Domingo, 23 de Agosto de 2009
É extremamente difícil conceber as muitas contradições do ser humano. Caímos com facilidade na tentação de esquematizar a nossa experiência. Quando vemos nossos defeitos, perdemos de vista a nossa magnificiência. Quando reconhecemos a nossa beleza, esquecemos a dor e a vulnerabilidade. No entanto, os dois extremos, e tudo o que fica no meio, são parte da experiência humana, parte da nossa experiência, da nossa verdadeira natureza como seres humanos.
Como espécie, adquirimos uma capacidade incrível e inaúdita de fazer perguntas sobre nós mesmos. Contudo, como espécie, estamos constantemente tentando definir e, portanto restringir a nossa complexidade. Nossa mente ainda é limitada pela ilusão dualista de que somos ou isto ou aquilo. Definimos a nós mesmos, e aos outros, em termos das dualidades que a nossa mente foi estruturada para reconhecer. Damos a nós mesmos, e aos outros, rótulos de felizes ou de infelizes, de equilibrados ou dementes, de dignos ou indignos de confiança. Tentamos colocar rótulos e obter respostas finais a nosso respeito para manter a nossa identidade segura e fixa.
Somos todos como crianças assistindo uma peça de Shakespeare. Quando nos assusta a fúria do Rei Lear na charneca tormentosa, imediatamente queremos saber se ele é um sujeito bom ou mau - como se a resposta a essa pergunta pudesse, de uma vez por todas, mitigar a ansiedade que está no cerne da nossa complexa natureza boa e má. Precisamos, aos poucos, ensinar nossa mente imatura e dualista a abarcar a totalidade da experiência humana, a transceder o pensamento por oposição - "ou isto ou aquilo" - e dar lugar á sabedoria do "tanto isto como aquilo". Este é o proximo salto evolutivo da nossa espécie.
Jamais vou me esquecer da Lidia lá na Unipaz, falando com aquela voz mansa propría dela:"Paz não é ausência de guerra, paz é inteireza". Quando ouvi isso pela primeira vez, me senti assustada, porque minha máscara principal sempre foi essa: "não eu não vou brigar, porque não quero me desarmonizar e desamonizar os outros, eu sou da paz, a vitima que sofre para não incomodar". Não era essa a verdade eu não "brigava, não impunha minha vontade, não dizia o quer queria, por dois motivos: o primeiro era o medo,a minha baixa auto -estima não me deixava abrir minha boca, e o segundo é que eu adorava ser vitima, ser a coitadinha, a sofredora incompreendida..."
Somos muito mais do que pensamos ser. Em cada momento, quer tenhamos ou não consciência da nossa vastidão interior, alcançamos mais longe e mais fundo que nossa personalidade atual. A forma de aumentar a auto estima evolui, então para o questinamento sobre essa identidade. Nesse questionamento, descobrimos identidades internas de mais dignidade e nobreza de espírito do que julgávamos ser possível.
No entanto, da mesma forma que procuramos não conhecer o os nossos defeitos por medo de não sermos nada além de nossas limitações, também procuramos não conhecer nossa divindade inata, por medo de perder a noção confortável e circunscrita de quem somos. Acreditamos que a nossa personalidade humana restrita, delimitada pela superfície da pele, é a nossa identidade, e resistimos á ideia de saber quem somos mais. temos medo de sondar nossas profundezas, onde somos muito mais do que a experiência normal que temos de nós mesmos.
Fatima Jacinto
Uma Mulher


publicado por araretamaumamulher às 15:04 | link do post | comentar | favorito

2 comentários:
De LISON a 1 de Dezembro de 2009 às 15:48
Saudações Natalinas!
Amiga,
Um texto profundo e rico em interrogações sobre o senhor medo que nos leva a reflexões profundas. Uma narrativa espetacular que nos conduz do inicio ao fim do texto... Gostei muito minha amiga!
Parabéns pelo excelente texto!
Parabéns pelo magnífico post!
Abraços fraternos,
LISON.


De Francisco Castro a 1 de Dezembro de 2009 às 15:53
Olá!

A violência, independente de qual tipo seja e sua motivação, é totalmente condenável. Devemos todos ser contra a violência e exigir que todos os seus culpados sejam severamente punidos.

Abraços

Francisco Castro


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