Terça-feira, 10 de Novembro de 2009
Todos nós estamos em algum ponto da vida presos ao poder dos fantasmas e demônios inconscientes. Todos nós temos segredos vergonhosos, crenças infantis na nossa maldade. E todos nós temos culpa adulta verdadeira pelos pecados cometidos por ação e ou omissão. Todos nós temos momentos em que fazemos, pensamos ou sentimos coisas que sabemos que são maldosas ou até mórbidas. Normalmente, estamos desligados da fonte do mal dentro de nós, e muitas vezes somos tentados a não assumir ou a justificar nosso negativismo.
Mais cedo ou mais tarde, porém somos levados a reconhecer que nós mesmos somos a origem das nódoas escuras que mancham o nosso mundo, a escuridão emana de nós.
O momento em que admitimos o nosso eu inferior é um momento sagrado que assinala um ponto decisivo na nossa cura. Recolhemos as projeções malévolas e hostis que fazíamos sobre os outros e, com simplicidade e humildade, acolhemos a escuridão como pertencente a nós. “Sim” dizemos “você pertence a mim. Aceito você como minha.” Nosso orgulho cede, nosso coração se abre. Quando conscientemente acolhemos o mal que vive dentro de nós, essa aceitação honesta corta pela raiz a infelicidade, que é a nossa separação espiritual em relação a Deus.
Achamos difícil termos um eu inferior e, mesmo assim, sermos dignos de amor, que podemos ser tanto bons como maus. Preferimos viver inconscientemente o roteiro do eu inferior como uma forma de defesa para não sentir as profundas mágoas da nossa infância imperfeita, a inevitável dor da nossa vida adulta e o desespero existencial de nossa separação em relação a Deus.
Também gostaríamos de estarmos acima da nossa intensa vulnerabilidade, de controlar a vida e os outros, de nos esquivar de sentir o desamparo primitivo e existencial. Mesmo que não tenhamos sido submetidos ao abuso explicito, todos nós abrigamos sentimentos de vitimização que usamos para justificar o nosso lado negativo. Resistimos à pura visão da nossa própria maldade, a chamá-la pelo nome correto.
Projetamos no outro a imagem do “inimigo”, o que nos permite trata-los tão mal, forçando-os a desempenhar um papel em nossos melodramas ocultos, em vez de respeitar a integridade que Deus nos concedeu.
No “Pai-nosso”, pedimos que Deus nos livre do mal. A interpretação dada a essa frase é que devemos voltar às costas ao mal, abstendo-nos de todas as suas manifestações. O resultado lamentável é que acabamos nos livrando da percepção do mal em nós mesmos e no mundo que criamos. Ao negar o mal em nós mesmos, nós o empurramos para baixo, onde ele cresce como um câncer nos recessos do inconsciente. Somente quando enfrentamos diretamente, trazendo-o para a luz da consciência, é que essa energia pode retornar sua verdadeira natureza original. Somente pelo esforço em aumentar a autoconsciência é que podemos realmente nos livrar do mal que criou raízes no inconsciente. l chegou à hora, no processo evolutivo, de enfrentar o eu inferior, e por meio da integração dessa percepção, resgatar tanto a nossa verdadeira humildade, como parte do todo da vida, como o nosso verdadeiro poder, como expressão individualizada da força vital universal.
“O preço a pagar por reconhecer e aceitar o aspecto destrutivo e mau do eu parece ser muito alto. Parece. Na realidade não é. Ao contrario, o preço da negação é enorme. – Na medida em que o mal é devidamente encarado, você se aceita, gosta de si mesmo, sente mais energia, amor e prazer mais profundo.” Palestra do Guia do Pathwork n184.
Eu sei o que é isso, porque vivi por muito tempo tentando fugir, do mal que existe dentro de mim. Para ser bem realista, às vezes ainda tento colocar a culpa no outro sempre é mais fácil, ao menos superficialmente do que assumirmos nossa responsabilidade.
O habito que se tornou responsabilizar o outro pelos nossos problemas não é fácil de ser deixado para trás.


publicado por araretamaumamulher às 12:21 | link do post | comentar | favorito

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