância é a de que seus modelos para o amor também foram modelos de traição.
Isso acontece em casos de abusos físicos, sexual, e ou emocional. Com qualquer tipo de abuso no seu passado, você vai considerar secretamente todo (a) amante como um inimigo (a) em potencial. A caricia mais gentil, contem a possibilidade de ataque, a ternura mais suave reverbera com o potencial da degradação.
Ironicamente, são exatamente essas pessoas que mais ambicionam o amor. Mas sendo inseguras, sentindo uma necessidade de defesa, alem do razoável, elas também se afastam rapidamente do compromisso. Elas não estão certas, lá no fundo, de que podem amar, apesar de seu anseio.
Conseguir o verdadeiro amor é um processo de crescimento, e o primeiro requisito é tornar-se consciente e quanto você não está sendo sincero.
Alias eu gostaria de fazer aqui um parêntese para explicar uma coisa que creio e de suma importância para todos: Não existe nenhuma forma de sairmos de qualquer situação de risco, a não ser que estejamos realmente dispostos a sermos sinceros, a dizer a verdade para nós mesmo. Com costumo dizer: olhar o burraco bem de perto e ver o verdadeiro tamanho, e profundidade que é.
Creio está ai, o erro da maioria dos livros de auto-ajuda. Eles esquecem de dizer que só vamos ter aquilo que verdadeiramente acharmos que merecemos aquilo que o nosso inconsciente acha que temos direito. É isso que temos da vida.
Bom amanha tem mais
Fiquem na luz e na paz.
Ararêtama uma mulher.


publicado por araretamaumamulher às 12:44 | link do post | comentar | favorito

Segunda-feira, 7 de Setembro de 2009
Buscava remover o meu sofrimento do passado e não conseguia ver o presente, em minha preocupação com o passado, não via o meu total comprometimento com o passado. E assim deixei de me relacionar com o presente.
Sombras do passado envolviam todos os meus relacionamentos. Quem poderia me dar o que eu pensava que o passado havia me privado? Tive que tomar consciência de que o passado não era nada. Parei de buscar a culpa da minha privação nele. Porque entendi que ele se foi. Entendi que estava mantendo uma ilusão, de que o meu passado ainda estava aqui. Fazia isso porque pensava que ele ainda me servia para algum propósito que eu queria ver cumprido no presente, e assim não conseguia perceber que esse propósito também já tinha ido, estava no passado.
Aprendi a não subestimar a intensidade da minha compulsão em me vingar do passado. É uma compulsão completamente selvagem e insana. Porque eu me lembro de tudo que fiz, e o que foi me feito, e buscava o pagamento que me era devido.
Essas fantasias eu levava aos meus relacionamentos e assim encenava o ódio.
Cenas imaginadas, dores relembradas, desapontamentos passados, injustiças percebidas, tudo isso entrava comigo nos meus relacionamentos. Era assim que eu buscava restaurar a minha auto-estima ferida.
Minha maior fantasia era o sonho de vingança.
Existe um poema da xamã norte americana Jamie Sams, que sempre me tocou muito, por falar exatamente sobre isso:
CAMINHOS DE CURA
Ensine-me a reunir
Os fragmentos de minha alma
Resgatando meu potencial perdido
Em busca da unidade

Permita-me encontrar o perdão
E abraçar uma nova forma de ser,
Abrindo mão da dor e da raiva
Contra todos que me feriram

Permita-me curar o meu corpo humano
O veiculo sagrado da alma
Curando todas as desarmonias
Encontradas na tigela da Cura

Permita-me a coragem necessária
Para enfrentar os inimigos interiores
Curando minhas fraquezas
E honrando o guerreiro que ali está.

Permita-me honrar a promessa sagrada de ser leal
A minha busca de totalidade
Sem nunca abandonar minhas curas
Nem o coração que bate em meu peito.
Jamie Sams.

Minha falta de auto-estima sempre esteve relacionada com recordações sombrias do passado.
Minha infância foi marcada por experiências que me diziam que eu não era bastante boa, todos nós temos lembranças dolorosas similares.
Na adolescência transferi essas lembranças para minha aparência e atração sexual. Não conseguia me aceitar porque qualquer comparação me colocava na sombra.
Precisei criar muita coragem para abrir o alçapão sob o qual minhas magoas secretas e meus medos sombrios espreitavam. Confrontar a vergonha e a culpa.
Apesar da limpeza que ainda faço sempre e sempre, fica uma pergunta: É possível nos livrarmos de todos os demônios e duvidas de toda nossa memória dolorosa e energia negativa?
Tenho ido em frente, mas sei que poucos de nós tentaram essa imensa empreitada.
Amanhã tem mais
Fique na luz e no amor.
Ararêtama uma


publicado por araretamaumamulher às 12:08 | link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Sexta-feira, 4 de Setembro de 2009
Vivi esse padrão grande parte da minha vida. Tive uma infância marcada por agressões, abusos e humilhações, onde aprendi a esconder o meu medo, a minha culpa, na comida, no cigarro, nos pequenos roubos e mentiras. Em minha adolescência, o cenário foi mudado, mas o filme continuou o mesmo.
Aos dezessete anos engravidei, de quem na época pensava ser a minha tabua de salvação. “Mas minha tabua de salvação, não estava disposto a me salvar de nada, “apesar de me amar muito”..., então fiquei sozinha, grávida, tendo que enfrentar todo o tipo de preconceito e humilhação que existe em uma família tradicional e em uma cidade de interior.

Confusa, sem nenhuma orientação, sem apoio, carinho ou atenção de alguém, eu vi meu filho nascer, tentei ainda por três anos cria-lo. Mas de tanto ouvir o mal que eu lhe causava, o tanto que eu prejudicava a sua educação, eu desiste .
Quando minha irmã se casou, ela o levou e o criou, nunca tive mais nenhum contato mais próximo com ele, até hoje temos um relacionamento muito superficial.

Aprendi antes dos meus cinco anos que eu era porca, relaxada, mentirosa e culpada de tudo que estivesse errado ao meu redor. Carreguei essa programação por mais de quarenta anos dentro de mim. Todas as experiências que vivi durante esse período foram para, de alguma forma confirmar que eu realmente era tudo o que minha mãe e meu pai diziam.

Jamais senti ser digna, merecedora, de qualquer coisa boa, não era digna da alegria, da felicidade, de ter dinheiro, de ter um companheiro que me amasse e me respeitasse. Não era digna de ter um relacionamento saudável, transparente. Meu medo me levou até um psicopata.

Sentia-me como alguém que ninguém queria por perto. Isso me fez viver num circulo vicioso onde eu era agredida, e agredia, não fisicamente, mas nem por isso menos dolorido. Porque como não podia atingir quem eu queria eu atingia meus filhos. Pobres crianças... Eu não sabia o que estava fazendo, mas hoje tenho consciência que fiz. Eu sou responsável por isso na vida deles. Sei que fiz o que pude, naquele momento, mas sei que o que pude foi muito pouco.

Meu jogo predileto era o da coitadinha, pobrezinha que não conseguia parar de sofrer. “Há como eu sofria.” Era uma vitima, é não é fácil sair do papel de vitima, porque esse talvez seja um dos papeis mais confortáveis padrão de comportamento que existe.

Ninguém me entendia.

As pessoas baseiam suas vidas no amor, contudo ensinam a si mesmas a separar esse padrão de comportamento do amor. Mas o amor não vem do ato de aplacar ameaças em potencial. Ser bonzinho o tempo todo não faz com que os outros amem você, quando isso é dito preto no branco, a maioria de nós concorda, com essas afirmações. No entanto agimos como crianças impotentes. Aprender a crescer para além desse padrão não é fácil, mas é um traço comum de pessoas que vivem suas próprias historias.

Eu não tinha a menor idéia de que era uma pessoa desajustada. Eu não era má pessoa, e não me dava conta de que tinha motivos tortuosos para fazer as coisas que fazia, para agir ou reagir da forma que eu agia, ou reagia. Questões mal resolvidas, feridas não cicatrizadas e um considerável complexo de inferioridade me levaram a chegar ao fundo do poço.

Eu achava que estava ótima. Eu atraia a atenção dos outros para a minha vida criando dramas e crises, e depois ficava com raiva das pessoas não me socorrerem. Eu queria ser amada, queria reconhecimento, queria ouvir que eu era necessária. Na realidade eu queria que as pessoas me fizessem sentir bem com relação a mim mesma, que os outros reconhecem em mim o que eu não conseguia ver, mas queria muito ter. Quando elas não preenchiam minhas expectativas eu me sentia mais desvalorizada.

Não sabia que era eu que estabelecia o valor que recebi que determinava o meu preço, pelo que eu dava a elas. “Dando você recebe”

O reconhecimento de ter é a disponibilidade para dar, e só através dessa disponibilidade é que pode reconhecer o que tem.

Não se esqueça de que quando você pensa que esta se atacando, está ai o sinal seguro de que você odeia o que você pensa que é. Todas as s minhas escolhas eram feitas com base em algo de “mau” que eu fiz no passado, ao que eu me prendia. Na verdade era tanto mal que eu nem sabia em qual deles estava me baseando.

Fiquem em paz e na luz.

Ararêtama uma mulher

Maria de Fátima Jacinto


publicado por araretamaumamulher às 15:59 | link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009
Houve momentos em que eu sabia exatamente o que fazer, para solucionar um conflito ou para acabar com uma situação insuportável. Eu tinha clareza sobre o que devia fazer, mas não tinha disposição para fazer. Com grande freqüência, eu tinha medo dos resultados. Creio que essa é uma reação típica de quem sofre violência no lar, estamos sempre tão machucadas que temos medo de magoar o outro. Eu não queria me zangar ou desagradar os outros. Não me dispunha a dar o primeiro passo, sobretudo se não soubesse direito onde estava pisando ou se tivesse medo da reação do meu ex-marido. E verdade seja dita eu sempre tinha medo, muito medo dele. Para ser bem sincera eu tinha era pavor dele. Eu não queria correr o risco de estar errada. Eu não estava disposta ou preparada para me defender se me desafiassem. É isso mesmo, eu sabia o que precisava fazer, mas resistia. A resistência em fazer aquilo que deve ser feito vem do medo.


O medo é a ferramenta do ego. Espertamente disfarçado de resistência e, ele apóia a omissão e a fuga. Nós não nos dispomos a errar, a parecermos incapazes, a sermos desafiados ou derrotados. Ironicamente, quando estamos sofrendo tudo isso, nos apegamos mais na mascara de que somos superiores.

Ter coragem de dizer o que pensa e de dizer a verdade através da ótica do amor e não do rancor, da raiva ou do medo, abrir-se para aceitar o ponto de vista dos outros sem sentimentos de ameaça ou de derrota, abrir mão da necessidade de ter tudo sempre sob controle, dispondo-se a fazer o que for preciso para estabelecer a paz, são formas de crescimento. Você cresce em agilidade mental, em força espiritual, e em vigor divino.

Mas acreditamos que podemos descartar a nossa culpa sempre que quisermos e dessa forma podemos adquirir a paz, e assim o pagamento não parece ser feito por nós. Não estamos dispostos a reconhecer quão traiçoeiro é essa forma de pensamento, porque nele está a formula básica de todos os nossos pesadelos: Que o amor exige sacrifícios e é, portanto inseparável do ataque e do medo, e a culpa é o preço do amor que tem que ser pago pelo medo.

E assim Deus veio a ser amedrontador para nós.

Porque a exigência do sacrifício é tão selvagem e tão amedrontadora que você não aceita onde ela realmente está, que é dentro de você.

Você acredita que o sacrifício é o amor, mas o sacrifício traz a culpa.

O poder da santidade e a fraqueza do ataque estão ambos sendo trazidos a sua consciência, e isso estão sendo realizadas por uma mente firmemente convencida de que a santidade é fraqueza e o ataque é poder.

Todos nós começamos como crianças que eram mais fracas e menos poderosas do que os adultos era simplesmente natural para nós tentar agir de modo a não sermos feridos.

Ser ferido geralmente é uma questão de poder, os impotentes não estão em posição para ofender ou antagonizar com os mais poderosos. Essa realidade foi demonstrada para nós no jardim de infância, há muito tempo, e o habito da contensão é tentar ser bonzinho.

Sendo bonzinhos esperamos que as pessoas também sejam boazinhas conosco aplacando alguém que nos ameaça, esperamos afastar as agressões, para não sermos feridos continuamos numa postura defensiva.

Vivi esse padrão grande parte da minha vida.

E sei que não funciona.

Amanha falamos mais.

Fique em paz e na Luz.

Ararêtama uma Mulher.


publicado por araretamaumamulher às 15:54 | link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009
Ser humano é ter defeitos e imperfeições. Todos nós cometemos erros, ás vezes magoamos as pessoas que nos são próximas, e às vezes nos comportamos muito mal. No entanto, essa simples verdade parece-nos muito difícil de aceitar.


Quando me conscientizo de que magoei meu filho por causa de um dialogo descuidado, eu me encolho por dentro, como que tentando me defender da dor que é parte inevitável da consciência de meus atos. Temos relutância ainda maior em aceitar as mensagens sobre nossos defeitos vindas de outras pessoas. Imediatamente erguemos defesas, com se estivéssemos sendo fisicamente atacados. Na verdade, a reação fisiológica de defesa lutar/fugir, adequada a situações nas quais existe uma ameaça imediata de dano corporal direto, é usada para proteger a auto-imagem idealizada, que precisa ter a aparência de certa e boa, e não de errada e má. Esquivamos-nos de encarar nossos erros e defeito porque eles são umas partes dolorosa, embora inevitável, de quem somos. Somente quando contenho o perfeccionismo é que consigo sentir a simples tristeza de ter magoado o meu filho. Respiro profundamente, afrouxo as defesas automáticas e sinto a simples dor. Somente assim consigo perdoar. Atinjo um nível mais profundo de auto-aceitação.

Quando negamos nossos defeitos, nosso egoísmo fica enredado na tentativa de parecer melhores do que somos e afastar a culpa pelas nossas dificuldades. “Não foi minha culpa” é a primeira coisa que a criança em nós grita sempre que confrontamos com nossos erros. Quando acontece alguma coisa desagradável, respondemos internamente como a criancinha que ouve a voz da mãe chamando por ela depois que um terremoto abalou a casa. Sua primeira resposta é: ”Não fui eu, mamãe”. A criança dentro de nós tem medo de reconhecer que possuir qualidades más ou imperfeitas signifique que ela é unicamente má, ou que, sendo tremendamente má, ela será julgada ou rejeitada pelos “outros” pais que, imaginamos, são responsáveis pelo nosso bem-estar.

Por medo do eu imperfeito, criamos um eu - mascara, um eu - idealizado, o eu que pensamos que deveríamos ser em vez de admitir que sejam seres humanos imperfeitos. Todos nós respondemos prontamente “vou bem” quando nos cumprimentam, por maiores que seja a nossa depressão, por causa da critica que o chefe acabou de nos fazer, ou a alegria por um recente sucesso profissional. Asseguramos prontamente a nós mesmos e aos outros que “eu estou bem, sou competente, posso dar um jeito”, por maiores que sejam a carência, ou a infelicidade verdadeira.

Seja qual for a mascara criada – o bom menino, a boa menina, a mulher ou o homem poderoso, o aluno aplicado ou o professor confiante, a criança carente ou o adulto competente, o pesquisador ingênuo ou o cético experiente – ela é uma tentativa de nos colocarmos num plano acima dos defeitos e da do, de negar nossa mediocridade e pequenez. Criamos uma mascara sempre que tentamos nos apresentar como pessoas amorosas ou poderosas, mas competentes ou carentes, mais compassivas ou céticas do que realmente somos naquele momento.

À medida que aprofundamos o compromisso de ser honestos com nós mesmos e com os outros, criamos uma base sólida para a auto-estima. Fazer um bom conceito de si mesmo passa a não depender mais de atender ás exigências irrealistas de uma mascara perfeccionista; ao contrario, seu fundamento é a coragem de encarar a realidade humana imperfeita atual. O imenso potencial humano que temos só pode ser realmente nosso depois que ousamos ser exatamente e exclusivamente quem somos em cada momento, por mais mesquinha e assustadora, grandiosa e ou sagrada que seja a realidade temporária.
Fique na paz e na luz.
Ararêtama uma Mulher.
http://araretamabiojoias.blogspot.com/


publicado por araretamaumamulher às 11:47 | link do post | comentar | favorito

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