Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
A vida hoje me parece ter sido até aqui uma constante busca pela dor, pelo medo, pela humilhação e pelos maus tratos físicos. O auto desprezo eu sempre fui o meu maior carrasco. Não tenho nenhuma duvida quanto isso. Eu procurei as experiências que tive, por não me achar digna e merecedora de nada melhor, apesar de já ter lido toneladas de livros de auto-ajuda, eu não conseguia me ajudar.
Aniquilei o meu corpo, me entupindo de comidas, cigarros e deixei que meus dentes se acabassem, por não ame sentir digna de ser amada. Não me sentia digna nem de ser mãe dos meus filhos, sempre soube dos meus fracassos, mas sempre achei mais fácil fazer uma cortina de gorduras e fumaças em volta deles. Enquanto esperava por um milagre que faria com que todo o meu ser se transformasse em luz, sem que eu tivesse que olhar para o tamanho do buraco, a profundidade e sua largura.
O terrível medo que sempre senti, da vergonha que teria que enfrentar caso um dia tivesse que me confrontar com meus defeitos que eu achava mais simples continuar daquele jeito.
Creio que podemos comparar nossa vida com a nossa geladeira, quando ficamos muito tempo, sem dar uma boa faxina ela começa a cheirar mal, às vezes guardamos uma coisa lá dentro e até esquecemos, só nos lembrando quando sentimos o mau cheiro. Ai precisamos nos dispor de tempo e boa vontade para dar uma boa limpeza, porque se assim não fizermos dentro em pouco toda a casa estará cheirando mal, e se ainda assim não tomarmos nenhuma providencia, até a vizinhança vai sentir o mau cheiro de nossa geladeira. Assim é com nossa vida, se não nos dispormos a ver o que tem de podre, de estragado, de quebrado, a ver o que dá para ser concertado e o que tem que ser posto no lixo, chegará o dia em que ninguém suportará ficar próximo a nós.
Uma faxina dessas não é tarefa fácil, requer tempo e disposição. E muitas vezes não temos a disposição para encontrar o tempo que precisamos para fazê-la.
Achamos mais fácil, fazer de conta que não estamos sentindo o mau cheiro, que nada está errado, que tudo se concertará por si só. Essas são formas de fugas que usamos por acharmos que é mais fácil, e mais suportável viver da forma que estamos acostumados do que enfrentarmos nossos monstros internos.
Enxergar quem realmente somos, só e difícil até começarmos, depois que temos a coragem para olharmos a primeira vez com consciência, começamos a perceber que o medo e a vergonha não tem porque existir, ai as coisas vão se suavizando e você começa a olhar de frente o outro, a não temer o que vão falar ou pensar. Mesmo porque como bem diz uma amiga: “O que você pensa a meuá respeito, é um problema só seu. Porque está saindo de dentro de você”
Mas não agimos assim até nos dispormos a nos conhecermos. Não precisamos nos dispor a mudar só temos que estar conscientes de quem somos as mudanças acontecem naturalmente, sem termos que fazer nada. Só o fato de tomarmos conhecimento de que temos um problema ou um defeito ou mesmo uma deficiência em uma área de nossa vida, e não mais sentirmos vergonha ou medo por isso, já estamos iniciando uma verdadeira transformação em nossas vidas.
O que eu gostaria que fosse diferente? O quanto eu quero que seja diferente? Porque eu quero que seja diferente? O que está incomodando em minha vida agora? Quais são os problemas que tenho comigo mesma com a vida e com os outros? Eles são sempre recorrentes?
Comece a se observar, isso não vai ser muito fácil de inicio mais depois você verá que fica fácil ver o que realmente está acontecendo.
Essas são perguntas cruciais para começarmos a transformação.


publicado por araretamaumamulher às 16:39 | link do post | comentar | favorito

1 comentário:
De LISON a 7 de Novembro de 2009 às 20:38
LISON.
Saudações!
Amiga,
Terminei de ler a sua matéria, excelente, como lhe é de praxe!
Um relato corajoso, honrado e acima de tudo decente... Ao que percebi você escolheu o caminho mais difícil para recomeçar a dura e cansativa caminhada rumo ao mundo que almejas construir. Tal posição demonstra de forma inequívoca o elevado caráter que a minha amiga é portadora.
Particularmente sou um admirador de pessoas que de espontânea vontade fazem a honrada opção, até porque as paredes tornam-se muito mais estreitas, as pedras mais pesadas e o lodo passa a fazer morada nos beiços da fortaleza. Porém, até onde sei, e já testemunhei um amigo que também fez a digna opção, em muito menos tempo conseguiu sair-se muito bem, construindo um mundo melhor, tanto a ele, como oportunizou repassando conhecimentos aos que lhe eram caros.
Assim, posso antecipadamente quase lhe afirmar que todos aqueles que passaram a ouvir o de voz fiel se deram muito bem, ao menos não precisaram se submeter ao julgamento diário do grande Tribunal da Consciência!
Aproveito a oportunidade para levar os meus mais sinceros votos de pleno êxito em todas as suas ações!
Parabéns pelo magnífico texto!
Abraços,
LISON.


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