Domingo, 7 de Março de 2010

 Em 1910, foi instituído o Dia da Mulher, oito de março. Cem anos depois, ainda há muito pelo que lutar, “No imaginário social de hoje, as mulheres persistem inexistentes na memória histórica, em termos de poder, criação, ação”. Apenas com a história social das mulheres, desenvolvida pelas feministas, é que se percebe o imenso abismo onde foram jogadas as mulheres, para melhor desaparecerem

"Encontramos artistas, poetas, escritoras, pintoras, musicistas, rainhas, suseranas, guerreiras, que foram simplesmente apagadas da história e da memória social”, lembra. A professora Tânia Montoro, da Faculdade de Comunicação, complementa: “Conhecemos muito pouco as nossas cientistas mulheres. A ciência também foi feita de descobertas femininas”. 
Em primeiro lugar, as mulheres são maioria na universidade. É importante conhecer a história de lutas e conquistas femininas para perceber que há muito o que comemorar", diz. "Considero que se vive numa época privilegiada para ser mulher. Ainda há diferenças, mas há muitas conquistas que não podem passar em branco. 
DITADURA DO
 CORPO, um dos desafios a serem enfrentados é a cobrança social em relação à estética das mulheres. Ela explica que essa preocupação está além do corpo e da saúde. “Lamento isso porque num país tão diverso como o nosso, o padrão de beleza é pesar 45 kg, ter o cabelo loiro e liso, olhos azuis. É um padrão cruel e limitante. 

 Os meios de comunicação ainda são muito machistas. Ao invés da ditadura do patriarcado, vivemos a ditadura do corpo. Num país de multiculturalismos racial e genético, o padrão de beleza deixa de fora negras, indígenas, imigrantes e qualquer outra mulher que não tiver esse padrão. As indústrias farmacêutica, de cosméticos e cultural promovem um excessivo consumo da beleza, criando mulheres com problemas como bulimia, anorexia e depressão profunda. A ausência da mulher madura, com mais de 50 anos, nos meios de comunicação. É como se a função social da mulher acabasse com o fim da fase reprodutora. 
VIOLÊNCIA – As relações de gênero ainda determinam à condição da mulher na sociedade atual. “A violência não é um detalhe na história da mulher, é um marcador nas relações de gênero”. Helenice Gama Dias de Lima, psicóloga do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, conta que a violência contra a mulher é real e sempre existiu. A diferença é a punição ao agressor. “Hoje, a violência é crime”. A minha experiência tem me mostrado que as mulheres estão mais encorajadas a denunciar. Antes o agressor não sentia a ressonância do ato dele”, explica. 
A violência contra as mulheres só diminui na medida da conscientização e da resistência dos movimentos das mulheres, das feministas, daquelas que não aceitam a dominação da metade da população pela outra metade, pela simples representação social de inferioridade que é marca da definição das mulheres enquanto tais. “O século XXI tem um caminho enorme a ser percorrido para que as mulheres deixem de ser cidadãs de segunda classe ou vistas apenas como carne a ser consumida, com parâmetros bem definidos de beleza e disponibilidade”.
É a história de cada uma de nós, do estar no mundo como sujeito, desconstruindo a cultura patriarcal, ao reivindicar a co-autoria da história da humanidade, politizar o mundo privado e transitar na esfera pública, com autonomia e consciência da identidade política de mulher.
Queremos respeito aos nossos corpos, livre expressão da sexualidade, proteção aos direitos reprodutivos e direitos sexuais, cento e oitenta dias de licença maternidade, educação não sexista, descriminalização do aborto, fim da dupla jornada de trabalho, divisão das tarefas doméstica, reconhecimento econômico e valorização social do nosso trabalho produtivo e reprodutivo, valorização do trabalho da mulher rural, aposentadoria para donas de casa, direto à participação, enfrentamento à violência doméstica e sexista, democratização dos meios de comunicação e ampliação da representação política da mulher nos poderes da República.
Enfim, queremos conquistar a isonomia do poder, os 50% que nos usurpou, parte que nos cabe, não vamos desistir, somos uma força importante do eleitorado brasileiro e temos pela primeira vez na história da República, duas candidatas à presidência.
Queremos mais mulheres no poder, políticas públicas garantidoras de direitos, reformam agrária, descriminalização dos movimentos sociais, punição exemplar a toda forma de tortura, um estado laico, legalização da parceria civil entre pessoas do mesmo sexo, descriminalização do aborto, aposentadoria das donas de casa, políticas públicas para mulheres rurais, democratização dos meios de comunicação.
Sabem o que realmente queremos ser consideradas pessoas, como vocês homens o são, com os mesmos direitos e deveres. É muito? Não, é o natural.
Aliás, não estamos nem requerendo o direito de lhes espancar e humilhar, como foi feito com a grande maioria de nós.
Somos maioria nas universidades, nas repartições publicas, no comercio. É isso que temos que nos conscientizar para enxergamos que não precisamos nos sentir menores que ninguém.
Um feliz dia das mulheres a todas nós mulheres.
 
 


sinto-me

publicado por araretamaumamulher às 23:19 | link do post | comentar | favorito

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