Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009
Ser humano é ter defeitos e imperfeições. Todos nós cometemos erros, ás vezes magoamos as pessoas que nos são próximas, e às vezes nos comportamos muito mal. No entanto, essa simples verdade parece-nos muito difícil de aceitar.


Quando me conscientizo de que magoei meu filho por causa de um dialogo descuidado, eu me encolho por dentro, como que tentando me defender da dor que é parte inevitável da consciência de meus atos. Temos relutância ainda maior em aceitar as mensagens sobre nossos defeitos vindas de outras pessoas. Imediatamente erguemos defesas, com se estivéssemos sendo fisicamente atacados. Na verdade, a reação fisiológica de defesa lutar/fugir, adequada a situações nas quais existe uma ameaça imediata de dano corporal direto, é usada para proteger a auto-imagem idealizada, que precisa ter a aparência de certa e boa, e não de errada e má. Esquivamos-nos de encarar nossos erros e defeito porque eles são umas partes dolorosa, embora inevitável, de quem somos. Somente quando contenho o perfeccionismo é que consigo sentir a simples tristeza de ter magoado o meu filho. Respiro profundamente, afrouxo as defesas automáticas e sinto a simples dor. Somente assim consigo perdoar. Atinjo um nível mais profundo de auto-aceitação.

Quando negamos nossos defeitos, nosso egoísmo fica enredado na tentativa de parecer melhores do que somos e afastar a culpa pelas nossas dificuldades. “Não foi minha culpa” é a primeira coisa que a criança em nós grita sempre que confrontamos com nossos erros. Quando acontece alguma coisa desagradável, respondemos internamente como a criancinha que ouve a voz da mãe chamando por ela depois que um terremoto abalou a casa. Sua primeira resposta é: ”Não fui eu, mamãe”. A criança dentro de nós tem medo de reconhecer que possuir qualidades más ou imperfeitas signifique que ela é unicamente má, ou que, sendo tremendamente má, ela será julgada ou rejeitada pelos “outros” pais que, imaginamos, são responsáveis pelo nosso bem-estar.

Por medo do eu imperfeito, criamos um eu - mascara, um eu - idealizado, o eu que pensamos que deveríamos ser em vez de admitir que sejam seres humanos imperfeitos. Todos nós respondemos prontamente “vou bem” quando nos cumprimentam, por maiores que seja a nossa depressão, por causa da critica que o chefe acabou de nos fazer, ou a alegria por um recente sucesso profissional. Asseguramos prontamente a nós mesmos e aos outros que “eu estou bem, sou competente, posso dar um jeito”, por maiores que sejam a carência, ou a infelicidade verdadeira.

Seja qual for a mascara criada – o bom menino, a boa menina, a mulher ou o homem poderoso, o aluno aplicado ou o professor confiante, a criança carente ou o adulto competente, o pesquisador ingênuo ou o cético experiente – ela é uma tentativa de nos colocarmos num plano acima dos defeitos e da do, de negar nossa mediocridade e pequenez. Criamos uma mascara sempre que tentamos nos apresentar como pessoas amorosas ou poderosas, mas competentes ou carentes, mais compassivas ou céticas do que realmente somos naquele momento.

À medida que aprofundamos o compromisso de ser honestos com nós mesmos e com os outros, criamos uma base sólida para a auto-estima. Fazer um bom conceito de si mesmo passa a não depender mais de atender ás exigências irrealistas de uma mascara perfeccionista; ao contrario, seu fundamento é a coragem de encarar a realidade humana imperfeita atual. O imenso potencial humano que temos só pode ser realmente nosso depois que ousamos ser exatamente e exclusivamente quem somos em cada momento, por mais mesquinha e assustadora, grandiosa e ou sagrada que seja a realidade temporária.
Fique na paz e na luz.
Ararêtama uma Mulher.
http://araretamabiojoias.blogspot.com/


publicado por araretamaumamulher às 11:47 | link do post | comentar | favorito

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