Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010
A mulher no início da Idade Moderna era considerada uma agente de satã. Em algumas sociedades antigas a mulher era venerada, com o tempo o homem passou a ter medo dessa mulher, fato comum nas sociedades patriarcais. A mulher era acusada pelo sexo oposto de ter introduzido o pecado, a desgraça e a morte na terra. A Pandora grega, a Eva judaica teria cometido o pecado original. O homem encontrou na mulher a explicação, o responsável pelo desaparecimento do paraíso terrestre. O antifeminismo é uma leitura errada do Evangelho. A igualdade defendida pelo evangelho cedeu lugar à exclusão da mulher da sociedade, lhe dando um papel secundário. Líderes da Igreja, já possuíam traços antifeministas, desde os primórdios do cristianismo, a mulher era considerada sinônimo de perdição. A sexualidade era pecado. A Igreja tinha uma postura misógina no século XVI, ela exaltava a virgindade feminina. Segundo Santo Agostinho, o ser humano possui uma alma espiritual assexuada e um corpo assexuado. O homem seria a imagem de Deus, a mulher seria inferior ao homem, devendo ser submissa. Tomás de Aquino, também dizia que a mulher era mais imperfeita do que o homem, inclusive sua alma, para ele o homem possuía mais discernimento e razão. A Idade Média Cristã aumentou a misoginia, poucas figuras femininas foram consagradas na Idade Média. A Virgem Maria foi posta em um pedestal, mas teve sua sexualidade desvalorizada. As ordens mendicantes, no século XIII, propagaram uma onda de misoginia, que nos século XVI, teve seu impacto aumentado, com as reformas protestantes e católicas. Naquela época existia uma misoginia com base teológica, na qual a mulher seria um ser predestinado ao mal, e deveriam ser tomadas precauções em relação a ela. Os clérigos presos à castidade tinham receio do sexo feminino, por isso escreviam sobre os perigos do sexo feminino, esses escritos oprimiam a mulher, hostilizavam-na. Havia uma guerra santa contra a aliada do diabo. Existia uma literatura misógina na Idade Média, no período moderno surgiu o antifeminismo clerical. O discurso misógino era normal no mundo monástico e foi reproduzido por diversos autores da Idade Moderna. O discurso dos teólogos difundiu a inferioridade da mulher, que representava um perigo para os padres, que constantemente caíam na tentação. A ação antifeminista da Idade Média foi muito difundida. Um trecho do livro Malleus Maleficarum, sintetiza bem o papel da mulher no fim da Idade Média e no início do período moderno: ... A repressão da Igreja ocorrer de várias maneiras (...): na negação da importância central do corpo no qual se expressa a Paixão; (...) na hierarquização patriarcal da Igreja, nos votos patriarcais de pobreza, obediência e castidade para seus sacerdotes, na inferioridade patriarcal da mulher na vida institucional da Igreja, principalmente na sua impossibilidade de ministrar os sacramentos e ocupar cargos em iguais condições com os homens, na paralisia da transformação sócio-política por concessões elitistas para assegurar a obtenção e manutenção do poder exercido dentro do dinamismo patriarcal. A Igreja pós-tridentina, impôs novas regras ás confissões para que houvesse mais transparência e os padres não fossem tentados. Os confessores passaram a propagar palavras de desprezo em relação às mulheres. A mulher é colocada no plano de insubmissão e inferioridade, a fundamentação era buscada na Bíblia. Muitos discursos foram produzidos para comprovar a inferioridade da mulher. O discurso médico falava da inferioridade física e biológica da mulher. Elas eram melancólicas, irritadiças e tudo mais que fosse negativo. Na verdade, havia uma falta de conhecimento do corpo da mulher, existia um tabu, fazendo com que o médico não se aproximasse muito dela. A imagem da melancolia da mulher surgiu na Antiguidade Clássica (Teoria dos Humores). Segundo os médicos, as mulheres não possuíam equilíbrio dos humores. Os humores eram os elementos formadores que davam origem a tudo. Os quatro humores eram: o sangue, bílis amarela, bílis negra e fleuma ou linfa. Os humores seriam responsáveis pelo temperamento. Os médicos sustentavam ainda que a mulher fosse um macho imperfeito. O discurso jurídico procurava apoio na medicina e na Igreja. Através disso criavam leis que aumentava a misoginia. Várias interdições surgiram contra as mulheres. O homem era o cabeça da casa, a mulher não possuía poder jurídico, não podia exercer a medicina, magistratura atividades eclesiásticas e educadoras. Os demonólogos leigos combinavam o discurso teológico, médico e jurídico para justificar o comportamento feminino, que era considerado fraco. A atmosfera misógina foi ampliada pela literatura e pelas representações iconográficas, que estavam ancoradas em juristas, médicos e teólogos. Os textos e figuras exaltavam ou detratavam a mulher, havia ambigüidade. Na exaltação o que estava sendo focalizado era a submissão ou a desasexualização, dessa forma a exaltação e a destratação pregavam a misoginia. A carga profundamente misógina e androcêntrica marcaram o período moderno.
Bibliografia: DELUMEAU, Jean. Os Agentes de Satã: a mulher. In: História do Medo no Ocidente, 1300-1800. São Paulo: Cia. das Letras, 1996. KRAMER, Heinrich; SPREGER, James. Malleus Maleficarum – O Martelo das Feiticeiras.


publicado por araretamaumamulher às 09:01 | link do post | comentar | favorito

1 comentário:
De MARIOSOUZA a 3 de Fevereiro de 2010 às 10:57
É a mais pura verdade, o homem sapiens na verdade, precisava de um bode expiatório.
Quanta estupidez, um lindo post, parabéns.
abraços.


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