Sábado, 17 de Outubro de 2009
“A doença emocional de uma pessoa significa sempre, de uma forma ou outra, que foi criado um eu - máscara. A pessoa não percebe que está vivendo uma mentira. Ela construiu uma camada de irrealidade que nada tem a ver com eu ser real; assim, ela não é fiel á sua verdadeira personalidade. Ser fiel a si mesmo não quer dizer que você deva ceder ao seu inferior, e sim que deve estar ciente dele... Por baixo das camadas do eu inferior vive o Eu Superior, a realidade última e absoluta que você algum dia alcançará.
E para alcançá-la, é preciso em primeiro lugar encarar o eu inferior, a sua realidade temporária, em vez de encobri-la, porque isso resulta em impor uma distância ainda maior entre você e a realidade absoluta, ou Eu superior. “Para encarar o Eu superior, você precisa destruir as falsas aparências do eu - máscara.” Palestra do Guia Patchwork n14
O eu - máscara é a camada exterior da personalidade, o eu com o qual nos identificamos superficialmente, a face que mostramos ao mundo. É o eu que achamos que deveríamos ser, ou que gostaríamos de ser, com base em imagens mentais idealizadas. É uma identidade forçada que reprime enormes partes da personalidade. A falsa aparência da máscara nos aparta da realidade de tudo o que somos o tempo todo.
Todos nós somos fisicamente feridos na infância; fomos vistos e amados imperfeitamente. A máscara é o eu que construímos para esconder a criança vulnerável e ferida que fomos um dia. Ao colocar um falso eu entre os outros e a nossa vulnerabilidade interior, procuramos impedir o contato próximo demais com os outros, que poderia nos expor outra vez á possibilidade de sermos feridos, como na infância. É o nosso modo de tentar controlar a vida.
Criada como reação à dor e á rejeição, a máscara se destina a tentar agradar, afastar ou controlar outras pessoas. Quando estamos no eu-máscara, nossa atenção se volta para a forma como vamos reagir aos outros, e assim cortamos a ligação com a fonte interior. O eu - máscara nos separa da energia do eu real e espontâneo, tanto negativo como positivo. Quando estamos no eu - mascara, culpamos os outros pelas nossas desgraças, em vez de assumirmos a responsabilidade pelo que sentimos. Assim a máscara produz a crença na nossa vitimização, o falso conceito de que outra pessoas é responsável pela nossa felicidade ou infelicidade.
Por baixo da máscara está o eu - inferior – a fonte de negatividade e destrutividade dentro de nós. Nossa negatividade é a verdadeira causa da nossa infelicidade. O eu inferior normalmente é inconsciente, no todo ou em parte, porque é difícil admitir a negatividade. Na infância, fizeram-nos sentir vergonha do eu inferior, e tínhamos medo de que a honestidade sobre os sentimentos negativos provocasse a rejeição por parte dos nossos pais. Dessa forma, encobrimos esses sentimentos com uma máscara que, conforme esperávamos, seria a garantia de receber amor.
A máscara tem certa semelhança com o fariseu da época de Cristo - uma exibição de falsa bondade, poder ou respeitabilidade. Cristo sentia uma atração muito melhor pelos pecadores, em quem percebia a autenticidade. As imperfeições deles não eram nem negadas nem justificadas; seus defeitos e sua dor eram muito mais visíveis e, assim seu coração era mais acessível. Cristo sabia que é preciso reconhecer o eu inferior, ou o pecador, antes de ser possível transformar seu potencial criativo. Nosso Eu - superior, nossa consciência de Cristo, também aprenderá a acolher o “pecador” interior, depois de tirar a máscara hipócrita do fariseu.
A máscara tem raízes no dilema da dualidade humana. Toda vida humana contém dor e prazer, decepção e satisfação, infelicidade e felicidade. Como bebês e crianças, éramos extremamente vulneráveis á experiência da decepção, da rejeição e da incompreensão – verdadeira ou imaginária. Procurar meios de escapar dessas dores e proteger-se contra futuras mágoas é uma reação humana instintiva.
A experiência mais dolorosa para a criança é ser rejeitada pelos pais ou ser invisível para eles. Pode ser uma rejeição especifica e dura, ou uma atitude prolongada e persistente de não amar e não ver os filhos. Também pode ser apenas um castigo, um distanciamento temporário. Pode ainda ser uma situação que, na realidade, pouco ou nada tem a ver com a criança como o divorcio, por exemplo. Mas a criança sempre se culpa pela rejeição, punição ou retraimento dos pais. Ela presume que o genitor “vai embora” devido á “maldade” dela. A criança, então, tenta desesperadamente negar ou reprimir qualquer coisa nela que pareça ter contribuído para a recusa do amor ou da preocupação dos pais.
A criança leva mais longe essa falsa concepção de que a aprovação dos pais é crucial para a sua sobrevivência. Assim, ela acaba acreditando que é mais seguro negar tudo aquilo que existe nela e que pareça provocar a rejeição e desaprovação dos pais. A criança, então assume o papel que, segundo espera, lhe trará a desejada aprovação ou, pelo menos, a invulnerabilidade. “A auto-imagem idealizada passa dessa forma a ser a pseudo-solução do problema da suposta ‘maldade”.
Nenhum adulto, e, por conseguinte nenhum pai é capaz de amor perfeito. Portanto, sempre existe um fundo de verdade no sentimento de rejeição da criança. Mas a infelicidade e a falta de segurança e auto-estima que a criança sente nunca pode ser medida objetivamente. O que uma personalidade pode agüentar muito bem na relação com os pais pode ser arrasador para outro temperamento.
A imagem é uma falsa conclusão ou generalização sobre a vida. A auto-imagem idealizada (ou mascara) é uma falsa fachada ou tentativa de mostrar um quadro genérico perfeito do que achamos que deveríamos ser. Tanto a mascara como as imagens são decorrentes da tentativa de evitar, no futuro, determinadas mágoas reais e especificas do passado. Assim os sentimentos do presente, e as pessoas e circunstancias reais do presente, são substituídas por um retrato genérico e irreal da realidade, derivado das conclusões ou generalizações baseadas no passado Quando estamos presos as imagens vivemos as idéias sobre o passado, e não a realidade do presente.


publicado por araretamaumamulher às 17:31 | link do post | comentar | favorito

4 comentários:
De Ebrael Shaddai a 17 de Outubro de 2009 às 19:04
Nuito bom o post!! Eu preciso melhorar na hora de cobrar de meu filho e pretsra mais atenção, ao invés de já largar a bronca!! Eu preciso ficar mais calada, ceder mais nos pedidos dele pra ver no que vai dar uma coisa que conceda a ele.

Obrigado pelas dicas!!

Bjs!!


De amigodcristo a 17 de Outubro de 2009 às 20:10
Maria de Fatima paz seja contigo!!!
Que texto magnifico, pautado e prenchido com uma fonte de reflexão interior que muito edificante para nos levantar a auto estima, como também como nos auxiliar em novos caminhos em buca da paz, eu ja experimentei do amrgo fel dessa reclusão interior, e confesso é um periodo muito dificil, e consegui encontrar aluz de volta em cristo, amiga paz seja contigo e um bom fim de semana!!!


De Eliane Jany Barbanti a 22 de Outubro de 2009 às 05:08
Òtimo blog. Parabéns!!! Agradeço sua visita ao Louvor a Deus e por tornar-se nossa seguidor.
Paz e graça com o Senhor.
Beijo no coração.
Eliane


De Nanda Botelho a 6 de Novembro de 2009 às 09:06
Acredito que a máscara serve para sobrevivermos por um tempo, é uma casca protetora, depois de adultos já mais fortalecidos começamos o processo de retirá-la, pedaço por pedaço, deixando a face original aparecer de novo.

Concordo com vc e aprecio essa ideia.Trabalho com isso retirando máscara.

O amor engloba, acolhe, então podemos pegar essa parte criada e transformá-la apenas no recipiente do vazio primeiro!

Bjão!


Comentar post

mais sobre mim
Maio 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
13
14
15

16
17
18
22

23
25
26
27
28
29

30
31


posts recentes

Característicos da violên...

As situações de violência...

Fatores que contribuem pa...

As (in) visíveis seqüelas...

As consequencias das agre...

Nunca vou compreender ist...

eu tenho uma dor dentro d...

Ainda me lembro quando es...

Ser mãe é padecer no para...

Mulheres, cuidando da cas...

arquivos

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

tags

a desvalorização da mulher

a morte de um filho

a mulher e acultura da desvalorização

agressão da mulher

agressão psicologica

agressor

amor

anorexia

aprendizado

baixa auto estima

baixa auto estima origem da dor.

baixa auto-estima

beleza

bulimia

circulo vicioso.

como agir em caso de violência

comotratar a violência

comportamento machista

consentimento silencioso.

criança ferida

cristianismo e o preconceito ao feminino

crueldade na familia

culpa

denuncia

depressão

desejo sexual

deus

dia da mulher

direitos humanos

direitos humanos para a mulher vitima.

dor

dor humilhação

educação

educação de filhos

emoções

envelhecer

falta de amor

familia

familia desestruturada.

feminismo

filho

gordura

humilhação

infância

infancia de dor

inveja

lar

lei maria da penha

luto

machismo

mãe

manipulação.

máscara

medo

medos

menopausa

mentira

mídia

mídia especializada

mitos verdades

morte

morte de um filho

morte prematura

mulher

mulheres

mulheres violentadas.

oração

orgulho

patriarcado

perda

perda de um filho

perdão

perversão

preconceito

rede social

relacionamentos

sagrado

silencio

silêncio

sociedade

sociedade machista

solidão

sonhos

suicidio

velhice

verdade

vergonha

violência

violencia

violência aceita

violência contra a mulher

violência da mulher

violencia da mulher

violência doméstica

violência emocional

violencia emocional

violência psicologica

violência sexual

vitima

vitimas de violencia.

todas as tags

blogs SAPO
subscrever feeds