Sábado, 14 de Novembro de 2009
Apartir de hoje tentarei fazer sempre um post, explicativo do que realmente é a violência dentro de um lar, para que as pessoas possam entender o que se passa em um lar violento


Infelizmente, quase todos nós conhecemos mulheres que são física ou emocionalmente abusadas pelos companheiros. Desde a vizinha que se queixa de levar uns tabefes quando o marido bebe demais, até a moça bonita e inteligente que ninguém percebe por que é que não se separa do namorado que a insulta á frente de todos. Aos olhos de familiares e amigos, bater com a porta é o único caminho que faz sentido, mas também o mais fácil. Quem trabalha em contexto clínico com estas mulheres sabe bem que quando se fala numa ruptura com um companheiro agressor não se trata de uma decisão simples, mas antes de um processo complexo, que envolve muito mais do que a segurança está em jogo.
Os anos de abuso físico e/ou emocional afetam a percepção das vitimas acerca dos limites, o que as leva a hesitar muitas vezes entre a separação e a manutenção da relação. Às vezes experimentam sair de casa, mas sentem-se emocionalmente ligadas ao companheiro, vê-no como parte do seu projeto familiar, como o pai dos seus filhos, e a vontade de voltar a ver a família unida fá-las regressarem. Em outros casos, mantêm-se em casa, mas sentem-se emocionalmente distantes do cônjuge.
Nestes processos, marcados por grande ambivalência, é possível identificar diferentes fases. No princípio, a mulher reconhece que o companheiro não é carinhoso, nem se preocupa (como deveria) com o seu bem-estar, ou com a estabilidade emocional das crianças envolvidas, mas sente-se ainda emocionalmente ligada ao seu casamento. Numa segunda fase a mulher começa a sentir-se emocionalmente desligada da sua relação – nesta altura é possível ouvi-la queixar-se, ou até a manifestar algum desprezo pelo companheiro dizendo coisas como “Deixei de me preocupar com ele” ou “Já não quero saber”. Numa terceira fase, normalmente marcada por abusos freqüentes que podem estender-se às crianças, a mulher começa a considerar a hipótese de deixar o marido. Pode até programar alguns esforços no sentido de procurar um local onde possa ficar, ou colocar algum dinheiro a parte. Só numa quarta fase passa verdadeiramente à ação, com a tentativa de sair de casa. Mas, mesmo aí, o processo pode ser marcado por avanços e recuos. Por maior que seja a mágoa, as emoções não deixam de estar envoltas em dúvidas e, não raras vezes, para desespero das pessoas que se preocupam com o seu bem-estar, a mulher manifesta vontade de voltar a relacionar-se com o agressor. A quinta fase, chamada de manutenção da decisão, implica que a mulher esteja há pelo menos seis meses afastada do agressor. Ainda assim, e em função das investidas do ex-marido, muitas vezes ocorridas quando das visitas aos filhos, a ambivalência pode prolongar-se durante muito tempo.
Ainda que para quem esteja de fora à segurança e a estabilidade constitua valores imprescindíveis, capazes de suplantar qualquer esboço de amor que ligue estas mulheres aos seus agressores, a verdade é que o arrastamento do processo de ruptura é realmente complexo. O agressor pode tomar decisões, fazer ameaças ou tentativas de manipulação usando os filhos como joguetes e condicionando as resoluções da mulher. Todos nós sabemos que, em nome do suposto bem-estar das crianças, muitas mulheres são capazes de (quase) tudo.


publicado por araretamaumamulher às 12:42 | link do post | comentar | favorito

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