Sábado, 12 de Dezembro de 2009
Muitas vezes, o profissional que atende a mulher vitima de violência,
reproduz a situação de violência e vitimização vivenciada pela mulher, ao desqualificar a fala da mulher, ao adotar uma atitude de julgamento ou de indiferença, e ou ainda ao minimizar a situação de violência relatada.
Essas são as formas mais comuns:
• Minimizar o abuso, não levando em consideração a seriedade dos riscos que a mulher reporta;
• Culpar a vítima, perguntando o que a mulher fez para
Provocar a situação de violência ou perguntando “como deixou que ele fizesse isso como você?”
• Violar o sigilo, entrevistando a mulher na frente de membros da família, do parceiro ou chamando a polícia sem o consentimento da paciente.
• Não respeitar a autonomia da mulher agredida, impondo opções a vitima – como, por exemplo, o divórcio, terapia de casal, uso de ansiolíticos - sem considerar seus desejos e possibilidades;
• Ignorar a necessidade de segurança da mulher, não realizando uma avaliação de riscos com a mulher agredida.
O profissional que lida com a violência da mulher deveria esta apto a:
• Validar a experiência da mulher agredida – compreender e acreditar no depoimento da mulher.
• Respeitar o sigilo – as entrevistas devem ser realizadas sem a presença de familiares ou do parceiro, e em locais que garantam a privacidade.
• Reconhecer a situação de vitimização- é fundamental reforçar que a violência doméstica não é culpa da mulher.
• Respeitar a autonomia da mulher em situação de violência - o direito da mulher tomar decisões quanto a sua própria vida deve ser respeitada, cabendo ao profissional apenas orientá-la quanto aos recursos disponíveis.
• Promover acesso aos serviços disponíveis, tais como: casas-abrigo, delegacias, grupos de apoio, etc.
• Auxiliar a mulher no planejamento de estratégias de segurança, por meio da realização de avaliação de riscos.
Recomendações para os gestores:
Oferecer capacitação na atenção psicossocial à mulher em situação de violência
• Dada a complexidade do fenômeno da violência, faz-se necessário que sejam promovidas capacitações sobre a questão da violência contra a mulher, sob um enfoque de gênero.
• A capacitação deverá contar com aspectos teóricos conceituais sobre o conceito de gênero, violência contra a mulher, direitos humanos, impactos da violência na saúde física e mental das mulheres; assim como com situações vivenciais e estudo de casos no sentido de discutir a assistência.
• Criar mecanismos para supervisão técnica da equipe envolvida na assistência - Ao lidar com pessoas em situação de violência, o profissional de saúde experimenta sentimentos e emoções que precisam ser reconhecidos e trabalhados em prol da qualidade do atendimento e do bem estar do (a) profissional envolvido (a).
• A equipe de supervisão técnica deve contar com especialistas na questão da violência de gênero e saúde mental.
Sugestão para o atendimento:
• Ajudar a mulher a estabelecer um vínculo de confiançaindividual e institucional para avaliar o histórico de violência, riscos, motivação para romper a relação, limites e possibilidades pessoais, bem como seus recursos sociais e familiares.
• Sugerir encaminhamento para atendimento psicológico individual, de acordo com a avaliação do caso.
• Estimular a participação em grupo de mulheres ou associações comunitárias com a finalidade de trabalhar as questões de gênero, poder, violência, fortalecimento da autonomia e formas alternativas de resolução de conflitos;
• Facilitar o acesso a uma rede de apoio social (trabalho,
(Moradia, etc.), buscando incluir a mulher e elevar sua condição de cidadania;
• Sugerir encaminhamento a órgãos competentes, tais como unidades de saúde da família e hospitais e maternidades de referência, SOS Mulher, Delegacias da Mulher, Instituto médico Legal, disque-denúncia, casas-abrigo, Defensorias Públicas, entre outros.
• Ajudar a mulher a estabelecer passos graduais, concretos e realistas, construindo em conjunto um mapa dos recursos e opções disponíveis.
• Avaliar, junto com a mulher, os riscos reais que ela corre no momento de tomar qualquer decisão (denunciar, afastar-se do (a) agressor (a) ou voltar para o seu convívio, (etc.). Algumas perguntas podem ser feitas com este propósito: O companheiro possui arma em casa? Você já foi ameaçada de morte? A violência vem aumentando nos últimos meses?
• A partir da avaliação dos riscos, deve-se desenvolver,
Junto com a mulher, um plano de segurança, que inclua orientações diversas, tais como: 1) que a mulher busque uma pessoa de confiança para relatar a situação que está vivendo e pedir apoio; 2) que a mulher combine com uma vizinha algum sinal que indique necessidade de ajuda; 3)
que a mulher mantenha cópia da chave de casa, documentos e algum dinheiro em lugar seguro, fora de casa; 4) que a mulher mantenha uma bolsa com roupas ou objetos de uso pessoal, a serem utilizadas numa situação de
fuga.
• A mulher em situação de violência doméstica é, por vezes, encaminhada ao psicólogo sob o rótulo de um diagnóstico psiquiátrico. São as pacientes ‘poliqueixosas’, ‘histéricas’, ‘ansiosas’.
• A primeira função do psicólogo é investigar a história de vida da paciente, de forma a melhor compreender a complexidade da situação da mulher, ao invés de contribuir para a patologização ou psicologização da queixa da mulher.
• A violência acarreta agravos à saúde mental , mas não deve ser considerada como uma questão meramente psicológica. A violência doméstica é, ao mesmo tempo, um problema pessoal e uma questão sócio-cultural, que tem por base a questão de gênero.
• Não há fórmulas quanto ao atendimento psicológico, é possível utilizar
diferentes referenciais teóricos para o atendimento da mulher em situação de violência. O que se torna imprescindível o psicólogo.
É importante que o terapeuta trabalhe, em grupo ou individualmente, os sentimentos de culpa, medo, raiva, e a auto-estima das mulheres em situação de violência. Segundo Dutton (1992), o trabalho terapêutico deve objetivar: o aumento da segurança, o empoderamento da mulher e a ‘cura’ do trauma psicológico acarretado pela situação de violência.
• Como vantagens do trabalho em grupo, podem-se citar: favorecer o empoderamento das mulheres; fazer uma conexão entre o mundo privado/público e eliminar o situação de isolamento vivenciada pela mulher; por meio do compartilhamento de experiências.
Não patologize a mulher, considerando-a como masoquista ou desconsiderando as dimensões de gênero presentes no fenômeno da violência.


publicado por araretamaumamulher às 17:41 | link do post | comentar | favorito

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