Sábado, 28 de Novembro de 2009
Hoje acordei completamente infeliz. Em algum momento no decorrer dessa noite resolvi contar a verdade para mim mesma. Sinto-me sozinha, parece que existe dentro de mim um buraco negro que nunca vai ser preenchido.
Tenho a sensação de ter sido uma péssima mãe, completamente incapaz de compensar os meus filhos pelos anos de loucura a eles infligidos. A sensação de tristeza, confusão, desespero, a angustia com que tanto já me acostumei, começou a crescer como um fungo irritante em minha mente. Meus pensamentos foram se tornando vagos. E eu perdi a cabeça.
É o que chamam de insanidade temporária. Acontece uma coisa engraçada quando a gente enlouquece. Nós perdemos a cabeça. E eu perdi. Perdi a cabeça que me fez negar os fatos durante grande parte da minha vida. Perdi a cabeça que vivia cheia de distorções e meias verdades, de idéias alheias que alimentavam a minha infelicidade. Perdi a cabeça que tinha raiva da minha mãe, que odiava o meu pai, que se ressentia com os meus irmãos, que queria controlar qualquer coisa e qualquer um que penetrasse ou que pudesse de alguma forma me machucar.
Mas uma amiga chegou é identificou a minha confusão, minha raiva e loucura imediatamente. Essa amiga extremamente perspicaz chegou até a detectar uma vulnerabilidade ainda maior. O medo.
O medo de estar perdendo o controle. Medo de que os outros me julgassem. Medo que por algum motivo eu não me dispunha a explorar ou mencionar de estar sendo castigada, de que a morte do Vi era um castigo para mim, por não ter conseguido ser a mãe que ele precisava que eu fosse.
E mais importante essa amiga identificou, que por baixo de tudo isso há a necessidade de mudar. Ela sabe que eu estou vivendo uma crise fundamental em minha vida. Crise significa risco e oportunidade de crescimento. É um momento crucial que exige um coração ousado, uma mente forte e um espírito valente.
Pensando bem sei que tenho os três requisitos, não sou uma pessoa covarde, jamais fui, (na verdade não sou pra algumas coisas, porque pra outras sou até demais.). Mas às vezes a vida parece nos sobrecarregar com muito mais do que podemos, ou queremos suportar. Estamos amedrontados com todas as coisas que percebemos mais nos recusamos a aceitar.
Acreditamos que por termos nos recusado a aceita-las, perdemos o controle sobre elas. São por essa razão que as vemos em pesadelos ou em disfarces agradáveis naqueles que parecem ser os nossos sonhos felizes.
Pensamos que nada do que nos recusamos a acreditar poderá ser trazida a nossa consciência, porque achamos que isso é perigoso para nós.
A tensão do julgamento constante é praticamente intolerável. É curioso que uma capacidade tão debilitante tenha vindo a ser tão profundamente apreciada.
Todos nós consideramos o julgamento com medo, acreditamos, ou melhor, sabemos que um dia ele será usado contra nós.
É o medo do julgamento que nos faz retroceder, e pensar que todos estão contra nós.
O mundo é um teatro em que podemos escolher como atuar. Temos a vida toda para praticar e crescer. Mas não podemos esquecer que nem sempre acertamos.
Eu já fiz coisas que são moralmente repreensíveis e tenho uma forte suspeita de que você também fez. Todos nós temos falhas de caráter, todos somos mais ou menos egocêntricos, egoístas e mesquinhos.
Mas preferimos viver na superfície da vida, e a mente tem consciência apenas de alguns interesses e intenções, mais o corpo tem outras potencialidades, outros interesses.
Conhecer-se a si mesmo é realmente difícil, pois significa encarar muitas características pouco lisonjeiras. Significa uma busca continua, e infinita. O que sou? O que significa minhas reações? Será que minhas ações são apoiadas pelos meus sentimentos, ou será que eu tenho motivos por trás dessas ações que não correspondem ao que eu gosto de acreditar a meu próprio respeito?Tenho sido honesta comigo até aqui? Quais são os meus erros?
São essas e outras perguntas que quero responder aqui. Nesse blog eu vou contar a minha historia, não é uma historia romântica, é uma historia de abusos, de agressões, e erros graves, mas sempre que pergunto ao Espírito Santo de Deus o que devo fazer com a minha historia, tenho recebido como resposta que eu devo contá-la, porque isso vai ajudar muitas pessoas a se currarem e, eu a me curar também.


publicado por araretamaumamulher às 15:37 | link do post | comentar | favorito

3 comentários:
De Luciane a 28 de Novembro de 2009 às 17:26
Não sei o que ocorreu na sua vida para que vc se cobre tanto. Veja que o pior julgamento não é o de Deus, mas aquele que nós mesmas nos fazemos. Não se perca no mundo, mas também não se cobre tanto. Esse limite é tênue, e só vc poderá identificá-lo.
Dias melhores virão. Esteja certa disso.
Abraços
Luciane


De Luciane a 28 de Novembro de 2009 às 17:27
Não sei o que ocorreu na sua vida para que vc se cobre tanto. Veja que o pior julgamento não é o de Deus, mas aquele que nós mesmas nos fazemos. Não se perca no mundo, mas também não se cobre tanto. Esse limite é tênue, e só vc poderá identificá-lo.
Dias melhores virão. Esteja certa disso.
Abraços
Luciane


De Ebrael Shaddai a 29 de Novembro de 2009 às 07:53
A impressão que tenho é que seu destino tá incompleto, por isso esse vácuo, essa lacuna entre o ponto em q vc se encontra e o ponto (que talvez vc não saiba onde fica) onde deseja chegar.

Talvez seja pura impressão!!

Bjs Fátima!


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