Sexta-feira, 2 de Abril de 2010

 

http://araretamaumamulher.blogspot.com/2010/04/as-mascaras-da-violencia-contra-mulher.html
Helena Damasceno
A questão social que envolve relacionamento nunca esteve tão em foco como agora, principalmente no que se refere à violência contra a mulher. Pela dimensão que o assunto tomou na mídia, nos centros acadêmicos, no seio familiar, nas rodas de bate-papos, etc., tornou-se tema para teses e estudos comportamentais, um desafio aos especialistas do comportamento humano. Um nó difícil de desatar.
Algumas mulheres, talvez sobrepujadas pelos companheiros, ou talvez pelo comodismo, não permitem o “meter a colher”. No entanto, quando a gravidade e a seriedade do problema chega ao limite da tolerância humana, caracterizando-se como violência, faz-se necessário a “interferência alheia”. Normalmente, a mulher é a vitima em potencial, uma vez que a força física do homem a sobrepuje, o que na circunstância representa um jugo desigual e o homem, agressor, se aproveita de sua condição de macho e comete excessos, ou para satisfazer seus desejos egoístas ou para provar que domina a raça.
Vivemos numa sociedade machista e patriarcal, na qual a figura masculina exerce uma grande influência sobre a feminina, isso é um fato. A dominação começa na tenra idade, no lar paterno pela força da presença do pai e/ou outros membros do sexo masculino, e continua durante todo o processo de formação da personalidade da mulher. A forma como esse relacionamento familiar se processa será decisivo para essa menina, futura mulher. Por fim, a figura do parceiro opressor com o qual irá partilhar sonhos e projetos de vida será decisiva a tal ponto de fazer com que, em alguns casos, ela perca a própria identidade, passando a viver à sombra do outro ou tornando este sua principal referência de vida. E o mais grave, o paternalismo torna algumas mulheres cúmplices, passivas e coniventes com o machismo, quando acham muito natural que outras apanhem ou sejam castigadas e humilhadas pelo sexo oposto.
Quando se fala em violência contra a mulher, o que vem logo à cabeça é a pura agressão física. No entanto, a violência contra a mulher vai além da física. O tabu trazido pelo colonizador europeu, que prega que a mulher deve estar sempre em sujeição ao homem, que esta deve ser apenas doméstica e procriadora, na verdade agride o potencial humano, pois condena a vítima da sujeição a uma vida mesquinha. Aqui não se faz apologia à rebelião da mulher para com o sexo oposto, não, antes deve haver o respeito mútuo, caso contrário ambos se anulariam, sobretudo a mulher. É lógico que há de se respeitar povos e culturas em que a sujeição ao homem é natural, um modo de vida, como ocorre em países orientais. Entretanto, mesmo lá, práticas de violência contra a mulher são repudiadas.
Além da violência física, outras formas de opressão contra a figura feminina, sutis, mas não menos arrasadoras, por não deixarem marcas visíveis, são desconsideradas ou menos combatidas. A simbólica, por exemplo, muito comum, é caracterizada pela dominação e intimidação, quando o homem agressor usa de meios ardilosos para neutralizar sua vitima, às vezes um olhar, um gesto, uma palavra ou simplesmente sua presença é o bastante para que a mulher se sinta acuada, vivendo refém do medo, da vergonha e da própria fraqueza, tornando seus sentimentos em relação à vida confusos, culminando em baixa auto-estima e crise existencial. Pode-se elencar o preconceito em relação ao seu desempenho profissional, quando sua competência e capacidade de desempenhar funções ditas “masculinas” são questionadas; quando é vista apenas como objeto de deleite e prazer, ficando seu potencial criativo e humano desconsiderado; quando tem sua imagem explorada na mídia como marketing de produtos e empresas, ou simplesmente para entretenimento de outros; na internet, quando explorada sexualmente; no trabalho, quando sofre assédio; quando seu direito de viver, com um mínimo de dignidade, é privado, enfim essas e muitas outras são formas de violência contra a mulher.
Devemos reconhecer que há homens que não se encaixam no perfil do agressor machista e tentam combater a prática de subjugar o sexo feminino, por outro lado há sempre um ou outro que manifesta atitudes machistas, sem necessariamente chegar aos extremos. Quando a sociedade entende as multifaces da violência praticada contra a mulher as máscaras caem, mostrando assim a verdadeira face do agressor: o machismo.

 



publicado por araretamaumamulher às 17:52 | link do post | comentar | favorito

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