Terça-feira, 15 de Setembro de 2009
Conselho da Mulher em Rondonópolis


Estivemos conversando com a Presidente do conselho da Mulher de Rondonópolis, Sandra Raquel Mendes.
Sandra não foge a regra, todas as mulheres que conheço que “compraram a briga”, é porque de alguma forma sofreram violência.
Hoje Sandra realmente trabalha em prol de fazer com que nós mulheres, tenhamos uma vida digna, e honrada. Se preocupando não só com a violência, mas também com o abandono, ou até mesmo com o fato de não termos em Rondonópolis uma cadeia feminina.
Apesar das condições precárias de suas instalações, o Conselho da Mulher de Rondonópolis está fazendo valer nossos direitos perante a sociedade.
Não temos ainda uma casa de abrigo, a vitima em situação de ameaça, dependendo das entidades beneficentes, que nos ajude a acolher a mulher que teve a coragem de denunciar o agressor, isso está muito longe de ser o ideal.
Mas Sandra não para está sempre procurando à melhor forma de adequar as condições que tem as exigências do momento.
Hoje o conselho da mulher está criando um projeto de prevenção, será começado a fazer nos bairros de Rondonópolis, uma capacitação de alguns moradores, para que eles possam está atuando junto a suas comunidades, como conselheiros e mediadores.
Fazendo assim um trabalho de prevenção, e de educação.
Sim educação, volto a afirmar, essa é a única via para acabar com a violência doméstica.
Porque hoje não temos mais o problema de não termos uma lei que nos proteja. Nós temos uma lei que nos protege. Hoje nós temos o problema que a grande maioria das mulheres que sofrem violência em seus lares, prefere a lei do silêncio a Lei Maria da Penha. O medo sela nossos lábios, o medo nos paralisa, o medo nos faz ver fantasmas, onde eles não estão.
E medo é uma coisa que não falta a uma mulher em estado de violência: Ela tem medo que seus filhos e ela fiquem desamparada, ela tem medo de ser assassinada, ela tem medo e vergonha da opinião publica medo e vergonha da sua família, de seus amigos, da sociedade em que está inserida. Ela se sente isolada em sua dor. E seu agressor lhe parece ser uma pessoa muito, mais muito poderosa mesmo. É assim que as grandes maiorias das mulheres em estado de violência se encontram.
Hoje eu estava dizendo a Sandra, que quando um agressor diz diante de uma delegada ou mesmo de um juiz, que sua mulher está com problemas mentais, talvez está seja a única verdade que ele esteja dizendo. Como ela não vai ter problemas mentais? Ela está vivendo com um monstro. E parte dela sabe disso, e outra parte que quer se livrar do problema, mas tem também aquela voz que diz que ela não é capaz de se manter, de manter seus filhos, que vai perder a família, os amigos, que a sociedade vai lhe virar as costas.
Agora o mais triste, seus amigos, sua família, e a sociedade, com raras exceções vão realmente te virar as costas, vão muito provavelmente ficar com o lado mais forte da situação, e não tenha a menor duvida que não será o seu lado.
Mas você terá apoio de pessoas que você jamais imaginou que teria.
Hoje em Rondonópolis, apesar de todas as dificuldades que enfrenta o Conselho da Mulher, está preparado, para te ouvir, para entender o seu problema, para te orientar.
Temos vinte e oito conselheiras, preparadas, para entender o que está ocorrendo com você, sem fazer nenhum julgamento.
Ninguém vai parar uma investigação porque seu agressor é o fulano ou o sicrano.
O Conselho da Mulher quando acionado, acolher qualquer denuncia. Citamos o caso de um político de nossa cidade, conhecido há muitos anos pelos atos de violência que cometia contra sua ex-mulher. E o Conselho assim que recebeu a denuncia formal, tomou todas as atitudes cabíveis ao caso.
E isso que a Maria da Penha sempre sonhou, que nós mulheres, tivéssemos alguém que nos ouvisse, que nos desse as mãos, sem nos julgar.
Antes, quando você entrava em uma delegacia da mulher para fazer uma denuncia, está se ariscando a ser presa no lugar do agressor. Eu estou falando porque foi assim que aconteceu comigo há uns quinze anos atrás, quase que eu fiquei presa.
A mudança é radical, nesse quesito. Temos hoje todo apoio, temos a garantia de nossas vidas, de nossa integridade física, psicológica, e principalmente, temos a orientação psicológica, que no nosso caso é de suma importância.
Denuncie Ana Maria Bruni costuma dizer: “O silêncio é o trovão dos omissos”.
Omitir significa condenar há você e aos seus filhos a uma vida de medo, e violência.
Amanhã falamos mais.
Fique na paz e na luz.
Araretama uma mulher


publicado por araretamaumamulher às 14:25 | link do post | comentar | favorito

1 comentário:
De Loan a 17 de Setembro de 2009 às 15:37
Triste essa realidade... mas aos poucos vai mudando... belo trabalho o seu, Maria.


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