Quinta-feira, 18 de Março de 2010








Os casos de violência doméstica dizem respeito a todos.
Deixaram de ser assunto privado, passaram a ser considerados crime público, um atentado 
aos direitos humanos.
Designa-se por “violência doméstica” todo o tipo de agressões que existem no seio de uma 
relação familiar,dentro do lar ou espaço simbólico representado pelo lar (relações de 
vínculos consangüíneos, de afetividade, de afinidade ou de amizade). O agressor se vale da 
condição privilegiada de uma relação de casamento, convívio, confiança, amizade, namoro, 
intimidade, privacidade que tenha ou tenha tido.
Não é necessário que aconteça dentro do âmbito do lar, mas sim que ocorra entre pessoas 
que mantém vínculos permanentes de parentesco e amizade.
Diferente da violência cometida por estranhos, pois volta a repetir.
A violência doméstica atinge crianças, mulheres, idosas, deficientes ou doentes. Também 
se registam outros casos de violência doméstica, como em casais homossexuais e em 
casais heterossexuais em que a vítima é o homem.
No entanto, é nas mulheres que se concentram os esforços de erradicação da violência 
doméstica porque é sobre elas que recai a esmagadora maioria dos casos de violência. Ela 
vem da escalada dos conflitos que naturalmente ocorrem entre todas as pessoas, mas, 
quando mal gerenciados, podem enveredar para ataque, tanto moral como físico.
Nos casos de violência psicológica e moral,  a auto-estima da mulher é atingida por 
agressões verbais constantes: ameaças, insultos, comparações, humilhações, ironias, ou 
então, a mulher é proibida de se expressar, estudar, sair de casa, trabalhar, escolher o que 
vestir. Essa forma de violência é, em geral, mais sutil, mas não menos prejudicial, pois 
enfraquece a capacidade de reagir ante a agressão.
A violência física é feita por meio de socos, empurrões, beliscões, mordidas, chutes, ou atos 
mais graves, como queimaduras, cortes e perfurações feitas com armas brancas ou de 
fogo, podendo chegar à morte.
Fases do ciclo de violência doméstica

1 – Fase de “acumulação de tensão”
A irritabilidade do homem vai aumentando sem razão compreensível e aparente para com a 
mulher. Intensificam-se as discussões por questões irrelevantes e as agressões verbais.
2 – Fase de “explosão violenta”
O homem descontrola-se e concretiza os atos violentos. Insulta e bate na companheira, atira 
e parte objetos, embebeda-se, permanece calado vários dias, agride emocionalmente. O 
homem trata de demonstrar a sua total superioridade em relação à mulher.
3 – Fase da “lua-de-mel”
Na verdade não é correto chamar a este período de “lua-de-mel”, já que este bom momento 
pode não ser tão idílico: “ele” decide quando começa e quando é que termina. Pode ser o 
tempo mais difícil para a mulher, que se sente confusa e desorientada.
Seria mais adequado chamar-lhe período de “manipulação afetiva” porque o agressor se 
sente contrariado depois de cometer o abuso.Neste momento de “desdobramento 
emocional”, sente remorsos pelas suas atitudes. Pede perdão, chora, promete mudar, ser 
amável, bom marido e bom pai. Esta atitude costuma ser convincente porque o agressor se 
sente culpado. A vítima tende a acreditar numa mudança.
4 – Fase de “escalada e reinício do ciclo”
Uma vez perdoado pela companheira, começa de novo a fase da irritabilidade, a tensão 
aumenta e termina a fase relativamente agradável. Quando ela tenta exercer a autonomia 
recém-conquistada, ele sente de novo a perda de controle sobre ela. Tem início uma nova 
discórdia e com ela o reiniciar do ciclo da violência.










Algumas questões:

Como se reconhece um agressor?
Se inflige maus tratos físicos ou psicológicos não há dúvidas. Mas pode ser detectado muito 
antes de chegar a esta fase. São homens, fundamentalmente possessivos que exercem 
muito controle sobre a mulher: se entra, se sai; com quem vai; como veste; quanto dinheiro 
gasta; se faz ou recebe chamadas – seja de amigos ou familiares – e que a desvaloriza, 
desautoriza ou insulta em público. E inclusivamente antes, na fase de namoro, há sintomas 
que podem ser um alerta para a mulher: antecedentes de condutas violentas com outras 
mulheres, familiares ou amigos; acessos de cólera repentinos e sem sentido; atitudes de 
crueldade (por exemplo com animais); falta de arrependimento ante os seus próprios erros, 
uma forma de pensar excessivamente rígida, convencido de que está sempre do lado da 
razão…
O que é o síndrome da dependência afetiva?
É um nexo emocional que impede a vítima de se separar do seu agressor. É muito frequente 
em mulheres maltratadas que vivem isoladas porque o agressor não as deixa relacionar-se 
com ninguém. Ele é todo o seu mundo, é o pai dos seus filhos, ela continua a acreditar que 
o ama. Uma espécie de síndrome de Estocolmo que a leva a justificar e perdoar 
continuamente as agressões e vexames do seu agressor e lhe paralisa a capacidade de 
agir e romper com a relação violenta.
Bate-me mas depois pede-me perdão, jura que me ama e que vai mudar. É possível?
Não. As promessas de mudança são mais uma fase do ciclo da violência. Um homem bate, 
maltrata, pede perdão, inclusivamente oferece prendas. Fica calmo um certo tempo, depois 
repete os maus tratos e volta a pedir perdão. De cada vez as temporadas tranquilas são 
mais curtas. Regra geral, os agressores não mudam os seus comportamentos violentos.
É possível reabilitar um agressor?
É possível, segundo especialistas que trabalham em terapias de reabilitação de 
agressores. Mas o êxito da reabilitação requer várias condições: que o agressor se 
reconheça como tal, que tome consciência dos efeitos do seu comportamento e mostre 
motivação para mudar a sua atitude. Em muitos casos a reabilitação é impossível porque o 
agressor perde toda a capacidade de racionalizar os seus comportamentos e de se 
responsabilizar por eles, tornando-se num potencial homicida de grande periculosidade, 
que persegue a mulher mesmo após muitos anos de separação ou divórcio.
A reabilitação do agressor deve ser acompanhada de um programa paralelo de proteção da 
vítima, que por vezes obriga a sua mudança para outra cidade ou país.

Como a violência doméstica afeta as crianças?
‘‘A violência doméstica é uma epidemia que contamina todo o tecido familiar. Estatísticas 
mostram que homens que espancam suas parceiras também são violentos com as 
crianças dentro de casa’’, explica a psicóloga Maria Luíza Aboim.
Estudo feito entre 2000 e 2001 pelo Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de 
Medicina da Universidade de São Paulo mostrou que os filhos de 5 a 12 anos criados em 
famílias em que a mulher é submetida à violência apresentam mais problemas, como 
pesadelos, chupar dedo, urinar na cama, ser tímido ou agressivo. Na cidade de São Paulo, 
as mães que declararam violência relataram maior repetência escolar de seus filhos de 5 a 
12 anos; e na Zona da Mata de Pernambuco houve maior abandono da escola.
O que se pode fazer para prevenir a violência doméstica?
Mudar os estereótipos e valores vigentes. A violência é uma realidade social e cultural: ao 
longo da história – e ainda hoje – o homem foi identificado com a força e a mulher com a 
submissão.    Mudar os estereótipos atuais supõe uma intervenção de longo prazo, a 
começar na educação das crianças e jovens como forma de investimento social na criação 
de uma nova mentalidade, de respeito pela igualdade. Essa sensibilização visa esclarecer a 
população sobre as diversas manifestações da agressão doméstica. “Culturalmente, ela 
está banalizada. Desqualificar, ofender e ameaçar são formas sutis de agredir, mas com 
impacto psicológico muito sério para a mulher”, afirma Célia Regina Zapparolli, presidente 
da ONG Pró-Mulher Família e Cidadania, criada em 1977 com o objetivo de diminuir o 
impacto da violência doméstica e prestar atendimento às famílias.

Ajudando as vítimas
Escutar cuidadosamente a vítima, apoiando e acreditando nela, para que ela possa falar 
abertamente.
Ajudar a vítima a procurar apoio especializado, a fim de minimizarem os danos. Em geral, 
elas têm medo de buscar ajuda, entretanto, quanto antes os maus tratos forem identificados 
e resolvidos, maiores serão as chances de se evitar mais violências e danos.
Não pedir à vítima para ignorar ou esquecer o que aconteceu. Ela não pode simplesmente 
perdoar o agressor e deixar que a violência se perpetue. O perdão é necessário, mas o 
problema deverá ser enfrentado.
Nunca deixar a vítima pensar que é culpada pelo que aconteceu. A vergonha e a culpa estão 
entre os sentimentos mais comuns entre as vítimas de violência doméstica. Elas pensam 
que ninguém as pode compreender.
Se houver suspeita de maus tratos, não ignore. No interesse da vítima, investigue e procure 
ajuda.

Sugestões para as vítimas
Esteja preparada para a violência e tenha um plano de ação.   Por exemplo, corra para um 
canto e agache-se, protegendo o rosto e a cabeça, cobrindo-os com os braços e as mãos.
Não corra para onde seus filhos estão, pois eles podem acabar sendo feridos também.
Evite fugir sem os filhos, pois eles podem ser usados como chantagem emocional.
Ensine seus filhos a pedir ajuda e a fugir do local em caso de violência.
Evite locais onde haja armas. Jamais use armas contra o agressor. Ele poderá usá-la para 
atacá-la.
Mantenha uma agenda com possíveis contatos para pedido de ajuda, bem como busque 
um lugar de fuga em momentos críticos.   Deixe documentos e roupas em locais seguros, 
para fugas posteriores.
Não esconda o fato de que você é vítima de violência.
Procure ajuda, não se isole. Há pessoas que podem ajudá-la.



publicado por araretamaumamulher às 05:16 | link do post | comentar | favorito

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