Quarta-feira, 14 de Abril de 2010

O lar muitas vezes não é aquele paraíso seguro e de felicidade que muitos idealizam, a violência doméstica, no contexto do lar faz parte do dia a dia de muitas mulheres. Não é um mal social novo. Nos tempos Medievais e no início da Era da Industrialização, a violência contra as mulheres era um aspecto tido como normal no casamento. 

Nos finais do século XIX não existiam leis que proibissem a uma pessoa espancar o seu parceiro, desde que daí não resultassem ferimentos graves. 

O recurso à lei por parte de pessoas sujeita a violência e maus-tratos é bastante difícil, ainda que se fale muito sobre o assunto e em teoria elas tenham acesso à proteção. Na realidade, apesar de terem melhorado de estatuto, o recurso à lei nestes casos é bastante difícil. De um modo geral a atitude da polícia é a de não intervenção em “disputas domésticas” e revela-se muitas vezes inútil.

Quando a polícia é chamada a intervir num caso de violência doméstica, tende a restringir a sua ação no sentido de acalmar os ânimos, em vez de incentivar a que a vítima proceda a uma queixa contra o agressor.
As mulheres que são vítimas de violência doméstica têm muita dificuldade em abandonar o lar e estas vão desde as econômicas, sociais, até à responsabilidade que sentem perante os filhos.
Estas mulheres, embora sendo agredidas sistematicamente, continuam a coabitar com o agressor, pois no nosso país existem poucas estruturas de apoio para estes casos. Saem de casa e vão viver onde? E os filhos, quem é que cuida deles? Existem casas de acolhimento suficientes para o número de casos existentes no Brasil?
A tendência do poder publico, é achar que existe um certo exagero por parte da mulher, com o objetivo de conseguir um alojamento alternativo.
Na realidade constata que a vítima, para provar o quanto é maltratada, passa por inúmeras humilhações: primeiro dirige-se à policia onde para fazer queixa, tem que relatar em pormenor todo o sofrimento e atos de violência de que foi vítima, tem que se submeter a exames médicos, para comprovar a veracidade dos maus-tratos físicos que lhe foram infringidos, aí mais uma vez se sente humilhada, tanto nos hospitais como na polícia, pois nem sempre há pessoal especializado para tomar conta deste tipo de ocorrências, o que dificulta muito a vida da vítima.

A violência doméstica é inaceitável e uma conduta que afeta todos os membros de uma família, é ilegal e ocorre em todas as classes sociais.
Dependência, controle e poder. 
Muitos homens proíbem terminantemente a mulher de trabalhar fora de casa, de falar com amigos, familiares, vizinhos. Desta forma o abusador transforma-se na única fonte afetiva e financeira, criando assim a dependência absoluta da vítima em relação a ele.

Segundo alguns especialistas o perfil psicológico do agressor é o de um indivíduo emocionalmente imaturo e possessivo. Exalta-se facilmente, briga por motivos fúteis e reage com muita freqüência como se fosse uma criança, que “destrói” o brinquedo, quando este o desagrada. 

É freqüente o agressor mostrar um perfil psicótico, demonstrando medos diversos e a mania da perseguição.
Durante a crise a vítima é barbaramente espancada, pois é a válvula de escape para os seus “fantasmas”.
Em alguns casos possuem o complexo de Édipo exacerbado, são do tipo “bate e pede desculpa”. A relação de amor-ódio que sente pela mãe é transportada para a mulher. A seguir a uma monumental culpa, confessa-se arrependido, jura que não lhe volta a bater. Demonstra através de palavras e carícias que a ama muito e deseja fazer amor com ela, como uma forma de reconciliação. Muitas mulheres são apanhadas nesta armadilha, depois dos maus-tratos, vem à relação sexual. Toda esta situação faz subir a adrenalina e as pessoas ficam dependentes física e mentalmente desta situação. É por isso que muitas mulheres levam a culpa com freqüência, mas não conseguem viver sem o agressor, ficaram presas física e psicologicamente, neste jogo de amor – ódio. 

Estas mulheres só conseguiram quebrar este ciclo doentio, com a ajuda de pessoas especializadas nesta área específica. 
De um modo geral o agressor sente que tem sempre razão, é muito autoritário e sente-se ameaçado sempre que a companheira dá a sua opinião. No caso desta ter razão, a situação agrava-se, pois ele não aceita que está errado, agride o outro como uma forma de se impor. 

Outros são movidos a álcool, sob o efeito da bebida fazem o que lhes passar pela cabeça. Desta forma libertam-se das inseguranças, incompetência e insatisfação, sejam elas devido ao trabalho ou das suas relações de amizade ou amorosas. Em casa, a bebida age de uma forma impulsionadora da agressividade, dando-lhes a falsa sensação de poder. O companheiro é o bode expiatório de todos os seus sentimentos reprimidos. 

Quando o casal tem uma vida sexual insatisfatória e o homem tem dificuldade em manter a ereção ou tem ejaculação precoce, não se satisfazendo a si próprio nem à sua companheira, a frustração que sente dá lugar à violência, acusa a mulher destes fatos. Existem também alguns homens que no momento do orgasmo, agridem a mulher física e verbalmente, como meio de atingirem um maior prazer e desta forma submeter e humilhar a mulher ao seu poder superior. 
Há também homens que agridem a mulher por se sentirem socialmente inferiores a esta. Inseguros em relação à sua masculinidade devido a insucessos na vida profissional ou por se sentirem muito a quem das expectativas que têm deles próprios. Em casa uma opinião da mulher, ou até uma pequena brincadeira faz sentir-se ofendido. A única maneira que encontra para impor os seus pontos de vista e desejos é através da violência.
As mulheres que apanham do companheiro, de uma forma repetida, são, de certa forma, cúmplices da situação. Normalmente desde a infância que viveu com cenas de violência e castigos físicos. De uma forma inconsciente, na vida adulta, repete as relações que viveram e vivenciaram em criança. Quando chega a hora de escolher um parceiro, opta normalmente pelo tipo agressivo, por aquele que demonstra mais “força” para enfrentar os problemas que a vida lhe ponha.

É o tipo de pessoa que admira um companheiro brigão, isto para ela representa proteção. De um modo geral este tipo de casamento acaba na relação amor-ódio e em cenas de pancadaria quando a relação começa a se desgastar. 
Para outras vítimas pode ser uma herança educacional, elas podem ter sido acostumadas a ver a agressão como forma de afeto, proteção e carinho. Estas pessoas podem interpretar uma agressão, como um ato de amor e proteção.
Há também o caso das pessoas que apanham por estarem acomodadas financeiramente, estes casos dão-se, sobretudo com mulheres, uma vez que estas têm tendência a ficar em casa, limitando-se a criar os filhos. Estas mulheres sentem-se incapazes de se sustentarem a si próprias e aos seus filhos e assim não rompem com o parceiro. São em muitos casos impedidas de trabalhar pelo seu companheiro, para desta forma mais facilmente as manterem como reféns. Provavelmente em crianças foram educadas de forma a sentirem-se incapazes de viver sem a proteção econômica de um homem. 

Outras são agredidas por sentimento de culpa, sentem-se culpadas de não terem sido capazes de realizarem um casamento perfeito. Estas de uma forma geral sofrem a violência doméstica em silêncio, escondem da família, dos amigos e dos vizinhos os sofrimentos que o companheiro lhes impõe. Como o objetivo era ter um casamento feliz, recusa-se a admitir que escolheu a pessoa errado.
Apesar de ser maltratada física e verbalmente, depois de cenas de grande violência, ainda se mostra dócil e carinhosa para com o companheiro.
Alimenta a secreta esperança de que ele mude de atitude, estas pessoas levam muito tempo a tomar consciência da realidade, pois ninguém muda ninguém.

Romper com o silêncio é sem duvida o caminho para ajudar a acabar esta situação infame em que muitas mulheres se encontram.
Há mulheres que são agredidas, que se calam e que escondem a agressão, por sentirem vergonha. Outras se afastam gradualmente de amigos, familiares e vizinhos, isolam-se para desta forma esconder os maus-tratos de que são vítimas. Mas ao procederem assim, tornam-se mais vulneráveis e ficam à mercê do agressor. Outras são dependentes economicamente e têm medo de novas agressões, reduzindo-se ao silêncio. Esta atitude só encoraja o agressor a que se sinta impune e à vontade para repetir as agressões que muito bem lhe aprouverem. 
Estes e outros preconceitos, a dependência econômica em relação ao agressor, a dificuldade em aceitar que um casamento acabou e o medo de novas agressões, são alguns dos motivos que impedem as vítimas de tornar o seu problema público e tomarem medidas para se protegerem.
O primeiro passo para acabarem com estas situações é romper a barreira do silêncio.



publicado por araretamaumamulher às 19:44 | link do post | comentar | favorito

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