Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009
A violência contra a mulher tem ocupado cada vez mais espaço nos veículos de comunicação e isto só vem nos mostrar a necessidade de ações urgentes para conscientizar e ajudar os casais. Vamos fazer agora uma profunda analise dessa questão.
A desigualdade de poder, vista por toda parte, influencia fortemente os comportamentos individuais na nossa sociedade e se manifesta através de inúmeros jogos de poder nas relações. Destes jogos, o mais básico é o da vitima/vilão, facilmente incorporado pelas pessoas. Escolhemos esses papeis mesmo que inconscientemente, de acordo com nossa tendência e condicionamento cultural.
Assim nas relações afetivas, fomos educadas para o papel de passivas e tendemos a funcionar como vitimas, e o homem treinado mais para a ação e para ser guerreiro, tem uma maior atração para o vilão. Mas recentemente descobrimos o nosso poder de ação, especialmente em relação a nossa sobrevivência, e para nossa auto-realização material e profissional. Contudo, no relacionamento a dois, a situação é bem diferente. Evoluímos muito pouco como parceiras, e não conseguimos assim resolver o conflito de poder que surge, e ai nos submetemos e convivemos com uma situação de desigualdade de poder, aceitando a hostilidade de nosso companheiro. Como vitimas contribuímos para perpetuar o processo de hostilidade, que é sem conseqüências para o vilão, cresce mais a cada dia. E o homem, qual o seu contexto? Ao contrario da mulher, a percepção do homem, nas ultimas décadas é de perda de poder e prestigio social. Na verdade o homem ganhou certas vantagens com nossa evolução, mas nem sempre lê consegue visualiza-las, ou valoriza-las e por isso essas vantagens não chega a compensá-los. A perda do status é sentida como mais importante por ser atribuída por eles a causas externas, e isso fere profundamente o orgulho de muitos homens. Vamos somar a isso o fato de que também houve perda de seu espaço profissional, e por vários fatores, houve o aumento da competitividade, inclusive com nós mulheres. Por isto, muitos desses homens frequentemente vêem seus sonhos de realização material frustrados. Neste contexto, o relacionamento afetivo é uma brecha, ou seja, é o espaço onde o homem tem a possibilidade de compensar esta perda de poder, sentindo-se novamente forte e importante. Inegavelmente vivenciar o poder é prazeroso.
Esse não costuma ser um processo consciente, dos reais motivos, assim como nós não nos damos conta do quanto contribuímos com a nossa passividade, mas o fato é que estas condições se tornam absolutamente favoráveis ao crescimento da violência contra nós mulheres. A violência pode ser entendida como uma doença do relacionamento e do casal, que se manifesta de forma insidiosa, ou seja, o crescimento da hostilidade é, geralmente, crônico e cresce aos poucos. Mas com o passar do tempo o homem cria dependência desse prazer fácil e inconseqüente que obtém, nos momentos de ira. Enquanto que nós perdemos cada vez mais, a nossa auto estima e nossa auto confiança, ou seja, a nossa capacidade de agir positivamente para resolvermos o problema que cresce.
Isto explica o agravamento dessa doença chamada violência e suas conseqüências devastadoras em nossas vidas, e o fato de que na vida d homem, quase ou nenhuma conseqüência fica. Então concluímos que o que nós mulheres queremos é a cura dessa doença. Mas afinal, embora a resposta possa nos parecer obvia demais precisamos analisar. Quem é o agente causador dessa doença? Ou melhor, que é o inimigo que nós desejamos derrotar? Muitas de nós vamos responder que o nosso inimigo é nosso parceiro violento. Porque é dele que queremos é precisamos nos livrar.
Mas nos enganamos e as estatísticas mostram que a maioria de nós quando nos livramos de um agressor colocamos outro no lugar. Porque estamos condicionadas a funcionar como vitimas. Então nosso inimigo não é nosso agressor. Muita de nós diria que nosso inimigo é o medo terrível, que sentimos quando estamos experenciando a violência. E verdade vive o medo intensamente, mas como qualquer outro medo humano, ele é natural e existe ai só mais um desafio a ser vencido.
Nosso inimigo real são as nossas varias crenças que carregamos crença na nossa fragilidade, na nossa falta de merecimento do melhor, na nossa falta de poder diante da situação, na nossa visão de que não temos escolhas e muitas outras crenças restritivas que fecham as portas da solução do problema, para nós.
Por isso a cura está em nos fortalecermos, em corrigir nossas crenças a fim de percebermos nosso poder, e ai sairmos do papel de vitima e treinarmos para sermos as protagonistas. O que é isto? Protagonista é o papel que escolhemos e desenvolvemos. Não é natural. Segundo Rui Mesquita: “Protagonista é a concepção da pessoa como fonte de iniciativa, que é ação, como fonte de liberdade, que é opção, e como fonte de compromisso que é responsabilidade”.
Dessa forma nós vamos aprender fazendo, quando ocupamos nossa posição no centro do processo e induzimos as mudanças necessárias.
Somente quando assumimos a nossa responsabilidade total pelo nosso bem estar, vencemos o medo e a violência. E isso creiam me só conseguiremos as que dentre nós buscar ajuda e perseverar nessa busca. Temos que aprender a ler a discutir sobre nossos problemas com quem realmente entende, ao invés de ficar só lamuriando por esses problemas. Enfim quando ampliamos nossa visão sobre essa doença, sobre nossas relações e sobre nós mesmas, vamos encontrar os verdadeiros recursos e poder para nos fazer feliz.


publicado por araretamaumamulher às 07:58 | link do post | comentar | favorito

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