Sábado, 19 de Dezembro de 2009
Hoje resolvi falar sobre os mitos que rondam a violência da mulher. Porque acredito que já está mais do que na hora de colocarmos as coisas de forma clara, para que todos possam realmente saber o que de verdade sofre uma mulher que é vitima de violencia....
Primeiro mito
A violência doméstica é uma “perda de controle”- uma questão do controle da ira.
Fato
O comportamento violento é uma escolha – a violência doméstica nada tem que ver com a ira. Esta é uma ferramenta que os agressores usam para obter o que desejam. Sabemos que de fato os agressores têm bastante controle porque param quando alguém bate à porta ou o telefone toca. Sempre tentam direcionar os socos e os pontapés para as partes do corpo onde os ferimentos têm menor possibilidade de serem vistos e não agridem qualquer pessoa quando estão “irados”, mas esperam até que não haja testemunhas e então praticam o abuso contra a pessoa a quem dizem que amam. A violência doméstica diz respeito ao agressor usar seu controle, e a não perdê-lo. Suas ações são extremamente deliberadas.
Segundo mito
A vítima é responsável pela violência porque a provoca.
Fato
Ninguém pede para ser agredido. Ainda, ninguém merece sofrer agressão, independentemente, daquilo que diga ou faça. Todos têm o direito de viver sem sofrer violência. Ninguém deseja que o cônjuge seja abusivo. As mulheres cujo segundo ou terceiro parceiro são agressores, muitas vezes serão tidas pelo outros como culpadas pela violência – “deve ser algo com ela”. Na verdade, o agressor usa a tática do charme no início do relacionamento a fim de descobrir que ela já foi vítima de abuso. Então usa essa informação para culpá-la pela violência – “Veja, o problema está com você, ou seu outro companheiro também não a teria agredido” ou, para silenciá-la, “Você não irá contar para outras pessoas porque elas nunca irão acreditar visto que você já disse isso antes”.
Terceiro mito
Se a vitima não gostar, ela pode deixar o relacionamento.
Fato
As vítimas não gostam do abuso. Elas permanecem no relacionamento por muitos motivos, incluindo o medo. A maioria, por fim, acaba saindo dessa situação. A provocação da vítima na violência doméstica não é diferente do que em qualquer outro crime, ou seja, não há provocação. As mulheres agredidas muitas vezes fazem repetidas tentativas de deixar o relacionamento violento, mas são impedidas devido ao aumento da violência e das táticas de controle da parte do agressor. Outros fatores que inibem a capacidade de a vítima fugir incluem a dependência econômica, poucas opções viáveis de acomodação e apoio, resposta inadequada do sistema judiciário criminal ou de outras agências, isolamento social, impedimentos culturais ou religiosos, compromisso para com o agressor e o relacionamento e medo de sofrer ainda mais violência. Estima-se que o perigo à vítima aumenta em 70% quando tenta fugir, visto que o agressor intensifica o uso da violência quando começa a perder o controle.
Quarto mito
A violência doméstica somente ocorre em pequena porcentagem nos relacionamentos.
Fato
Estima-se que a violência doméstica ocorra em ¼ a ½ de todos os relacionamentos íntimos. Isto se aplica a relacionamentos heterossexuais como homossexuais.
Quinto mito
As mulheres da classe média e alta não sofrem agressões com tanta freqüência quanto às mulheres pobres.
Fato
A violência doméstica ocorre em todos os níveis socioeconômicos. Visto que as mulheres com dinheiro, normalmente, têm mais acesso a outros recursos, as mulheres mais pobres tendem a utilizar as agências comunitárias e, portanto, são mais visíveis.
Sexto mito
Os agressores são violentos em todos os seus relacionamentos.
Fato
Os agressores decidem ser violentos com seu cônjuge da forma como jamais considerariam tratar outra pessoa.
Sétimo mito
Bebidas alcoólicas e consumo de drogas provocam o comportamento agressivo
Fato
Muitos agressores não bebem ou consomem drogas. Embora muitos cônjuges abusivos também consumam bebidas alcoólicas e/ou drogas, esta não é a causa subjacente da agressão. Muitos usam essas substâncias como desculpa para explicar sua violência.
Oitavo mito
Se a mulher sofre agressão uma vez, será sempre agredida.
Fato
Embora algumas mulheres que sofreram agressão tenham passado por mais de um relacionamento abusivo, as mulheres protegidas pelos serviços contra a violência doméstica têm menor possibilidade de entrarem em outro relacionamento abusivo.
Nono mito
É fácil deixar um relacionamento abusivo, simplesmente juntando os pertences e indo embora.
Fato
Isto não é verdade. O agressor tende a isolar a vítima ao não lhe dar dinheiro, impedindo-a de conseguir um trabalho, de estar com a família e amigos. A dificuldade de pagar abrigo para as crianças e sua sobrevivência torna quase impossível o simplesmente juntar os pertences e partir
Décimo mito
Somente as mulheres são vítimas da violência doméstica.
Fato
Os homens também são vítimas da violência doméstica, mas muitos têm vergonha de informar o abuso. Um estudo bem divulgado, realizado pelo Dr. Murray Strauss, da Universidade de New Hampshire, revelou que as mulheres usam meios violentos para resolver o conflito no relacionamento com tanta freqüência quanto os homens. Contudo, o estudo também concluiu que quando o contexto e as conseqüências de uma agressão são medidos, a maioria das vítimas está no grupo de mulheres. O Departamento de Justiça dos EUA descobriu que 95% das vítimas de abuso praticado pelo cônjuge são mulheres. Os homens podem ser vítimas, mas isso é raro.
Décimo primeiro mito
As crianças em lares onde ocorre a violência tendem a se tornarem vítimas ou agressores.
Fato
Isto, infelizmente, é verdade. Embora pareça que as crianças estejam dormindo ou não comentem a respeito do que vêem e ouvem, elas são afetadas. As crianças reproduzem o que os adultos fazem em sua vida e o ciclo da violência prossegue.
Décimo segundo mito
Os agressores são sempre pessoas más e cruéis.
Fato
Não é verdade. Algumas das pessoas mais agradáveis que você conhece são agressores e se encontram em todas as classes sociais e econômicas. Noventa por cento dos agressores não têm antecedentes criminais.
Décimo terceiro mito
Finalmente, o abuso irá cessar.
Fato
Sem ajuda profissional, os agressores irão continuar. O abuso, normalmente, se torna mais freqüente e mais violento, algumas vezes resultando em morte
Décimo quarto mito
O ciclo da violência é rompido quando acaba o relacionamento.
Fato
Os momentos mais perigosos para a vítima podem ser quando elas deixam o relacionamento sem um plano de segurança. Sem intervenção, os agressores continuarão o abuso.
Décimo quinto mito
A violência doméstica é, normalmente, um caso isolado.
Fato
Agredir é uma forma de coerção e controle que uma pessoa exerce sobre a outra. Agredir não é apenas um ataque físico. Isto inclui a repetição de várias táticas, incluindo intimidação, ameaças, privação econômica, isolamento e abuso psicológico e sexual. A violência física é apenas uma das táticas. As várias formas de abuso utilizadas pelos agressores os ajudam a manterem o poder e o controle sobre o cônjuge ou o/a companheiro/a
Décimo sexto mito
Os homens que agridem, geralmente, são bons pais e devem ter a guarda conjunta dos filhos caso o casal se separe.
Fato
Os estudos revelam que os homens que agridem a esposa também abusam dos filhos em 70% dos casos. Mesmo quando os filhos não sofrem abuso direto, eles sofrem ao verem um cônjuge agredir o outro. Os agressores, muitas vezes demonstram acentuado interesse pelos filhos quando da separação como um meio de manter o contato, e assim controlar o cônjuge
Décimo sétimo mito
Quando há violência na família, todos os membros participam na dinâmica e, portanto, todos devem mudar o comportamento para que cesse a violência.
Fato
Apenas o agressor pode por fim à agressão. Agredir é uma escolha dele e, portanto, deve ser responsabilizado. Muitas mulheres agredidas fazem diversas tentativas de mudar o comportamento na esperança de que isso irá por fim ao abuso. Porém, não funciona. As mudanças no comportamento dos membros da família não irão alterar o comportamento violento do agressor.
Décimo oitavo mito
Os agressores e/ou as vítimas sofrem de baixa auto-estima.
Fato
Os agressores não têm baixa auto-estima. Eles crêem que receberam poder e controle sobre seu cônjuge. Eles fingem ter baixa auto-estima se isso levar outros a crerem que a violência não é sua culpa. Os sobreviventes do abuso podem ter tido uma excelente auto-estima no início do relacionamento, mas o agressor usa o abuso emocional: usa nomes depreciativos; faz com que a pessoa se sinta inferiorizada; diz que a culpa é dela a fim de destruir sua auto-estima. Alguns agressores procuram mulheres com baixa auto-estima, visto que acreditam que ela terá maior probabilidade de culpar a si mesmas e menores chances de informar a respeito do abuso. Outros agressores buscarão mulheres com elevada auto-estima visto representarem um desafio maior para exercer o controle ao longo do tempo.
Quero deixar bem claro mais uma vez que tudo isso eu sei por ter vivido e ainda vivenciar a violência em minha vida.
Temos parar de achar que o agressor é quem precisa de tratamento, o agressor precisa é de cadeia de segurança máxima. O perdão... Há é muito lindo falar do perdão para quem não perdeu mais de vinte anos de sua vida com um monstro dessa proporção... Eu não quero perdoar eu quero ser reparada por tudo que perdi, é um direito meu...


publicado por araretamaumamulher às 15:51 | link do post | comentar | favorito

1 comentário:
De Francisco Castro a 19 de Dezembro de 2009 às 17:23
Olá!

Cada pessoa é uma pessoa diferente que tem necessidades e desejos difereentes, suporta de forma desigual, enfim, as pessoa ragem de forma diferente para cada situação parecida. Mas, evidentemente, que eu concordo que nenhuma mulher deveria suportar qualquer violência séria contra qualquer homem. O mesmo ocorre com pessoas de porte físico diferente. Sempre que uma pessoa entra numa luta com ampla vantagem torna-se uma covardia e deve ser combatida com o máximo de rigor.

Abraços

Francisco Castro


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