Sexta-feira, 9 de Abril de 2010

Existem pessoas que amam e há pessoas incapazes de amar. Pessoas amorosas não querem o sofrimento das outras pessoas, não provocam a dor nos outros e são extremamente cuidadosas com as feridas emocionais do outro. Pessoas incapazes de amar têm, em geral, uma história de vida de abandonos infantis, de maus-tratos e abusos por parte dos adultos. São pessoas com acentuado grau de inferioridade, baixa auto-estima e insensíveis ao sofrimento alheio, sendo, por isso, capazes de provocar dor naqueles a quem dizem amar. E o que nos confunde, neste caso, é que essas pessoas, apesar de lhes faltar amor no coração, gostam de estar com as outras pelo prazer que obtêm disso. Aí, achamos que elas nos amam, porque nos procuram, nos elogiam, mantêm o relacionamento sexual, beijam, dão presentes etc. No amor, você deseja a felicidade do outro, se empenha nisso, se interessa por tudo o que possa ajudá-lo a estar bem consigo mesmo.
E por que nos submetemos a pessoas cruéis? Por que a dificuldade em nos separarmos de pessoas que adquirem segurança a partir da nossa insegurança? Há dois motivos psicológicos para querermos estar com alguém: primeiramente, o amor. É bom estar com pessoas que nos fazem sentir bem, com quem sentimos prazer, alegria, felicidade. Pessoas com as quais nos sentimos “folgados” interiormente e nutridos. É bom brincar com elas. O outro motivo que nos faz apegar a alguém é o medo: da solidão, de não termos alguém, medo de perder o amor dele, do abandono, de não casarmos. É quando não toleramos a idéia da separação.
E aí, quando mais nos atemorizam, mais lutamos por elas, mais nos submetemos e mais sofremos. Dessa forma, com nossa submissão e subserviência, alimentamos o jogo do desprezo. Meu lado sadio quer terminar o relacionamento e meu lado adoecido quer permanecer em um relacionamento que jamais me levará à felicidade.
Sofrer a perda para ressuscitar depois é melhor que sofrer, sem fim, a falta de amor do outro. Às vezes, a separação é a única forma de me amar e, por conseqüência, ser feliz. Namorar, casar, estar junto, mas nunca a qualquer preço.
Tarde da noite, me pego pensativa, analisando o efeito das cicatrizes  na vida da gente, o quanto o apego ao passado pode ser pernicioso, dolorido…
Quando falo de cicatrizes, falo das emocionais, as quais podem deixar marcas muito fortes, profundas, visíveis…
O quanto do que acredito hoje é fruto das frustrações que vivi? Tenho tido dificuldade em reconhecer a mim mesma, em entender o que sinto, no que acredito, em quem acredito…
Conversando ontem com uma amiga, divagamos sobre a bagagem emocional que carregamos e o quanto esse peso tem nos tolhido de agir, tem nos aprisionado em questionamentos sufocantes, tem comprimido o peito e carregado os ombros… e o corpo fala, oh se fala…
Mas o que ele quer nos dizer exatamente? Como interpretar os “gritos de liberdade” do corpo? Como nos livramos de todo esse “peso extra”?
Já dizia meu vô Salomão querido: “Quando a cabeça está ruim, o corpo padece”
E em busca de respostas acabo esbarrando sempre em duas palavras: AMOR E FÉ.
Tenho o costume de ler livros de mensagens, de positividade, e me deparei com o seguinte texto:
“A maldade sufoca o amor. As decepções amortizam o amor. A falta de amor vira medo. O amor incondicional vira simplismo. Não devemos amar indiscriminadamente, nem evitar amar totalmente.”
E não pude concordar mais!
Quem deseja o mal, colhe mal maior…
Quem evita se fecha se enclausura e sofre…
Quem escancara, quebra a cara…
Quem tem medo, se acovarda e se engessa…
Seria possível um equilíbrio?
Nunca fui fã do radicalismo, dos 8 e do 80, tento sempre basear minhas escolhas e me nortear pelo 40, pelo meio termo, mas nossa, como é difícil achar esse equilíbrio, como é trabalhoso se desvencilhar do passado e ir deixando essa bagagem pelo caminho, como é difícil se soltar dessa couraça que vamos criando no decorrer dos anos…
Queria saber viver mais um dia de cada vez, esperar menos, me desapegar de sonhos impossíveis, de amores inviáveis, de batalhas já perdidas…
Dia-a-dia busco arregaçar as mangas em busca do OTIMISMO que insiste em se esvair, que se abala pelos acontecimentos que desestruturam, pelas perdas não esperadas, pelas surpresas que a vida nos oferece…
Volto a falar em gratuidade, em resignação e aceitação e acima de tudo em FÉ, fé no hoje e no amanhã, fé no plantar para colher, fé na vontade de ser melhor, de vencer os medos, de espantar os fantasmas e eliminar as más vibrações…
Vibremos na SINTONIA do amor, sejamos mais caridosos, perdoemos infinitamente mais e acima de qualquer coisa, evitemos JULGAR.
As cicatrizes são parte da gente e não creio ser possível eliminá-las, mas com certeza é possível aceitá-las, respeitá-las, encará-las como parte da caminhada, parte dos tropeços, e tenhamos poucas ou muitas, não importa, cada uma delas teve seu papel, basta que lancemos sobre elas um olhar de ternura e não de raiva, e uma compreensão de que é preciso dar-lhes menos peso, pois a leveza está em nossos corações…
Façamos isso e tenho certeza de que o peso extra não será assim tão pesado, pois além de tudo, nada nos é dado sem que tenhamos a capacidade de carregar, não é mesmo?

É difícil definir o tamanho de



publicado por araretamaumamulher às 14:05 | link do post | comentar | favorito

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