Sábado, 21 de Novembro de 2009
Sofri tudo isso por tanto tempo, que quando vejo um artigo desses penso que quem o escreveu me conhece, e está falando de mim, dos meus filhos, da minha família.
Hoje quando olho para trás e vejo tudo o que foi feito a mim, premeditadamente, me dá uma enorme vontade de revidar, de dar o troco, de ver punido quem me fez descer tanto, quem me fez esquecer quem eu era.
Entendi que só existe uma maneira de punir, um psicopata, é denunciando, levando a publico tudo o que foi feito por ele. Denunciando e o desmentindo, só assim eles se afastam.
Este post, foi retirado do blog de Sandra Ebsaiwa
“Mulheres da terra, água, fogo, ar.
Traidores
“Uma mulher pode sobreviver aos idiotas, oportunistas e até aos gananciosos. Mas não pode sobreviver à traição gerada dentro de seu lar. Um inimigo exterior não é tão perigoso porque é conhecido e carrega suas bandeiras abertamente. Mas o traidor que se move livremente dentro do seu espaço, seus melífluos sussurros são ouvidos entre todos e ecoam por toda cidade. E esse traidor não parece ser um traidor; ele fala com familiaridade a suas vítimas, usa sua face e suas roupas e apela aos sentimentos que se alojam no coração de todas as pessoas. Ele arruína as raízes da sociedade; ele trabalha em segredo e oculto na noite para demolir as fundações da família; ele infecta o corpo social a tal ponto que este sucumbe.”
(Baseado em Discurso de Cícero, tribuno romano, 42 a.C.)
Tem sido dada ênfase à violência doméstica que atinge as mulheres, na forma física. Acontece que, absolutamente mais comum e infinitavemente mais danosa é a violência psicológica, que não acontece apenas no ambiente doméstico sendo que esta, por ser continuada no tempo, até mesmo sem ser identificada pela vítima, é a forma de abuso mais difícil de ser identificada, porque não deixa marcas evidentes no corpo (exceto talvez, uma postura corporal). A agressão psicológica pode ficar camuflada em doenças alérgicas e auto-imunes.
Ela é comumente camuflada pela sutileza das relações intra-familiares, mas causa sofrimento e conduz a mulher às alterações de comportamento, postura corporal e/ou reações psicossomáticas. Ainda o fato de esta mulher, acossada, diminuída em sua auto-estima, repassar aos filhos, o amargor, mesmo que involuntária e inconscientemente levando à perpetuação, igualmente perversa ao criar modelo deste tipo de violência na vida adulta dos filhos.
O abuso psicológico também permeia todas as outras modalidades de abuso e isto é o mais dramático, pois exacerba o nível de possibilidades de toda a família em apresentar distúrbios de ordem psicológica adentrando nas suas relações afetivas, dificultando-as. O acúmulo da vivência desse tipo de violência faz elevar os índices de freqüência aos hospitais psiquiátricos, elevar globalmente o nível de distúrbios mentais, bem como elevar o índice das estatísticas dos suicidas.
Pode-se considerar que essa forma silenciosa de violência, vivida pela mulher casada no seu cotidiano, é pouco ou nada considerada até agora. Mas essa violência não acontece apenas com as mulheres, muito mais às crianças e adolescentes, vítimas mais disponíveis.
No caso das mulheres casadas, consideramos que se de um lado existe o criminoso, em geral o marido, agindo através do poder financeiro e econômico, cultura do ciúme e mais atual, a evitação da independência da mulher no imaginário que está em formação, da ascendência profissional vista como concorrência, do outro lado está à própria mulher que, principalmente, se ama o marido, aceita a posição de vítima como uma demonstração de amor. Com certeza não é difícil alcançar que o poder econômico e financeiro do marido pode servir de alavanca da medida e do grau de dependência financeira da mulher em relação ao parceiro.
Esta mulher casada, que ama o companheiro, quando vítima de atrocidades psicológicas tende, quase sempre ao sentimento de culpada, invariavelmente. Ou não consegue identificar a capacidade do companheiro em arquitetar e manietar. Sente-se confusa, pois não acredita na possibilidade de intenção e mesmo não acreditam ser esta, uma forma de violência. Não acredita que o marido a está fazendo sofrer deliberadamente fazendo-a sentir o sabor do poder que ele detém.
A "confusão" sentida e vivida pela mulher vítima de atrocidades psicológicas reside, na maioria das vezes, no equívoco de "confundir" os sentimentos. Desvalia ódio, rejeição. Esta mesma mulher que pensa que ama, pode não amar o marido. Muitos outros motivos podem estar contribuindo para que ela viva o sentimento de "confusão". Medo de encarar outra realidade que ela pensa ser mais difícil, que ela pensa que não vai conseguir alcançar. O medo da separação, do divórcio. O medo de ter "fracassado" no seu casamento e por fim, também a possibilidade de ela confundir no sentimento de culpa e perder-se no desconhecimento da autopunição ou autodestruição.
Essa violência pode estar sendo demonstrada através da ridicularização do físico mulher - gorda, magricela, pele e osso, velha, relaxada, não capaz de ganhar dinheiro para ajudar a família etc. - da incapacidade intelectual - burrinha, desinformada, fora da realidade. Atitudes constantes de censura, pressões, cobranças, comparações, a exemplo.
Pode-se considerar que a forte pressão psicológica alcança características de tortura quando movida por objetivo definido da qual a vítima é o meio.
Muitos exemplos poderiam ser extraídos. O marido que premeditadamente força a pressão psicológica até que ela chegue a atingir níveis insuportáveis pela vítima que cede diante da fragilidade psicológica e emocional. Esse objetivo pode ser conseguir o descrédito da mulher ao ser considerada mentalmente incapacitada para administrar patrimônio, por exemplo. Outro tipo de tortura com objetivos de conseguir informações; essa seria a tortura política e objeto de outro enfoque.


publicado por araretamaumamulher às 09:26 | link do post | comentar | favorito

2 comentários:
De Ebrael Shaddai a 21 de Novembro de 2009 às 10:09
Fátima!!

Como eu mesmo já havia falado em posts antigos meus, a culpa é verdadeira opressão "diabólica", pq escraviza a pessoa a um estado de eterna penitência por coisas q geralmente ela não é culpada. E ainda mais: esse sentimento de culpa por "amor" nso prende ao ser q nos condena (na verdade, ele, o condenável). Essas amarras, essa prisão é verdadeiro castigo e inferno!!

Pecado é não se amar. Não se amando, o que ela sente é doença psicológica, e como vc falou, contagiosa e transferível aos filhos e netos, numa dinastia de manietados!!

Parabéns, mais uma vez!!

Bjs Fátima!!


De Isabel Ruiz, a 21 de Novembro de 2009 às 10:48
Fátima, outro dia li comentários, à um artigo de um blog da globo, de mulheres que defendiam a idéia de que não existem mais mulheres oprimidas, depressivas e culpadas. Dessa forma percebemos o quanto a falta de informação ou a cegueira inconsciente afasta as mulheres da realidade. O fato da mulher ser mais independente que em outras épocas não significa que ela não seja vítima de abusos. Na minha profissão(psicanalista) o que mais vejo são mulheres que se culpam pela agressividade do marido e muitas vezes dos filhos, incentivados por aquele que deveria ser o educador.
Muito bom esse seu trabalho de esclarecimento.
Beijos
Isabel


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