Domingo, 4 de Outubro de 2009
Admita. Existe algo em sua vida que você vem tentando atrair, alcançar ou resolver e simplesmente ainda não conseguiu.
Não foi por não ter tentado. Você leu livros de auto-ajuda, assistiu filmes como O segredo e Quem somos nós?
Foi a seminários e fez varias outras coisas. Mas você continua dando murro em ponta de faca no que diz respeito a essa coisa (ou coisas) que você quer e simplesmente parece não conseguir.
O que está acontecendo? Por que você consegue atrair facilmente algumas coisas para a sua vida, mas continua com problemas nessa área? Afinal, a lei da atração funciona ou não funciona? Será que alguma coisa funciona de verdade?
Qual o real segredo?
O real segredo é que o seu inconsciente é bem mais forte do que você gostaria que fosse, é que enquanto você não conhecê-lo verdadeiramente, não tiver a coragem de realmente olhar para dentro de você, a culpa não deixará que você vá em frente. Alias não só a culpa, como também o medo, a inveja, a raiva, e principalmente suas imagens fixas, e a mascara que você tem que colocar todos os dias e noites, para que não veja a realidade.
Foi nos ensinado que devemos fugir do mal, que é feio sentir raiva, medo, ser pobre. Enfim tudo o que é negativo. Mas se não aprendermos a olhar verdadeiramente para o negativo, jamais teremos o positivo. A grande mentira é a de que: “Não podemos suportar uma dor intensa, nem uma prazer intenso.” Nós podemos sim suportar tanto a grande dor, como o grande prazer.


“A natureza humana é capaz de um mal infinito... Hoje, como nunca dantes, é importante que os seres humanos não subestimem o perigo representado pelo mal que espreita dentro deles. Ele é infelizmente, bastante real, e é por essa razão que a psicologia deve insistir na realidade do mal e deve rejeitar qualquer definição que o considere insignificante ou na verdade inexistente.” C. G. Jung


Você não é uma pessoa má. Eu não sou uma pessoa má. Contudo, o mal existe no mundo. De onde ele vem?
As coisas más que são feitas sobre a terra são praticadas por seres humanos. Nós não podemos pôr a culpa nas plantas ou nos animais, numa doença infecciosa ou em influências nefastas do espaço sideral. Mas, se você e eu não somos maus, que o é? Será que o mal reside apenas em outros lugares tais como a Alemanha nazista ou o império maligno da União Soviética stalinista?Ou será que ele habita somente os corações dos criminosos e dos barões das drogas, mas nãos das pessoas que conhecemos, e nem os nossos?
Será possível que ninguém seja mau, mas apenas desorientado?
Podemos nós realmente atribuir o horror do Holocausto, ou o sadismo de Idi Amin, ou a tortura sancionada pelo governo que acontece exatamente agora em muitos países, e que já aconteceu aqui, conosco, a uma mera desorientação? Essas palavras parecem inconsistentes e não basta como explicação.
Onde reside o mal? De onde ele surge?
E se começarmos a admitir que o mal reside em todos os seres humanos? Que o mal que existe no mundo nada mais é do que a soma do mal que existe em nós.
Mas “mau” é um adjetivo muito forte. A maioria das pessoas quer reserva-lo para os Hitlers e para os criminosos e se nega a aplicá-lo a elas mesmas. Será ele aplicável a você e a mim?
A primeira definição de “mau” dada pelo meu dicionário é: “moralmente repreensível, pecaminoso, maléfico. Essa definição torna claro que não é apropriado o uso da palavra para falar “dos males da doença e da morte”. Doença e morte são aspectos dolorosos da experiência humana, mas decerto não são “moralmente repreensíveis”. Por outro lado é correto tal adjetivo para falar da “maléfica instituição da escravidão”.
Eu já fiz coisas que são moralmente repreensíveis e tenho fortes suspeitas de que você também já fez. Todos nós temos falhas de caráter, todos somos mais ou menos egocêntricos, egoísta e mesquinho. E essas falhas de caráter levaram-me, muitas vezes a ser antipática, rancorosa, ciumenta, e a agir de forma que só contribuíram para aumentar o sofrimento no mundo. Mas isso az de mim uma pessoa má?
Você e eu certamente não somos maus em nossa totalidade ou nossa essência, mas temos o mal dentro de nós. Portanto, a palavra “mal” pode descrever um continuo de comportamento que vai desde a simples mesquinhez e o egocentrismo, num extremo, até o sadismo genocida do nazismo no outro. Aqueles dentre nós que habitam um extremo inferior do espectro podem ter o desejo de dizer que nada tem em comum com os assassinos do extremo oposto; contudo, será que não temos mesmo nada em comum com eles? Para usar o segundo daqueles sinônimos oferecidos pelo dicionário, não somos todos nós pecadores?
Há trinta ou quarenta anos atrás, a palavra “pecado” ainda era de uso comum, mas hoje (a não ser entre os fundamentalistas) ela praticamente não é mais empregada. Agora preferimos usar a terminologia da Psicologia que fala dos defeitos e falhas humanos, mas normalmente de uma maneira que põe a culpa alhures – nos pais ou na sociedade – por fazerem de nós o que somos. A mudança pessoal então ocorre quando compreendemos a origem da programação negativa que os outros nos infligiram, vivenciamos todos os sentimentos envolvidos (fundamentalmente raiva e pesar) e então perdoamos a fonte externa da nossa negatividade, da qual ainda sofremos. E isso é uma parte crucial do processo de transformação.
Contudo, na visão da psicologia nós perdemos algo que a velha idéia religiosa do pecado nos deu. A saber, que somos responsáveis pela nossa negatividade, pelos nossos atos e omissões. Ser responsável é muito diferente de ser culpado. Significa simplesmente reconhecermo-nos ás vezes como a origem da dor, da injustiça, e do descaso para conosco mesmos, para com os outros e para com o mundo.
Se eu posso admitir esse grau de responsabilidade – admitir que não sou apenas uma vitima do mal que há no mundo, mas que sou da minha própria pequena maneira, um iniciador de negatividade – então o que devo fazer a respeito? Como posso transformar o mal que existe em mim?
A religião tradicional nos dá preceitos morais a serem seguidos, tais como: “Faça aos outros o que desejaria que eles fizessem a ti” e “Ama a teu próximo como a ti mesmo”. Certamente nós podemos concordar que se todos pautassem a sua existência por essas regras áureas, o mundo seria um lugar muito mais agradável de viver. Eu não o faço e você não o faz. Se aceitarmos o principio como válido, por que é tão difícil segui-lo? Como posso mudar o meu comportamento? O que preciso fazer para tornar-me mais amoroso? Com demasiada freqüência a resposta da religião tradicional parece ser apenas: esforce-se mais.
Na religião tradicional, segundo as palavras de Carl Jung: “Todos os esforços são feitos para ensinar crenças ou condutas idealistas ás quais as pessoas sabem em seus corações que jamais poderão corresponder, e esses ideais são pregados por pessoas que sabem que eles mesmos nunca corresponderam, e nunca corresponderão, a esses elevados padrões. E mais: ninguém jamais questiona o valor desse tipo de ensinamento.”
As respostas da religião tradicional têm sido tão decepcionantes que muitas pessoas que
Antes teriam consultado um clérigo agora consultam um psicoterapeuta. A moderna psicologia tem sido bem-sucedida ao tratar com o problema do mal?
Essa é a pergunta que hoje quero deixar.
Fique na Luz e na Paz.
Fátima Jacinto
Uma Mulher


publicado por araretamaumamulher às 11:56 | link do post | comentar | favorito

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