Sexta-feira, 4 de Setembro de 2009
Vivi esse padrão grande parte da minha vida. Tive uma infância marcada por agressões, abusos e humilhações, onde aprendi a esconder o meu medo, a minha culpa, na comida, no cigarro, nos pequenos roubos e mentiras. Em minha adolescência, o cenário foi mudado, mas o filme continuou o mesmo.
Aos dezessete anos engravidei, de quem na época pensava ser a minha tabua de salvação. “Mas minha tabua de salvação, não estava disposto a me salvar de nada, “apesar de me amar muito”..., então fiquei sozinha, grávida, tendo que enfrentar todo o tipo de preconceito e humilhação que existe em uma família tradicional e em uma cidade de interior.

Confusa, sem nenhuma orientação, sem apoio, carinho ou atenção de alguém, eu vi meu filho nascer, tentei ainda por três anos cria-lo. Mas de tanto ouvir o mal que eu lhe causava, o tanto que eu prejudicava a sua educação, eu desiste .
Quando minha irmã se casou, ela o levou e o criou, nunca tive mais nenhum contato mais próximo com ele, até hoje temos um relacionamento muito superficial.

Aprendi antes dos meus cinco anos que eu era porca, relaxada, mentirosa e culpada de tudo que estivesse errado ao meu redor. Carreguei essa programação por mais de quarenta anos dentro de mim. Todas as experiências que vivi durante esse período foram para, de alguma forma confirmar que eu realmente era tudo o que minha mãe e meu pai diziam.

Jamais senti ser digna, merecedora, de qualquer coisa boa, não era digna da alegria, da felicidade, de ter dinheiro, de ter um companheiro que me amasse e me respeitasse. Não era digna de ter um relacionamento saudável, transparente. Meu medo me levou até um psicopata.

Sentia-me como alguém que ninguém queria por perto. Isso me fez viver num circulo vicioso onde eu era agredida, e agredia, não fisicamente, mas nem por isso menos dolorido. Porque como não podia atingir quem eu queria eu atingia meus filhos. Pobres crianças... Eu não sabia o que estava fazendo, mas hoje tenho consciência que fiz. Eu sou responsável por isso na vida deles. Sei que fiz o que pude, naquele momento, mas sei que o que pude foi muito pouco.

Meu jogo predileto era o da coitadinha, pobrezinha que não conseguia parar de sofrer. “Há como eu sofria.” Era uma vitima, é não é fácil sair do papel de vitima, porque esse talvez seja um dos papeis mais confortáveis padrão de comportamento que existe.

Ninguém me entendia.

As pessoas baseiam suas vidas no amor, contudo ensinam a si mesmas a separar esse padrão de comportamento do amor. Mas o amor não vem do ato de aplacar ameaças em potencial. Ser bonzinho o tempo todo não faz com que os outros amem você, quando isso é dito preto no branco, a maioria de nós concorda, com essas afirmações. No entanto agimos como crianças impotentes. Aprender a crescer para além desse padrão não é fácil, mas é um traço comum de pessoas que vivem suas próprias historias.

Eu não tinha a menor idéia de que era uma pessoa desajustada. Eu não era má pessoa, e não me dava conta de que tinha motivos tortuosos para fazer as coisas que fazia, para agir ou reagir da forma que eu agia, ou reagia. Questões mal resolvidas, feridas não cicatrizadas e um considerável complexo de inferioridade me levaram a chegar ao fundo do poço.

Eu achava que estava ótima. Eu atraia a atenção dos outros para a minha vida criando dramas e crises, e depois ficava com raiva das pessoas não me socorrerem. Eu queria ser amada, queria reconhecimento, queria ouvir que eu era necessária. Na realidade eu queria que as pessoas me fizessem sentir bem com relação a mim mesma, que os outros reconhecem em mim o que eu não conseguia ver, mas queria muito ter. Quando elas não preenchiam minhas expectativas eu me sentia mais desvalorizada.

Não sabia que era eu que estabelecia o valor que recebi que determinava o meu preço, pelo que eu dava a elas. “Dando você recebe”

O reconhecimento de ter é a disponibilidade para dar, e só através dessa disponibilidade é que pode reconhecer o que tem.

Não se esqueça de que quando você pensa que esta se atacando, está ai o sinal seguro de que você odeia o que você pensa que é. Todas as s minhas escolhas eram feitas com base em algo de “mau” que eu fiz no passado, ao que eu me prendia. Na verdade era tanto mal que eu nem sabia em qual deles estava me baseando.

Fiquem em paz e na luz.

Ararêtama uma mulher

Maria de Fátima Jacinto


publicado por araretamaumamulher às 15:59 | link do post | comentar | favorito

1 comentário:
De Roberta Granada a 6 de Setembro de 2009 às 19:16
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