Terça-feira, 3 de Novembro de 2009
No final dos anos 90, começa um movimento para a não aceitação da agressividade masculina, a Lei é fruto de uma luta que não é de hoje. Ela surgiu dos meios populares e teve muita força dos movimentos feministas. A Lei Maria da Penha cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, dando cumprimento, à Convenção de Belém do Pará, e também à Convenção para a Eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher, da organização das Nações Unidas (ONU).
Hoje estamos num patamar diferente, com um instrumento que busca dar à mulher medidas protetivas, ela veio ao encontro dos nossos anseios. Mas não quer dizer que a cultura não esteja ainda impregnada de desigualdade de gênero. A proposta desta Lei é que a pessoa deve ser protegida enquanto sujeito de valores fundamentais. Oxalá, essa Lei possa ser realmente um paradigma de transformação social. Nós temos no campo internacional várias ações que impelem ou recomendam o cumprimento da Lei. Temos também vários estudos mostrando que a violência contra as mulheres é a maior causa de doenças das mesmas.
É preciso mudar o olhar, capacitar as pessoas para abraçar esta Lei. Ela exige profissionais que tenham uma sensibilidade para com o problema. Que é de uma tal complexidade que a vezes me falta o ar em imaginar.

O grito da indignidade da violência contra a mulher é forte, mas a resistência em relação à Lei é também muito forte. Os participantes vêem que é fundamental trabalharmos em redes, favorecendo espaços de debates e reflexão. A mulher não tem muita entrada ou espaço de acolhimento que vai além da delegacia. Quais as respostas que o Estado está dando em relação à segurança da mulher? Nós temos que ser incansáveis nesta batalha, pois infelizmente o estado brasileiro é omisso. É importante que nós mulheres, tenhamos o conhecimento de seu conteúdo, para poder, juntas, cobrar das autoridades o seu efetivo cumprimento.
Temos visto profissionais que deveria estar capacitados para acolher a mulher e seus filhos que em uma situação dessas estão totalmente avariados, ficar do lado do agressor.
Não podemos deixar de levar em conta que todo agressor é um manipulador, se assim não fosse, não teria conseguido que a situação chegasse a um limite insustentável.
Temos também nossa cultura patriarcal, e machista. Quantas vezes já ouvi que alguém que apanha vinte anos é porque gosta de apanhar. Isso é uma forma simplista de colocar toda uma situação de total abuso. Ou melhor, isso é outro abuso.
Nossa sociedade se baseia muito nas aparências sociais, e grande parte dos agressores é psicopata, que sabem como manipular o seu favor a opinião da sociedade. Tudo isso deveria ser colocado para as pessoas que lidam diretamente com a mulher que sofre violência.
Essa mulher, já chega com um medo terrível, com a auto-estima lá em baixo, ou nula para sermos mais realistas, sem apoio, sem ninguém em quem possa confiar, e quando resolve confiar na justiça, se depara com o mesmo problema. Com pessoas que duvidam do que ela está relatando, que acham que está sendo exagerada, isso quando não depara com um machista que acha que a situação foi toda provocada por ela.
Os homens passam rapidamente da agressão verbal para a física... E a tensão cresce. Depois de uma grave agressão física vem a “lua de mel” e o ciclo vai se repetindo de forma mais curta.
Se a mulher entende que a harmonia familiar é estar juntos, sendo desrespeitada, agüentando bebedeiras e quebradeiras, vendo seus filhos violentados e sofrendo, estamos, então, diante do que chamamos de síndrome do seqüestrador, se a seqüestrada falar algo que irrite o violento, poderá morrer...

Assalto identitário, eu era bonita e veja agora... Eu sabia me comunicar agora me calei... Ela fica esperando que o outro devolva o que ela perdeu. Os espelhos nos quais ela se vê são partidos, não só os dentes e o corpo, mas também a alma.
Muitas mulheres que fazem a retratação não são por falta de empoderamento, mas sim pela grande baixa estima, às vezes também por pensar que ela pode resolver o problema e continuarem juntos, quase sempre impossíveis se o homem não reconhecer que é violento e não buscar ajuda
Quando se fala de violência no lar, a tendência é minimizar. Temos que nos conscientizar cada vez mais que não denunciar e não punir é dizer que estamos coniventes com esta situação.
O álcool pesa muito para a família. O álcool e a droga pesam, pois fazem parte de um quadro de violência expandida, todos sofrem. O homem alcoolizado submete mulher, pouco a pouco, a um crescente ciclo de violência, podendo chegar à morte. Cerca de 70% das agressões são ocasionadas pelo álcool, mas o álcool apenas reforça, potencializa aquilo que ele já tem, só deu a ele mais coragem para exercer a agressividade.
– o agressor é conhecido, morando na mesma casa ou não. As mães, em um lar violento, não conseguem educar os seus filhos. Os espaços individuais das mulheres diminuem e os filhos vão crescendo também violentos. Não conseguem educar na igualdade, a mãe faz algo e o pai bate às vezes na frente da criança, tirando-lhe total autoridade. É de fundamental importância a reeducação do agressor. Quando o agressor começa a tomar consciência de sua violência, começa então um processo de diminuição da mesma.
É importante que a mulher que denuncia tenha um atendimento personalizado, não na frente de todos. Falta muita sensibilidade nas delegacias para ouvir a mulher e levá-la para fazer exames de corpo delito. É preciso criar instrumentos para atender melhor a mulher vitima de violência doméstica. A Delegacia precisa de ajuda em todos os sentidos e também preparo, para lidar com casos tão delicados. Em geral, na Delegacia faltam medidas protetivas para a mulher que vai denunciar.
. É errado colocar frente a frente agressor e agredida. Crime da clandestinidade não é novo, mas podemos superar, os vizinhos podem ajudar delatando os agressores. Através de um estudo psicológico da criança, que não vai bem à escola, é possível perceber se ela está vivendo uma situação de violência. A sociedade precisa se unir e acabar com o mito de que em briga de marido e mulher não se mete a colher... Isto já não funciona. Este caldo de cultura patriarcal é visto e refletido nas relações familiares.

E um fenômeno social muitas vezes invisível que às vezes extrapola. Inicia-se com agressões invisíveis, atingindo a integridade moral, passando para lesões leves, porém de suma importância (numa delegacia diante de um roubo e uma mulher que aparece arranhada, vai dar prioridade ao roubo)
Enquanto a violência das ruas e o crime organizado são temas de muitas discussões cotidianas em todo planeta, a violência dentro da estrutura familiar é ainda quase que intocável. Protegida que está sob o manto do silêncio no “aconchego” do lar, a violência doméstica não tem fronteiras, princípios ou leis; não tem cor, raça ou classe.
Das cerca de 50% das mulheres do mundo, um bilhão já foi vítima de violência de gênero, cometida por seus parceiros. É por isso que mais do que doenças como o câncer de mama e de útero, mais do que a AIDS e seu crescimento entre as
Mulheres, mais do que a desigualdade de salários, o que mais preocupa as mulheres, segundo pesquisa CFEMEA [1], é a violência doméstica e a violência fora de casa (assédio sexual).
No que se refere à cidadania existencial, especificamente no caso das mulheres, os dados da violência continuam alarmantes, impedindo as suas vítimas do pleno exercício da cidadania, além do desprezo aos direitos e garantias individuais.
A violência de gênero ocorre diariamente em toda parte e em todos os países, mesmo havendo mecanismos constitucionais de proteção aos direitos humanos e/ou mecanismos legais.
As vozes silenciadas é que permitem comportamento que reforçam a violência, como por exemplo, os sacerdotes católicos da Croácia quando aconselham as mulheres que sofrem maus-tratos de seus maridos a se resignarem, pois, caso contrário, cometeriam um pecado.
Um bilhão de mulheres, ou uma em cada três do planeta, já foram espancadas, forçadas a ter relações sexuais ou submetidas a algum outro tipo de abuso.
Em um contexto de desigualdades e discriminações, a violência de gênero é sem dúvida uma violação sistêmica e sistemática dos direitos humanos e um obstáculo ao desenvolvimento econômico; social e democrático em todos os países.
Qualquer mudança de rumo começa dentro de nos mesmos!


publicado por araretamaumamulher às 12:10 | link do post | comentar | favorito

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