Terça-feira, 29 de Setembro de 2009
Nós sabemos que precisamos fazer escolhas, mas o problema é que temos medo de fazer a escolha errada. Medo de trocar o velho pelo novo, o conhecido pelo desconhecido. Nada é colocado em nosso caminho por acaso.
Quando me separei, eu fiz uma escolha de passar da fantasia que havia criado em minha mente de que um dia teria uma família perfeita (igual às outras), para o mundo real de verdades e fatos. Da verdade que meu casamento havia sido um erro, que eu sabia mais como lidar com a situação, que estava colocando a minha vida e a vida dos meus filhos em risco. Foi uma loucura, hoje eu sei disso, mas eu agi, fiz a minha escolha.
Foi também um ato de respeito por mim, e por meus filhos.
O fato de nunca ter sido aceita por minha família, sempre me trouxe um peso que era maior do que eu podia carregar. Eu acreditava que as pessoas tinham poder sobre mim, sobre a minha vida, minhas escolhas. Achava que minha família e meu ex marido era quem tinha o poder de decisão na minha vida. Entender que as pessoas não podiam mudar quem eu sou foi de fundamental importância para minha transformação.
Mas o problema é que agimos de acordo com os nossos medos, nossas crenças e percepções. Por isso despejamos nossa dor em cima do outro. Ficamos loucos de raiva, e nos agarramos à loucura, nos recusando a enxergar a verdade.
Não existe alguém que não cometa erros. Os erros fazem parte da vida. Confundimos aparência com a verdade. Não nos damos conta de que a vida é mais do que aquilo que vemos e que a verdade nem sempre é visível a olho nu. Não nos damos conta de que nem sempre conhecemos toda a historia. Quando você não conhece a historia toda, qualquer conclusão que chegar era equivocado. Deixamos que nossas experiências, sobretudo as negativas, definam quem é e o que merecemos. Às vezes cometemos o erro de acreditar que o outro tem o poder de controlar ou alterar o nosso destino. Não são as outras pessoas que determinam em ultima instancia o que faremos ou o que seremos na vida, mas as nossas crenças equivocadas ou não.
O problema não está nas coisas que acontece e nas experiências que vivemos. O problema encontra-se no significado que damos ao que acontece e aos julgamentos que fazemos. Por isso as mesmas experiências repercutiram de forma completamente diferente em pessoas distintas. Agora se alem de julgarmos severamente o que sentimos, o mundo exterior vem nos dizer que o que sentimos esta errada, o resultado é um conflito interno. E o conflito nos faz sentir culpados e dignos de castigo. Somos nós que nos castigamos (entendi, depois de muita faxina, que eu fiquei tanto tempo casada e sendo espancada, porque me sentia culpada por não ser como as outras mulheres da minha família, então ficando casada, e fingindo TR um belo lar eu estava me redimindo, e por não ser igual a minha mãe, eu me deixava apanhar, por achar que isso era o que eu merecia) vai entender esse nosso inconsciente!
Muitas vezes expressamos a raiva de maneira pouco apropriada: atacando, gritando, xingando. Não que essas formas de expressão sejam ruins ou erradas. Elas só não são socialmente aceitáveis. Você tem direito aos seus próprios pensamentos e sentimentos. Também tem direito a reagir em resposta ao que pensa e ao que sente. Seus atos refletem quem você é, e aquilo que acredita ser verdadeiro o seu respeito. Mas a sociedade estabelece limites e espera que obedeçamos a eles.
O desafio consiste em compreendermos o que estamos pensando e sentindo e decidir o que vamos fazer com o sentimento, visando ao nosso próprio bem e ao das pessoas envolvidas. Quando você esta com raiva está com raiva, se está com medo, está com medo. O que precisamos aprender é como chegar à base do sentimento e descobrir sua causa para podermos equilibrar outra vez. Isso exige muito trabalho.
Também exige que tenhamos coragem de examinar e explorar nosso conflito interior. Exige paciência com você e com os outros. Mais importante exige a disposição de voltar atrás, para ir em frente.
Ontem eu disse que não acredito em formulas mágicas. E hoje vou me explicar, eu não acredito porque já vi em mim e em outras pessoas que elas não funcionam você pode imaginar o que quiser pedir o que quiser para Deus, se a sua culpa, (e todo ser humano tem uma parcela dela dentro do inconsciente,) te dizer que você não merece, não vai acontecer. E por isso que é preciso primeiro fazer a faxina, limpar, deixar a casa em ordem, é só depois começar a pedir...
Fique na paz
Fátima Jacinto
Uma Mulher


publicado por araretamaumamulher às 13:19 | link do post | comentar | favorito

1 comentário:
De Ebrael Shaddai a 29 de Setembro de 2009 às 20:26
Oi Fátima!!

Gostei muito do seu texto!! Mesmo!! Se vc ler os meus, verá que temos estilos e pensamentos, ao menos, parecidos.

Ter coragem é tomar decisões, precisamente, com medo!! Isso é um ato de coragem. Se errarmos, ainda qie doloroso e com tudo que os erros acarretam, é normal. Penso, logo posso me iludir!! A Verdade é algo relativo no mundo. Pode mesmo ser verdade, e não importa a crença, nossas verdades são pilares de nossa estabilidade, ainda que estabilidade num caminho que venha a ser errado. Mas ter estabilidade, salvaguardar e mudar, quando preciso, nossas verdades, é importante!!

É assim que evoluímos, sem medo ou com medo!!

Bjs!!


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