Segunda-feira, 7 de Setembro de 2009
Buscava remover o meu sofrimento do passado e não conseguia ver o presente, em minha preocupação com o passado, não via o meu total comprometimento com o passado. E assim deixei de me relacionar com o presente.
Sombras do passado envolviam todos os meus relacionamentos. Quem poderia me dar o que eu pensava que o passado havia me privado? Tive que tomar consciência de que o passado não era nada. Parei de buscar a culpa da minha privação nele. Porque entendi que ele se foi. Entendi que estava mantendo uma ilusão, de que o meu passado ainda estava aqui. Fazia isso porque pensava que ele ainda me servia para algum propósito que eu queria ver cumprido no presente, e assim não conseguia perceber que esse propósito também já tinha ido, estava no passado.
Aprendi a não subestimar a intensidade da minha compulsão em me vingar do passado. É uma compulsão completamente selvagem e insana. Porque eu me lembro de tudo que fiz, e o que foi me feito, e buscava o pagamento que me era devido.
Essas fantasias eu levava aos meus relacionamentos e assim encenava o ódio.
Cenas imaginadas, dores relembradas, desapontamentos passados, injustiças percebidas, tudo isso entrava comigo nos meus relacionamentos. Era assim que eu buscava restaurar a minha auto-estima ferida.
Minha maior fantasia era o sonho de vingança.
Existe um poema da xamã norte americana Jamie Sams, que sempre me tocou muito, por falar exatamente sobre isso:
CAMINHOS DE CURA
Ensine-me a reunir
Os fragmentos de minha alma
Resgatando meu potencial perdido
Em busca da unidade

Permita-me encontrar o perdão
E abraçar uma nova forma de ser,
Abrindo mão da dor e da raiva
Contra todos que me feriram

Permita-me curar o meu corpo humano
O veiculo sagrado da alma
Curando todas as desarmonias
Encontradas na tigela da Cura

Permita-me a coragem necessária
Para enfrentar os inimigos interiores
Curando minhas fraquezas
E honrando o guerreiro que ali está.

Permita-me honrar a promessa sagrada de ser leal
A minha busca de totalidade
Sem nunca abandonar minhas curas
Nem o coração que bate em meu peito.
Jamie Sams.

Minha falta de auto-estima sempre esteve relacionada com recordações sombrias do passado.
Minha infância foi marcada por experiências que me diziam que eu não era bastante boa, todos nós temos lembranças dolorosas similares.
Na adolescência transferi essas lembranças para minha aparência e atração sexual. Não conseguia me aceitar porque qualquer comparação me colocava na sombra.
Precisei criar muita coragem para abrir o alçapão sob o qual minhas magoas secretas e meus medos sombrios espreitavam. Confrontar a vergonha e a culpa.
Apesar da limpeza que ainda faço sempre e sempre, fica uma pergunta: É possível nos livrarmos de todos os demônios e duvidas de toda nossa memória dolorosa e energia negativa?
Tenho ido em frente, mas sei que poucos de nós tentaram essa imensa empreitada.
Amanhã tem mais
Fique na luz e no amor.
Ararêtama uma


publicado por araretamaumamulher às 12:08 | link do post | comentar | favorito

1 comentário:
De Hachi a 8 de Setembro de 2009 às 04:59
Gostei muito dos teus blogues e concordo em seguirmos ambos os blogues mutuamente. Parabéns e continua a escrever :)


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