Domingo, 23 de Agosto de 2009
Sabemos, todas nós que já sofremos violência dentro de nosso lar, da nossa total ambivalência quanto ao nosso agressor. Mas o que é o mal? Quem é mal?
Essas são perguntas que todas nós nos fazemos, na confusão em que se transforma nossas vidas diante da violência a nós infligidas.
Você não é uma pessoa má. Eu não sou uma pessoa má. Contudo, o mal existe no mundo. De onde ele vem?
As coisas más que são feitas sobre a terra são praticadas por seres humanos. Nós não podemos pôr a culpa nas plantas ou nos animais, numa doença infecciosa ou em influências nefastas do espaço sideral. Mas, se você e eu não somos maus, quem é? Será que o mal reside apenas em outros lugares? Será que ele habita somente os corações dos criminosos?
Será possivel que ninguém seja mau, mas apenas desorientado? Onde então reside o mal? De onde ele surge?
Estou a cada dia aprendendo a enfrentar e a responder essas e outras perguntas, que não são faceis de ser respondidas mas conclui que tenho que faze-lo se quiser me curar.
Você e eu certamente não somos maus em nossa totalidade, ou em nossa essência, mas temos o mal dentro de nós. Portanto a palavra "mal" pode descrever um continuo de comportamento que vai desde a simples mesquinhez e o egocentrismo, num extremo, até o sadismo genocida do nazismo no outro.
Há trinta ou quarenta anos atrás, a palavra "pecado" ainda era de uso comum, mas hoje (a não ser entre os fundamentalistas) ela praticamente não é mais empregada. Agora preferimos usar a terminologia da Psicologia, que fala antes dos defeitos e falhas humano, mas normalment de uma maneira que põe a culpa alhures - nos pais ou na sociedade - por fazerem de nós o que somos. A mudança pessoal ocorre quando compreendemos a origem da programação negativa que os outros nos infligiram, vivenciamos todos os sentimentos envolvidos (fundamentalmente raiva e pesar) e então perdoamos a fonte externa da nossa negatividade, da qual ainda sofremos. É isso é uma parte crucial do processo de transformação .
Contudo não é facil, colocarmos isso em pratica, porque na visão da psicologia perdemos algo que a velha idéia religiosa do pecado nos deu. A saber que somos respónsaveis pela nossa negatividade, pelos nossos atos e omissões. Ser responsavel é muito diferente de ser culpado. Significa simplesmente reconhecermo-nos ás vezes como a origem da dor, da injustiça e do descaso para conosco mesmos, e para com os outros e para com o mundo.
Ontem tive que admitir para mim mesma, que eu tive uma grande parcela de culpa na morte do meu filho, porque a três anos atrás ele estava me dando trabalho, como qualquer adolecente, e eu escolhi o caminho mais facil, liguei para o pai dele e mandei ele ir buscar nosso filho para morar com ele. Eu sabia quem era o pai do meu filho quando fiz isso, era consciente da sua falta de compromisso e de responsabilidade, até nas coisas mais basicas. O que me fez acreditar que se eu não estava conseguindo ele ia ao menos tentar? Tomamos atitudes e nessas horas temos o mesmo poder que Deus, só que depois queremos abrir mão das consequencias que essas atitudes nos trás.
Admitir que fui responsável, não me faz culpada da morte do Vi, ele morreu por uma serie de motivos, mas agora eu admito que tive uma grande parcela de responsabilidade nisso.
Se eu posso admitir esse grau de responsabilidade, eu admito também que não apenas uma vitima do mal que nos rodeia, a mim e aos meus filhos, eu também sou a minha maneira uma iniciadora dessa negatividade.
Então o que devo fazer a respeito? Como posso transformar isso em mim?
Ser humano é ter defeitos e imperfeições. Todos nós cometemos erros, ás vezes magoamos as pessoas que nos são proximas, e ás vezes nos comportamos muito mal. No entanto, essa simples verdade parece-nos muito dificil de aceitar.
Quando me conscientizo que magoei um dos meus filhos por causa de um dialogo descuidadeo, eu me encolho por dentro, como que tentando me defender da dor que é parte inevitavel da consciência dos meus atos. Temos uma relutância maior em aceitar as mensagens sobre os nossos defeitos vindas de outras pessoas. Imediatamente erguemos defesas, como se estivessemos sendo fisicamente atacados. Na verdade, a reação fisiologica de defesa lutar/fugir, adeguada a situações nas quais existe uma ameaça imediata de dano corporal direto, é usada para proteger a nossa auto-imagem idealizada, que precisa ter a aparência de certa e boa, e não de errada e má. Esquivamo-nos de encarar nossos erros e defeitos porque eles são uma parte dolorosa, embora inevitável, de quem somos. Somente quando contenho o meu prfeccionismo é que consigo sentir a sim,ples tristeza de ter agido de forma errada com o meu filho. Respiro profundamente, afrouxo as defesas automaticas e sinto a simples dor. A dor de que uma atitude minha gerou a morte de uma criança que saiu do meu ventre.... Mas é somente assim que consigo perdoar, perdoar a mim, e perdoar aos outros....Só quando consegui atingir um nivel de mais profunda auto-aceitação.
Tenho trabalhado com Pathwork, durante esses anos, e tenho aprendido com o Guia a me olhar mais verdadeiramente, facil não tem sido, mas eu muito provavelmente teria enlouquecido se não fosse isso.
Quando negamos nossos defeitos, nosso egoismo, ficamos enredados na tentativa de parecr melhores do que somos e afastar a culpa pelas nossas dificuldades. "Não foi culpa minha" é a primeira coisa que a criança em nós grita sempre que confrontamos com nossos erros. Quando acontece algo mais grave, respondemos internamente como a criancinha que ouve a voz da mãe chamando por ela depois que um terremoto abalou a casa. Sua primeira resposta é: "Não fui eu, mamãe". A criança dentro de nós tem medo de reconhecer que possuir qualidades mnás ou imperfeitas signifiquem que ela é unicamente má, ou que sendo tremendamente má, ela será julgada ou rejeitada pelos "outros" pais que, imaginamos, são responsaveis pelo nosso bem estar.
Amigos amanha eu continuo tá? Fiquem na paz e na Luz
Fátima Jacinto
Uma Mulher...


publicado por araretamaumamulher às 15:03 | link do post | comentar | favorito

2 comentários:
De S. Levy Lima a 3 de Dezembro de 2009 às 11:49
este post merece mais reflexão do que uma leitura por alto, como acabo de fazer.
como tenho seu blog nos meus parceiros, regressarei com mais tempo, a fim de ler e reflectir.
é que fiquei a pensar nisto...

bjs.


De Maria Souza a 3 de Dezembro de 2009 às 12:12
Fiquei imaginando ao ler esse relato que essa pessoa não era minha amiga Sara...não tinha como ser e no final surge o nome Fátima.

Acho que essa pessoa limita e criva com rigor os destinos que não é ela que determina, mas sim Deus.

Maldade como parceira da morte do seu filho, não tem a mínima possibilidade de vingar.

Um beijo, Maria Souza - Porto Alegre - RS


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