Segunda-feira, 8 de Março de 2010

 

 As marcas são os hematomas; ou braços e narizes quebrados. São marcas na alma, um sentimento de medo da vida, de uma eterna prisão, um total convencimento de seu próprio sentimento eterno de desvalia.

As coisas começam de forma inocente. O ciúme durante o namoro, que até nos deixa orgulhosas, porque achamos que ele está cuidando de nosso bem estar. E se preocupando com o nosso bem estar. Algumas de nós percebemos o exato momento em que o príncipe vira sapo. E muitas de nós conseguem correr do sapo, mas outras entre nós sentimos mal, mas não conseguimos enxergar que somos vitimas de um abusador emocional, que estamos presas em uma teia de abusos emocionais, que vai destruir todos os nossos sonhos de uma família, vai destruir nossos filhos e até nossa capacidade de ação e reação.
Para nós fica sempre o sentimento de que nunca conseguimos atender a exigência do nosso companheiro. E quando achamos que conseguimos, já existem tantas demandas impossíveis de ser viabilizadas, e uma lista infinita de defeitos e erros nossos que só nos resta tentar não fazer mais uma vez a coisa errada, o que inevitavelmente faremos. É uma tensão constante um pisar em ovos, um viver dentro de uma panela de pressão, temos que ficar escolhendo as palavras e nem isso muitas vezes ajuda muito.
Incidentes insignificantes tornam se motivos de berros, de criticas demolidoras, de xingamentos que nos lembre o quanto insignificantes e inúteis nós somos. Sentimos que somos pouco desejáveis, temos medo até da educação que damos aos nossos filhos. Porque muitas vezes somos humilhadas diante deles.
Uma das “estratégias” usadas é a negação total de contato físico, verbal, e sexual. As formas de abuso emocional podem variar em algumas nuances de acordo com a cultura e classe social do abusador, mas em síntese é tudo a mesma coisa, destrói a nossa auto-estima, destrói a nossa vida.
Mas quem é o abusador emocional? Quem é esse monstro que mora em nossa casa, que dorme ao nosso lado. Quem é esse monstro de duas faces, que na sociedade aparenta ser um bom pai, cheio de virtudes, um homem correto, e na intimidade do lar é esse monstro? Porque essa perversidade com os que lhes são tão íntimos? Os que talvez o ame?
Esse é um homem inseguro, que talvez tenha sofrido violência em sua infância, dentro da sua família ou na sociedade. Inseguros do seu desempenho sexual, que através da humilhação a suas companheiras, eles acham que vão afastar a criança assustada e impotente que existe dentro deles.
A masculinidade é definida muito em função de do domínio e controle sobre os outros. Alivia o estresse e proporciona uma sensação boa, ao abusador. Não importa a um monstro desses que nós nos sintamos culpadas, e inadequadas depois de sofrermos tal abuso.
O abusador tem dificuldades em lidar com o conflito (frustração, medo, perda) Prefere expressar suas frustrações através da raiva. Costuma apresentar uma enorme dependência da vitima, auto-piedade, e não se sente culpado de suas ações. Ao contrario vê a se mesmo como uma vitima, acha que são as outras pessoas que o provocam para agir como age.
Considera-se superior as mulheres. Por ser inseguro tem uma grande necessidade de exercer controle sobre o ambiente e as pessoas que convive, por isso sempre são sedutores de caráter. Percebem que a violência efetivamente funciona, e por isso a mantém.
Impulsivo e com pré disposição para comportamentos compulsivos. Projeta na mulher sentimentos de hostilidade em relação á figura feminina, como uma forma de compensação por sua impotência.
E por que não vamos embora?







São vários os motivos:
Trata-se deu um ciclo, de uma dança mórbida, jogos inconscientes que se compensam. Dificilmente conseguimos sair sozinhas desse jogo doentio. Quando rompemos sem estarmos conscientes, do jogo, tendemos a recolocar alguém no lugar.
Para rompermos com um circulo de abusos, emocionais ou físicos, precisamos de uma rede de apoio poderosa. Porque os abusos surtem efeitos e nos mutilam a capacidade de ação.
Nossos filhos são armas poderosas, assim como sanções financeiras, perda do padrão econômico, medo da censura social e familiar, por romper com alguém que é um “bom marido”, aos olhos de todos. A co-dependencia se confunde com afeto.
E por isso precisamos de uma rede poderosa para rompermos com os abusos. Precisamos de apoio jurídico, psicológico, de uma infra-estrutura que nos garanta a nossa integridade física e moral. E a dos nossos filhos. Precisamos de coragem, e de uma estratégia de ação. Mas antes de tudo precisamos entender que não somos culpadas – que não “fizemos por merecer” como parece crer o nosso companheiro. Precisamos acreditar em outras formas de existir mais saudáveis, e voltarmos a sonhar e a acreditar-me um futuro sem violência, sem coação. Precisamos ouvir nossa própria voz.
 
 



publicado por araretamaumamulher às 13:52 | link do post | comentar | favorito

1 comentário:
De madura a 11 de Março de 2010 às 10:56

até assusta tanta verdade


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